domingo, 9 de agosto de 2009

O casarão dos Guarapes



A notícia de que o deputado federal Rogério Marinho, aprovou emenda ao orçamento da União no valor de 250 mil reais, para ajudar nas obras de restauração do Casarão dos Guarapes, em Macaíba, me fez recordar a visita que fiz em junho de 2008 ao antigo entreposto comercial de maior repercussão no Rio Grande do Norte. Um ano depois, sábado passado, dia 08 de agosto, conduzi uma equipe de reportagem da TV Ponta Negra, que deseja ajudar a divulgar a campanha pela restauração do lugar.


Na tarde do último sábado de junho, eu, Cecília e o historiador Wagner Rodrigues nos dirigimos à comunidade de Guarapes, município da Macaíba. Buscávamos chegar ao antigo núcleo irradiante de um alto talento econômico. Iniciamos o percurso subindo pela ladeira que o mato torna difícil. Chicoteados pelos galhos, saudados pelos confetes das folhas verdes e úmidas surge a antiga morada. No cimo do monte, a casa grande do Major Fabrício Pedroza (1809-1872).


O casarão nos mira pelas suas quatro pupilas apagadas de suas janelas escancaradas. Os umbrais de cantaria sustentam o corpo imóvel e morto através do tempo. O mato irrompe pelas salas onde soara a voz de mando do lendário Fabrício Gomes Pedroza. Salões, salas, saguões amplos, altos, convidativos, remetem ao ambiente desaparecido.


Local para as pescarias do agreste e passagem para o sertão do Seridó e zona do oeste. De tudo havia para vender e permutar. Era a casa inesgotável, o recurso financiador, a força poderosa.


Os armazéns transformaram a paisagem ribeirinha, hoje sobre os alicerces dos antigos armazéns, o assoreamento possibilitou o manto do manguezal estender-se: multiplicado e avassalador. Subindo este rio vazio e azul, vinte navios estrangeiros atravessavam o atlântico com a consignação que nunca mais se repetiu: Inglaterra – Guarapes.


A casa grande lembra as zonas de bombardeio. Lá, surgem inumeráveis escavações, bocarras, furnas, grotões que a vegetação disfarça. São os caçadores de tesouros, os sonhos de dinheiro enterrado, os teimosos que acreditam nas botijas de moedas de ouro, admitindo, contra toda lógica viva, que Fabrício Pedroza enterrasse dinheiro na terra em vez de tê-lo na mão segura e firme.


O passado está presente. Sensível. O ambiente acolhedor, a alegria instintiva e a paisagem deslumbrante não podem afastar a sensação nostálgica do passado, daquele centro sonoro, eficiente e tumultuoso, agora silencioso, sombrio, povoado de sombras e de saudades.


Trago um tijolo velho, pedra do solar da família. Pretendo guardá-lo como uma homenagem aos antepassados. Na volta para casa, as primeiras curvas ocultam a casa grande que permanece, no alto, de sentinela ao rio adormecido.

Um comentário:

  1. a historia que existem tuneis debaixo do casarão é verdade?

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