segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Fabrício Gomes Pedroza - 200 anos

Fabrício Gomes Pedroza

Neste ano em que comemoramos o bicentenário de Fabrício Pedroza e os sesquicentenário de fundação da casa Fabrício & Cia. em Guarapes, Macaíba prestará uma significativa homenagem ao seu idealizador, proporcionando-lhe o descanso na Matriz que edificou, ato que ficará marcado na memória histórica da comunidade como uma reverência perene à memória do patriarca macaibense.


Fabrício Gomes Pedroza nasceu Paraíba, na cidade do Pilar a 26 de outubro de 1809, filho de Francisco Gomes de Andrade Lima e de Silvana de Lyra Coutinho. Seus pais eram senhores de engenho. Foi vendedor ao velho estilo dos tempos imperiais, vendendo aqui e comprando ali. Em 1840 já era dono e residente no engenho Jundiaí. Sua primeira esposa dona Maria da Silva e Vasconcelos faleceu naquele engenho aos 29 de setembro de 1847. No mesmo ano ainda, casou-se com a filha do proprietário do sitio Coité, Capitão Francisco Pedro Bandeira de Melo, dona Damiana Maria.
Homem empreendedor, Fabrício enxergou nas terras do sogro, um bom local para o comercio, tendo em vista o porto ali perto, e as caravanas de tropeiros que vinham do interior do estado vender suas mercadorias na capital. Rapidamente, ele constrói um armazém margeando o Rio Jundiaí para guardar essas mercadorias e funda uma feira em 1855, seguindo-se também a mudança de nome sugerido por ele para o nascente povoado de Coité para Macaíba. Em seguida, ergue seu sobrado ao velho estilo português, com loja na parte térrea e morada na superior.
Em 03 de Julho de 1857, falece Damiana Maria Pedroza. No ano seguinte Fabrício casa-se com Luiza Florinda de Albuquerque Maranhão, irmã de seu principal sócio, Amaro Barreto.Neste período, briga com o Cel. Estevão Moura, senhor do engenho Ferreiro Torto e muda-se de Macaíba para Guarapes, onde funda a maior casa comercial até hoje implantada no estado em 1858 e uma feira em fevereiro de 1859, cuja fundação compareceu o presidente da província Dr. Antônio Marcelino Nunes Gonçalves! Cuja se transformou em centro comercial de ampla irradiação econômica, exportando e importando diretamente da Europa, especialmente da Inglaterra. Os navios subiam o rio Potengi carregados de açúcar, algodão, couros.

A casa comercial dispunha de grandes armazéns, de escola para os filhos de moradores, de casas, de capela cuja padroeira era Nossa Senhora da Conceição, anos mais tarde, doada para nossa matriz por ele e a esposa e filhas, cujo terreno do patrimônio da referida matriz, também foi doação sua. A Casa Fabrício & Cia. funcionou de 1859 a 1896, tendo Fabrício viajado diversas vezes a Europa para aperfeiçoar seus negócios.

Era um homem a frente de seu tempo em todos os sentidos, inclusive as suas filhas estudaram, algumas até na Europa, num tempo em que mulher só poderia aprender o necessário para seu futuro.. cuidar de casa!! O fechamento da casa comercial dos Guarapes, abalou financeiramente o estado do RN, tanto que o presidente da província Barão de Lucena, pediu sua volta a direção dos negócios em discurso na assembléia provincial.
Somente doente, o major Fabrício Gomes Pedroza e sua esposa retiram-se para o Rio de Janeiro, onde ele faleceria aos 22 de setembro de 1872 em seu palacete no bairro de santa Tereza. Esteve sepultado no cemitério de são João Batista até 25 de outubro de 2009, quando fui ao Rio de Janeiro, como representante da família e do Instituto Pró-Memória, junto com o secretário de Cultura de Macaíba Marcelo Augusto e transladamos os restos mortais de Fabrício Pedroza para o Rio Grande do Norte, onde repousará na Matriz que construiu.

Porém, a casa comercial prosseguiu com a mesma denominação - Fabrício & Cia. A herdeira foi sua esposa Luíza Florinda que arrendou a Firma aos genros Amaro Barreto e Miguel Tavares que continuaram comercializando com a Inglaterra e outros estados brasileiros. Observamos pelos jornais da época, o movimento do porto de Guarapes até 1896, enviando e comprando mercadorias no estrangeiro. Em 1895 faleceu Miguel Tavares e em 1896, Amaro Barreto. A Firma foi comprada por Fabrício Pedroza II e levada a sua sede para Natal. Jovino Barreto comprou a propriedade Guarapes e pretendia instalar uma fabrica de tecidos. Não chegou a realizar seu projeto pois que faleceu em 1901, tendo herdado a propriedade Guarapes o seu filho Pio Barreto que a vendeu a Nizário Gurgel.

Em 1919, Felinto Manso adquiriu Guarapes em leião e, posteriormente, vendeu ao comerciante Manoel Machado, marido da famosa viúva Machado e dela passou ao alemão Gerold Gerppert, que nos anos 70 incluiu o terreno em um grande loteamento, mas que comunicado do tombamento, desmembrou e fez doação ao estado da parte referente a Guarapes.

Sua viúva e terceira esposa, dona Luiza Florinda faleceu em Natal aos 20 de janeiro de 1910. Dos seus três casamentos, houve 32 filhos e mais de cem netos! Na partilha do espólio, muitos ficaram sem nada. Particularmente, sou descendente de sua quarta filha do primeiro casamento, dona Guilhermina Pedroza da Silva Tavares que foi casada com o Major Antônio Pessoa de Araújo Tavares, que são os avós de meu bisavó Silvino Tavares.
Interessante que ouvimos de parentes mais antigos, referências as três esposas de Fabrício Pedroza. A primeira ajudo-o a ganhar dinheiro, a segunda guardou e a terceira gastou...


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