domingo, 4 de outubro de 2009

Jornalista James Dantas

É necessário o Rio Grande do Norte fazer justiça à memória de um dos seus filhos, que se revelou um dos maiores jornalistas latino-americanos. Jayme Dantas, moreno, pequeno e atarracado, menino de Macaíba, morando em Natal foi vizinho de uma família americana, brincando com os garotos da casa ao lado, aprendeu o inglês como aprendeu o português.
Veio a guerra, os americanos desembarcaram em Natal, para construir e operar a base aérea, ligação fundamental dos Estados Unidos com a África. Precisavam de intérpretes e Jayme, adolescente, foi contratado. Trabalhou com os americanos dois anos seguidos.

Ao fim da guerra, a norte-americana revista "Time" decidiu nomear um correspondente no Brasil. Jayme, nem ele sabia por que, foi indicado ao gringo da "Time" que veio ao Rio escolher o correspondente.

Jayme recebeu em Natal uma passagem e o endereço do hotel, no Rio, veio e se apresentou ao gringo. Tornando-se correspondente no Brasil da revista “Time” durante 25 anos, o primeiro jornalista brasileiro a trabalhar na imprensa estrangeira. Foi também o primeiro brasileiro a presidir o Clube da Imprensa estrangeira, o “Overseas Press Club”.

Trabalhou no JB como correspondente nos EEUU e na Argentina e dirigiu, junto com Calazans Fernandes, os cadernos especiais da Folha de São Paulo. Em 1962, Jaime Dantas abriu as portas do Governo Kennedy para o Governo Aluízio Alves, implantando-se no Estado audacioso programa de educação financiado pela “Aliança para o Progresso”. O educador Paulo Freire foi um dos principais colaboradores desse projeto.

Em fins de 65 e em 66, quando a TV Globo começou a funcionar, Jayme Dantas foi o chefe de redação do jornal "Ultra-Notícias", que em 67 virou "Jornal da Globo", com José Ramos Tinhorão como editor-chefe, e, em 69, tornava-se "Jornal Nacional".

Chefiando a redação do primeiro "Jornal da Globo", o potiguar Jayme Dantas, baixinho e competente, era, no jornalismo da Globo, o representante do grupo "Time-Life", que foi sócio de Roberto Marinho e financiou a criação da TV, até que a CPI do Congresso, inspirada por Carlos Lacerda e comandada por João Calmon, dos "Diários Associados", anulou o "Acordo Time-Life" e obrigou Roberto Marinho a desfazer oficialmente a parceria.

Não sei se por isso, para esconjurar velhos pecados, ou por um lapso, Jayme Dantas foi suspeitamente esquecido no livro dos 35 anos do "Jornal Nacional" ("Jornal Nacional, a notícia faz história"), entre os primeiros que participamos da criação do jornalismo na TV Globo.

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