quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Macaíba


                                    Igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição da Macaíba. Acervo: Instituto Tavares de Lyra - Macaíba/RN.

Comumente, a história de nossos municípios potiguares, começa por uma fazenda de gado e logo em seguida a construção da capela canonicamente permitida e liturgicamente abençoada.

Em Macaíba a pedra fundamental da futura matriz foi lançada em 1858 numa cerimônia festiva presenciada pelos vigários de Natal e de São Gonçalo, Bartolomeu da Rocha Fagundes e José Paulo Monteiro de Lima respectivamente, pelo Major Fabrício Gomes Pedroza (1809-1872). Em 1868, no livro velho de contas da matriz está registrado que Fabrício e a esposa D. Luiza Florinda, “doaram em suas terças dez braças de terra em cada lado, inclusive o terreno em que se acha edificada a mesma capela (...) a Nossa Senhora da Conceição, Santos Cosme e Damião.”

A capela era a afirmação da fé e denunciava o desenvolvimento econômico local, a densidade demográfica em ritmo crescente, o número apreciável de almas em estado de comunhão, certa massa residencial fixando cristãos, vivendo em tarefas regulares.

A capela declarava a presença da vida social organizada sobre bases estáveis, concordância do esforço com a produção asseguradora da existência familiar, o grupo vicinal capaz de prestar mutua proteção e auxílio, sistema de caminhos articulando as propriedades esparsas ao centro mais povoado, facilitando trânsito e escoamento das safras, costumes cristãos, unificadores e solidários com a figura simples da capelinha, pastoreando o rebanho imóvel, reunido à voz lenta do pequenino sino emocional.

No dia 08 de dezembro de 1869, procedeu-se a benção da capela-mor do templo, somente então concluída. As obras de construção do templo estiveram paradas por certo tempo e foram reiniciadas em 1882, sob a direção de Pe. José Antônio Maria Ibiapina. Em 1883, a igreja foi elevada à categoria de matriz, sendo concluída entre os anos de 1896 e 1904, sob a direção do Pe. Marcos Santiago. Trata-se de um templo de grandes proporções, que possui elementos dos estilos gótico e barroco.

Segundo a arquiteta Jeane Nesi do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, “A matriz é constituída de capela-mor, nave principal, galerias laterais, sacristia, coro e um amplo consistório”. E continua, “A fachada principal, emoldurada por cornija, apresenta um corpo central constituído por três portas de acesso, superpostas por igual número de janelas rasgadas, com guarda-corpos de ferro. As portas são de madeira, assentadas em vãos de vergas em arco pleno, apresentando ainda bandeiras de ferro. O templo possui frontispício curvilíneo, com um relógio no centro e uma inscrição – 1882 – data que assinala o recomeço de sua construção”.

O templo sofreu outras modificações significativas. Em 1938, o padre Alexandrino Suassuna, mandou retirar as 12 tribunas onde antigamente ficavam as famílias mais antigas do município. As suas telhas de cerâmica foram substituídas por outras, de fibrocimento.

O coro teve o seu assoalho de madeira trocado por outro de laje em 1968, as galerias laterais receberam um forro de laje, no mesmo ano, bem como o altar-mor. Os altares laterais foram retirados. Suas grossas paredes guardam, ainda hoje, restos mortais de pessoas ilustres para o município e para o estado, em ossuários artisticamente confeccionados.

A imagem da padroeira Nossa Senhora da Conceição foi doada pela família de Fabrício Pedroza, que organizaram uma bonita procissão de Guarapes, de onde retiraram a imagem da capela e levaram para a futura matriz.

Seguindo o gesto da família Pedroza, as demais famílias que formavam o povoado a convite de Fabrício, passaram a doar imagens de suas devoções para a matriz, assim tivemos; Lyra Tavares – São Francisco e São Luis Gonzaga, Costa Alecrim – Santa Terezinha e Sagrado Coração de Jesus, Moura – Santo Estevão e São José, Mesquita – Nª Sª. do Carmo, Albuquerque Maranhão – Senhor Morto e Ressuscitado, Andrade Lima – Sagrado Coração de Maria, Freire – Santa Bárbara, Castriciano de Souza – Senhor dos Passos.

Faltava-nos tão somente a criação de uma paróquia, o que asseguraria a presença contínua do pároco em caráter permanente, inamovível, garantia positiva da sequência na assistência religiosa e no conselho moral no seio doméstico. As Assembleias Legislativas Provinciais eram as responsáveis por esta criação. Através de um requerimento do deputado Dr. Francisco Clementino de Vasconcelos Chaves, senhor do engenho Ferreiro Torto, foi sancionada a lei provincial N° 815, de 07 de Dezembro de 1877, que criou a paróquia de Nossa Senhora da Conceição. Entretanto, decorridos seis anos de instituída, e não havendo padre para provê-la, a lei caducou, passando por outra Lei provincial.

Segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo em seu livro História das paróquias do Rio Grande do Norte, p. 24, “MACAÍBA – Nossa Senhora da Conceição – Criada pela lei n° 876, de 17 de Março de 1883, que suprimira a freguesia de São Gonçalo. Vigário, Pe. Manoel Fernandes Lustosa”.

Já o historiador macaibense Dr. Augusto Tavares de Lyra, em seu opúsculo História do Rio Grande do Norte, p. 362 assim se expressa: "Freguesia de Macaíba: Criada pela Lei Provincial n. 876, de 17 de março de 1883, que suprimiu a freguesia de São Gonçalo, transferindo para ali a sua sede. A sua invocação é Nossa Senhora da Conceição.”.


Todos os demais historiadores são unânimes a esta data. Os documentos oficiais da antiga Assembleia Imperial, atualmente arquivados no nosso respeitado Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, também são claros e precisos nesta perspectiva.

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