terça-feira, 11 de agosto de 2009

Octacílio de Mello Alecrim

Nasceu em Macaíba (RN), aos 17 de Novembro de 1906. Filho de uma ilustre família macaibense, sendo seu pai o abastardo coronel da guarda nacional Prudente Gabriel da Costa Alecrim, que fôra deputado estadual e intendente (prefeito) de Macaíba em 1914-16. E sua genitora a senhora Anna Pulchéria Pessoa de Mello Alecrim, pianista reconhecida em todo o nordeste. Esse casal organizava em seu belo casarão colonial, saraus e bailes onde se discutiam a boa música e literatura. Essas tertúlias marcaram intensamente a vida sociocultural da cidade provinciana e com certeza despertou em Octacílio o amor pela cultura.

Aprendeu o "Beabá" em uma velha cartilha com a mãe Donana Alecrim, passou depois para o tradicional grupo escolar "Auta de Souza", onde foi aluno de Bartolomeu Fagundes e Arcelina Fernandes, neste período, recebeu várias medalhas por vencer concursos de poesia. Foi então, transferido para o colégio de santo Antônio, neste estabelecimento, fundou um jornal e um grêmio.
Terminou os estudos secundários no ateneu, era então oficial de gabinete do governador José Augusto aos 17 anos, representando-o em várias solenidades.

Junto com Edgard Barbosa, Nilo Pereira entre outros, trabalhou no jornal "A Republica", indo estudar direito no Recife, onde não parou de colaborar em jornais, destacando­-se o Jornal do Comércio daquela cidade. Na faculdade foi um líder nato, fundou a revista “Cultura Agitação”, junto aos colegas Álvaro Lins e Aderbal Jurema. Em 1930, de férias em sua cidade natal, onde se hospedou em casa da mana Maria Zebina Alecrim, escreve seu primeiro opúsculo ­ TAMATIÃO, panfleto satirizando a revolução de 1930. Depois mudou-se para o Rio de Janeiro, onde aproximou-se do grupo brasileiro de estudos proustianos, formado por intelectuais como Oto Maria Carpeaux, Sérgio Buarque de Holanda, Lúcia Miguel Pereira entre outros. Viajou pela França aprofundando seus estudos sobre Proust.

Otacílio Alecrim escreveu e publicou vários artigos em jornais e revistas, como Diário de Pernambuco, Correio da Manhã, Jornal de Letras (RJ), Revista de Antropofagia (SP), Revista Nordeste (PE) e Revista Branca (RJ), sendo a maior parte deles sobre o tema da escrita proustiana.
Em 1957 Otacílio Alecrim publicou um livro de memórias intitulado "Província Submersa", que pode ser considerado uma autobiografia. Nele, o autor realiza um verdadeiro retorno, à moda de Proust, às suas origens e ao tempo de infância, resgatando com sensibilidade inúmeros tipos de sua terra. Ao final do volume, há ainda uma série de depoimentos sobre o autor, assinados por escritores e historiadores da literatura.

Dr. Otacílio foi o ensaísta delicado e penetrante que teve o prazer das sensações intelectuais refinadas. Daí sua atração por Proust, a quem são dedicadas algumas de suas melhores páginas.

Casado com dona Hermínia Gonçalves da Barra Alecrim e não tendo filhos, criou dois sobrinhos, um dele, senhor Antônio Vicente Magalhães e outro dela, senhor Luis Eduardo Gonçalves.
Otacílio de Mello Alecrim faleceu de problemas cardíacos em seu apartamento na praia do flamengo no Rio de Janeiro aos 02 de setembro de 1968, sendo sepultado no cemitério São João Batista. Sua ultima visita ao estado e a sua terra natal se deu em 1966, visitou amigos e parentes e veio defender os interesses de um partido político do qual era advogado.

Macaíba foi a “Província Submersa” de Octacílio Alecrim. Era um nostálgico de sua gente, de sua paisagem. Um barresiano, como salientou Américo de Oliveira Costa. Um Proustiano que ele foi todo inteiro, com sua Combray para as horas íntimas – aquelas em que o orador se escondia no menino, na infância perdida.

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