domingo, 29 de novembro de 2009

O Filme desaparecido de José Augusto

No ano de 1924, o governador José Augusto Bezerra de Medeiros (1884-1976), encomendou um filme documentário sobre a vida do Estado e suas possibilidades econômicas; a 18 de outubro de 1924, num sábado, o jornal A República publicou a seguinte reportagem:

Filme do Estado

Os conceituados cinemas Polyteama e Royal, desta cidade, farão realizar hoje em suas telas, o cine-jornal do Rio Grande do Norte, excelente filme, organizado sob a direção do nosso confrade Dr. Anfilóquio Câmara.

Apanhando interessantes aspectos de nosso Estado, na sua vida social e política, como na sua vida industrial e econômica, é natural que a sua exibição em nossos cinemas desperte a maior simpatia do público, que ali acorrerá, certamente, levado pela curiosidade de conhecer através da tela, faces inéditas da beleza da nossa terra e da riqueza do Rio Grande do Norte.

O Coronel Américo Gentile, proprietário das duas casas de diversões, muito se tem esforçado para que obtenha o melhor êxito a representação da importante película cuja confecção representa um patriótico esforço do governo do Estado e dos seus organizadores.

O filme consta de treze partes assim discriminadas:

I – Chegada do Dr. José Augusto em natal, em 24 de dezembro de 1923;

II – Aspectos de Natal (Cidade Alta);

III – Aspectos de Natal (Ribeira);

IV – Ceará-Mirim, Muriú e a cultura da cana-de-açúcar;

V – Macau (salinas);

VI – Mossoró e Grossos;

VII – Posse do Dr. José augusto no governo do Estado a 1º de janeiro de 1924;

VIII – Instrução Pública (Grupo Escolar Augusto Severo, Escola Normal e Grupo Antônio de Souza);

IX – Instrução publica (Escola Vigário Bartolomeu, da Loja 21 de Março e inauguração da Associação dos escoteiros do Alecrim);

X – Serviços de Profilaxia;

XI – Hospital Juvino Barreto e Orfanato João Maria;

XII – Aspectos de Natal (Petrópolis, Tirol, Alecrim e Rocas);

XIII – Macaíba e a cultura da Carnaúba.

Essa película será exibida em duas sessões, passando na primeira, as seis primeiras partes e na segunda, as partes restantes.

A segunda sessão realizar-se-á na próxima segunda-feira.

O cine-jornal já foi exibido para o Sr. Governador do Estado e autoridades, causando a melhor impressão a quantos o assistiram.
Onde poderíamos encontrar esse tesouro?!

sábado, 28 de novembro de 2009

Manoel Gomes de Medeiros Dantas - Futurista!


Manoel Dantas, nascido em Caicó, sertão do Seridó Potiguar em 26 de abril de 1867, era filho de Manoel Maria do Nascimento Silva e Maria Miquelina Francisca de Medeiros. Foi uma das expressões intelectuais mais proeminentes do período da “belle époque”, no Rio Grande do Norte, fase esta que coincide com a administração do macaibense Alberto Maranhão (1900-1904).

Manoel Dantas pensou para Natal um futuro risonho e belo. Suas projeções visionárias foram publicadas no seu livro: Natal daqui a cinqüenta anos. Segundo Manoel Dantas:


“Natal deverá possuir uma estação monumental na Praça Augusto Severo, que será cortada pela Estrada de Ferro Transcontinental, com seus trens partindo de Londres, passando pelo canal da Mancha, percorrendo a Europa, o norte da Ásia, atravessando o estreito de Behering, cortando a América do Norte, galgando em cima dos Andes, descendo pelos campos de Mato Grosso e Goiás, seguindo o vale do São Francisco, pairando sobre a cachoeira de Paulo Afonso e terminando essa estrada em Natal. O ponto de atração dessa gente cosmopolita seriam os morros e as dunas alvas”.


Intelectual proeminente produziu diversos trabalhos sobre o Rio Grande do Norte: Denominação dos municípios (1922); Thomaz de Araújo (1924) e Homens de Outrora. Foi jornalista renomado, tendo atuado desde o império, com o jornal O Povo em 1889 e depois com A República de 1897 a 1924; o Diário do Natal em 1893 e O Estado em 1895.


Formado em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Recife no ano de 1890, Manoel Dantas foi promotor público de Jardim do Seridó e Acari. Nomeado em seguida Juiz substituto seccional do RN. Instaurou a Justiça Federal no RN.


Em 1897 foi nomeado Diretor Geral da Instrunção Pública, cargo no qual permaneceu até 1905. Professor de Geografia do Atheneu e procurador geral do Estado. No segundo governo de Alberto Maranhão, Manoel Dantas volta a dirigir a Instrução Pública até o seu falecimento em 15 de junho de 1925.Político militante, ainda foi eleito Intendente de Natal e deputado estadual constituinte de 1915.

Manoel Dantas possuía uma máquina fotográfica com a qual eternizou a Natal de seu tempo. São películas valiosíssimas que revelam a Natal bucólica de antigamente. Manoel Dantas certamente merece uma biografia que revele o grande pensador e ideólogo que foi. Merece, por todos títulos, ser divulgado para essa nova geração de pesquisadores de nossa história.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ascendência de Amaro Barreto

Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão era filho de Pedro Velho do Rego Barreto e Isabel Cândida de Albuquerque Maranhão. Adotou e passou aos seus descendentes o sobrenome Albuquerque Maranhão. Já a família paterna os Velho Barreto vinheram para o Brasil na pessoa de Luis do Rego Barreto, fidalgo de Viana do Castelo, no Minho, filho de Afonso de Barros Rego, instituidor do Morgado da Quinta de “Do Christi” e padroeiro da capela do Espírito Santo da Matriz de Viana do Castelo em Portugal, casado om d. Maria Nunes filha de João Velho Barreto.

Luis do Rego Barreto foi Juiz Ordinário na Câmara de Olinda e faleceu a 10 de abril de 1611, deixando viúva d. Inês de Goes, falecida em 24 de fevereiro de 1612. Inês era filha de Arnau de Holanda (filho de Enrique de Holanda, Barão de Rhenebourg, em Utrechi e de Margarida Florença, irmã do Papa Adriano VI) e de d. Brites Mendes de Vasconcelos.

Amaro Barreto era um jovem de 15 anos quando foi convidado pelo primo distante, Fabrício Gomes Pedroza a integrar a sua comitiva de tropeiros. Sua mãe Isabel Cândida sustentava com sacrificios os 8 filhos.

Em Macaíba, Guarapes, Canguaretama e, posteriormente, em Natal, Amaro Barreto foi comerciante, senhor de engenho e agriultor. Ganhou a concessão para edificar a primeira fabrica do Estado. Cedeu-a ao genro Juvino Barreto que a fundou em 1888.
Foi o empreiteiro da segunda fase da construção da estrada que liga Natal a Macaíba via Mangabeira. A rua que de Natal, partia para Macaíba via Alecrim, recebeu seu nome no início do século passado. Rua Amaro Barreto.

domingo, 22 de novembro de 2009

Cana Brava

Segundo a tradição oral, a origem do nome Cana-Brava deve-se a doença e posterior morte de alguns animais após comerem um plantio de cana-de-açúcar. No principio, tratava-se de uma comunidade pequena com casas de taipa e palha. Os moradores viviam da agricultura de subsistência.

Em 1880, o padre João Maria realizava missões por aquela região, o que levou a construção de uma capela (em 1883). No ano seguinte, o senhor Manoel Oliveira da Costa doou o terreno para construção do cemitério. Por atender as comunidades vizinhas, o cemitério ficou lotado, sendo ampliado graças à doação de Jacó Cassiano. O distrito ainda possui uma Assembléia de Deus que foi inaugurada em 1950.


No ano de 1904, com a chegada da família de Bernardo Cosme Xavier, inaugurou-se uma pequena fábrica de fogos de artifícios que foi fechada após um incêndio.


Em 1938, essa mesma família ergueu um engenho movido à tração animal. O comercio ampliou-se contando agora com a fábrica de doces de Alcides Lucena, a loja de tecidos de Alfredo Ferreira e as casas de farinha. Em 1936, foi fundada a feira livre. E em 1954, construído o mercado público, atualmente o prédio funciona como centro social.


O sistema educacional é formado por quatro escolas. As municipais: Escola Manoel Duarte Filho, fundada em 1984, e a Escola Rodolfo Helinsk, inaugurada em 1995. A Escola Estadual Maria Fernandes do Forte e a Creche Pequeno Príncipe. Uma das professoras mais antigas da comunidade é a senhora Maria da Glória Batista de Oliveira.


A comunidade conta com um posto de saúde inaugurado na década de 1970, recentemente reformado pela municipalidade, oferecendo médicos durante a semana.


Cana-Brava tem entre seus moradores pessoas que despertam o respeito e o carinho de todos pela história de vida e, sobretudo, por serem os moradores mais antigos, por serem os guardiões do passado social. Dentre eles destacamos a senhora Estelita Lima Revoredo, neta do doador do terreno da Igreja. E João Alves da Silva, aposentado da FUNASA.


Eles afirmam que Cana-Brava é a terra onde se vive muitos anos, porque contam com fatores como clima, água, paz e camaradagem entre seus habitantes.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Maria D'Lourdes Cid - poetisa macaibense


Macaíba possui muitas personalidades ilustres. Uma grande maioria são intelectuais e continuam pouco conhecidos e mesmo divulgados na cidade. Auta de Souza é a referência primeira da poesia, mas, a cidade tem nomes como Victor Hugo Aranha, Murilo Aranha, José Leiros, Estefânia Mangabeira e Maria de Lourdes Cid, objeto de meu artigo de hoje.

Maria de Lourdes Cid – Delourdes, nascida em Macaíba, em 13 de junho de 1909 e falecida em 25 de julho de 1977 na Cidade do Salvador/Ba, onde residia desde 12.07.53. Escreveu poesias ainda jovem, produzindo belíssimos trabalhos poéticos tanto em Natal onde também residiu de 1925-1935, como em Salvador (1953/1963).

Teve algumas de suas poesias publicadas em 1982 (in memorian), com o título CORAÇÃO RIMADO, em 1999 MURMÚRIOS DA MÃE NATUREZA e finalmente, POEMAS E FRAGMENTOS DE DELOURDES. Recebeu de Henrique Castriciano, em 16 de janeiro de 1927, seu livro MÃE, com a seguinte dedicatória: “à poetisa LOURDES CID, o mais humilde de seus discípulos”.

Filha de João Evangelista Vilela Cid e Maria Leonor de Medeiros Cid, neta paterna de Salvador Felipe de Oliveira Cid e Maria Magdalena Vilela Cid, e materna do coronel Aureliano Clementino de Medeiros e Maria Rosa Teixeira de Medeiros.

Casada aos 14 de novembro de 1930 com Pedro Augusto do Nascimento *1906 +1975, dessa união, o casal teve 07 filhos; Danton Luis Cid do Nascimento, Dione Nascimento Samartin, Carlos Renan Cid do Nascimento, Marlene do Nascimento Gibson, Walter Luiz Cid do Nascimento, Geny do Nascimento Oliveira e Luiz Eduardo Cid do nascimento.

Maria de Lourdes Cid é a patrona da cadeira n° 07 da Academia Feminina de Letras do Rio Grande do Norte, cuja ocupante é a Drª Deyse Maria Gonçalves Leite. O ano de 2009 assinalou o centenário de nascimento da poetisa macaibense, quando foi inaugurada a placa com o seu nome em um rua do centro da cidade. Destaco a seguir, um de seus poemas:
PARTIDA

Partirei meu amor,
Mas ficarei contigo
Na lembrança feliz do nosso quarto
Em cada canto fica uma saudade
Num soluço de dor
Quero que saibas: levarei comigoTeu coração. Parto
Mas não sei te dizer a minha ansiedade

Nas frias madrugadas
Recordarei
Aventura sublime de estar em teus braços
Viverei a sonhar com o dia desejado
Da minha volta.
Pedirei as estrelas que espalhadas
Pelo espaço,
Bordem no azul o nome amado
Do meu amor.

E quando anoitecer,
Sentirás em teus lábios, o beijo amigo
Da saudade.
Pensarás em mim. Eu pensarei em ti.
Mas não te posso dizer
Que choro. Guardarei comigo
A certeza da tua lealdade
E assim compensarei as mágoas que sofri.

domingo, 15 de novembro de 2009

Sobre o golpe militar de 15 de novembro de 1889

A narrativa dos acontecimentos do 15 de Novembro de 1889, são por si só, tão eloquentes que toda a historiografia passada republicana quase que se desvanece. Há aqueles que procuram concatenar manifestações rebeldes contra a Coroa Portuguesa no período colonial, com o surgimento de idéias dos iluministas e enciclopedistas franceses do século XVIII (inconfidentes), com a revolução de 1817, com a de 1824, com a Balaiada, com a Cabanagem, com a Sabinada, com as revoluções liberais e finalmente com a pequena tropa que cercou o Palácio do Governo, comandada por Deodoro no 15 de Novembro (que não proclamou a República) ou com o verdadeiro ato de Instauração Republicana, motivado pelos ciúmes e ódios de Deodoro (decreto nº 01 da República).


Estes fatos nada tiveram a ver uns com os outros. Não havia concatenação. Não existiu um movimento republicano lentamente elaborado no Brasil, que tivesse atingido o seu ponto de saturação no dia 15 de Novembro. Deodoro, provavelmente nunca ouvira falar de Beckman, nem mesmo corretamente da inconfidência mineira e se conhecia algo sobre as revoluções aludidas acima contra a Coroa, conhecia-as como estudante de História Militar. Que tenha havido alguns poucos republicanos autênticos, que procuraram, ao fazer a História do Brasil, ligar estes acontecimentos, com um dinamismo próprio do ideário republicano na nossa pátria, uma verdadeira evolução da idéia republicana, certamente existiram tais idealistas, mas foram, na realidade, românticos que não desceram das nuvens à terra.

Os inconfidentes, por exemplo, tinham, pouco apoio popular. Nem, conheciam fatos passados que, emergissem no Brasil como idéias republicanas. Além disto havia vários inconfidentes que eram monarquistas, desejavam a independência do Estado de Minas Gerais na forma monárquica de governo. Mas… não havia Príncipes; assim, o que fazer?


Os revoltosos de 1817 em Pernambuco assim como os 1824 eram movidos muito mais por nacionalismo do que por republicanismo – os de 1824 consideravam D. Pedro I mais português do que brasileiro.


O certo é que nunca houve no Brasil um processo histórico nacional republicano, que se originasse ainda nos tempos coloniais, passasse pelo Reino Unido e atingisse o Império.Não se pode negar que a partir de 1870, com a fundação, em Itú, do Partido Republicano, o seu ideário não tenha sido crescido, dado seus frutos. Entretanto esses frutos eram tão insignificantes que os republicanos jamais elegeram mais de dois ou três deputados em cada legislatura, mesmo possuindo o partido, diretórios em todas as províncias e na maioria dos municípios brasileiros.

Estamos defendendo o ponto de vista de que os acontecimentos do 15 de Novembro de 1889 foram mais importantes para o advento da República, do que tudo o que se tinha feito antes, simplesmente porque se algo foi feito pela República, antes do 15 de Novembro, seus autores foram os monarquistas e não os republicanos; portanto, não houve ação, e sim omissão e traição daqueles, que tinham como obrigação defender o Trono e não o fizeram, movidos por interesses econômicos feridos pela Lei Áurea – Estes Barões do Império foram muito mais culpados do que qualquer Benjamin Constant, Silva Jardim, Quintino Bocaiúva ou Aristides Lobo. Estes, chamados de republicanos históricos, perceberam que a guerra contra o Paraguai e o Abolicionismo, tinham gerado duas situações a eles favoráveis:


1. Os militares galardoados com títulos e comendas, durante o conflito platino, se sentiam importantes e consequentemente passaram a desejar participar na Política Imperial, o que contrariava a índole do Imperador e dos políticos que preferiam que cada classe “cumprisse o seu dever” e exercesse as suas funções precípuas: Os Militares para a defesa da pátria, do Imperador, da ordem pública e da Constituiçãoa; e o Monarca, os Gabinetes de Ministros e o Parlamento para governarem a Nação. Entretanto, não era isto que estava ocorrendo: os militares se imiscuíam na Política desejando dela participar ativamente, chegando a desobedecerem, publicamente, várias ordens do governo – não do Imperador, mas do Gabinete de Ministros do império – a esse respeito.


2. O abolicionsimo, cada vez mais defendido pela Família Imperial e de modo especial pela Princesa Isabel fazia nascer uma revolta silenciosa entre a Coroa e a maioria da Aristocracia Rural que só viam em seus escravos, fonte de lucros econômicos.


Em face a estas duas situações, qual seria a estratégia do punhado de “republicanos históricos”? Já tinham constatado pelos resultados das diversas eleições parlamentares realizadas anteriormente que a República jamais seria implantada do Brasil através do voto popular; então, teria que ser imposta pela força, pela força militar. A partir dessa constatação adoraram à doutrina positivista, pondo lenha na fogueira de discordâncias entre militares e governantes civis (gabinetes de Ministro), fazendo conchaves e prometendo grandes cargos e elevados salários aos mais fieis republicanos.

De igual modo, sabendo da revolta silenciosa da maioria da aristocracia rural contra o Trono, era só espicaçar o exército contra a Coroa, que esta não seria defendida pelos seus naturais defensores, a nobreza rural, já que o povo só reageria quando fosse tarde demais – em virtude das dimensões dos Brasil e da precariedade de comunicações. Por esta razão, os acontecimentos do dia 15 de Novembro de 1889 assumem uma dimensão especial no advento da República, pois a tal questão militar, como veremos, fracassara, e a questão escravocrata, se não fossem os acontecimentos do 15 de Novembro, acabaria se diluindo, pela acomodação da maioria da aristocracia rural, ao fato de não possuir mais escravos.

A questão militar só conseguirá derrubar um Gabinete de Ministros e não a Monarquia, como veremos a seguir:


Havia, sem duvida, uma indisposição entre os militares (principalmente os do exército) que desejavam participar da política e os governantes civis do Império que continuavam afirmando que os militares deveriam ocupar-se somente de suas funções constitucional: Defesa da pátria, do Imperador, da ordem pública e da própria Constituição.


Mas os republicanos continuavam com suas manobras de bastidores, espalhando boatos, fazendo intrigas, planejando derrubar o Império e implantar uma república idêntica aos Estados Unidos da América.


Assim, no dia 15, um grupo de republicanos procurou o Marechal Deodoro da Fonseca, em sua casa, onde acamado, se curava de diversas enfermidades dolorosas. Os republicanos pediram ao velho Marechal que se levantasse, se fardasse e montasse a cavalo, para comandar uma tropa, que cercasse o Palácio em que se reunia, na ocasião, o Gabinete de Ministros, presidido pelo Visconde de Ouro Preto, e o derrubasse do poder, pois, diziam eles, “este governo estava ferindo seriamente o brio dos militares”. Deodoro podia não ser republicano, mas era mais militar do que monarquista. Jamais se oporia ao Imperador, a quem devia muito, mas aos “casacas”, como ele chamava aos políticos civis, era uma outra coisa.


Os militares encontravam-se ressentidos com atitudes dos Gabinetes de Ministros, urgia então fazer alguma coisa. Aceitou comandar a pequena tropa (os soldados por ele comandados e os poucos populares, que assistiram à pantomima, pensaram tratar-se de uma parada militar), cercou o Palácio, adentrou pessoalmente, teve um agressivo bate boca com o Presidente do Conselho de Ministros, o Visconde de Ouro Preto, considerou-o demitido e preso, pela força das armas. Ao descer pela escadaria do palácio e novamente montado a cavalo e reassumindo o comando, teve entretanto, um gesto, que bem esclarece que a chamada questão militar não derrubaria o Trono. Á frente da tropa e obedecendo ao cerimonial militar de saudação ao Chefe de Estado, com o quepe erguido pela mão direita acima da cabeça deu um “viva ao Imperador”. A questão militar derrubara inconstitucionalmente o governo, mas não a Monarquia.


O Visconde de Ouro Preto, mesmo preso, teve autorização de telegrafar ao Imperador, que se encontrava em Petrópolis, pedindo uma descida ao Rio, a fim de reorganizar o Governo Imperial Parlamentar, já que o Brasil não podia ficar acéfalo. Isto também nos esclarece que, da parte da maioria dos militares, que Deodoro bem representava, não havia a menor intensão de proclamar nenhuma República. Aliás dias antes o Marechal escrevera a um sobrinho, na Bahia, dizendo: “No Brasil, república é sinônimo de desgraça completa”. Portanto, contrariando os historiadores que armam uma rede conectada de idéias e de homens, desde Beckman, ao decreto nº 1 da República de 15 de Novembro de 1889, passando poe diversas conspirações até a derrubada do gabinete de Ouro Preto, se formos estudar cada uma dessas manifestações de revolta, observaremos que:


1. Cada uma delas se explica por causas próprias, contemporâneas;


2. Não estão interligadas por uma mesma linha de pensamento que aos poucos teria evoluído;


3. Isoladamente, foram insignificantes, quase merecedoras de não serem mencionadas na História, exceção da “Guerra dos Farrapos”, que além de sua longa duração, constitui uma verdadeira guerra internacional, do Império do Brasil contra potências do Prata, que já naquela época (bem antes das intervenções brasileiras contra Oribe, Rosas, Aguirre e Solano Lopes) pretendiam incorporar o Sul do Brasil a elas (velho sonho do Império Platino) uma vez que os Bentos Ribeiros, estavam, consciente ou inconscientemente traindo o Brasil ao servir aos interesses platinos.


4. Essas conspirações só se destacam na História do Brasil pela vontade de historiadores republicanos, que foram descobrir no fundo do baú da História brasileira, estas quarteladas com as intenções de divorciar o povo brasileiro de uma de suas tradições mais orgânicas, naturais e autênticas que foi a Monarquia.


Assim, voltando aos fatos históricos do dia 15 de Novembro de 1889, únicos que realmente foram importantes para a instauração da República, dizíamos que Ouro Preto, mesmo preso, solicitou a presença do Imperador, que, de Petrópolis desceu calmamente para jogar água fria na fervura militar. O Brasil não podia ficar sem governo, isto era o mais importante. D. Pedro II, seguindo as normas parlamentaristas, reuniu-se com os políticos do partido majoritário, com a intenção de constituir um novo Governo.

O que viria a fazer com Deodoro que agira fora da lei, ficava para depois. No momento, o importante, era formar um Governo. Durante a reunião os deputados do Partido Majoritário sugeriram o nome de Gaspar da Silveira Martins. Este nome, entretanto, logo foi alijado, pois o político gaúcho viajara ao sul, para contatos com suas bases eleitorais. Por acaso, na sala de reuniões, provavelmente como oficial ajudante, encontrava-se o Major Sílon Ribeiro; este, um autêntico republicano. Conhecedor que era de rusga seríssima que havia entre Deodoro e Silveira Martins, teve ele uma idéia, que, no seu parecer, o qual estava absolutamente correto, seria a mola propulsora da Proclamação da República.


Quando Deodoro exercera o Comando Militar do rio Grande do Sul, Silveira Martins ocupara a Presidência da Província. Tornaram-se inimigos acírrimos, não só do ponto de vista político, mas principalmente no âmbito pessoal. Embora ambos fossem casados, nas horas vagas dispunham dos favores de uma mesma dama viúva. E, tudo indica… ela dava preferência ao Silveira Martins.Isto tudo rodopiou na cabeça do malévolo Major Sílon, que pedindo licença ao Imperador, retirou-se da sala e partiu a galope, com sua calúnia venenosa que definia-se em dois boatos maquiavélicos: “Que o Imperador nomeara Presidente do Conselho de Ministros ao Gaspar da Silveira Martins e que dera ordem de prisão ao Marechal Deodoro da Fonseca”.


Em sua casa, o velho Marechal recusara-se a assinar, peremptoriamente, ao decreto de Proclamação da República que uma dezena de republicanos já tinha redigido. Estes, não se conformando da “questão militar” não ter resultado na queda da Monarquia, não largavam a sombra do Deodoro, não saiam de sua casa, como que esperando um milagre, que mudasse a situação.


O que veio a acontecer, não foi o milagre esperado, mas sim, um artifício ardiloso, as mentiras do Major Sílon Ribeiro. Quando ele chegou à casa de Deodoro e transmitiu ao velho homem alquebrando pelas doenças, a notícia caluniadora e falsa, o militar derrotado pela vida, enfureceu-se e julgando que o Imperador fazia aquilo diretamente para feri-lo, destemperou em um grito aos líderes republicanos: “Dêem-me este papel” e assinou-o. Estava proclamada a República no Brasil. Quando a notícia verdadeira chegou, ele só pode dizer: “Tarde demais”. Para ele foi “tarde demais”. Para os brasileiros foi o entardecer da pátria.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Luiz Cúrcio Marinho

Luiz Cúrcio Marinho nasceu em 12 de março de 1901, na rua Dr. Francisco da Cruz, centro da cidade de Macaíba, sendo seus progenitores o comerciante Baltazar Gomes Marinho e Luiza Cúrcio Marinho.

Além das atividades de comerciante de tecidos, Luiz Cúrcio foi eleito prefeito de Macaíba para o período de 11 de abril de 1948 a 30 de março de 1953, sendo considerado um administrador competente e modernizador da cidade, tendo em vista os inúmeros equipamentos urbanos que legou à Macaíba.


Nesta época construiu o parque governador José Varela, que era composto de um conjunto de prédios destinados a câmara municipal, biblioteca, sede da banda de música, amplificadora e a escola “Major Andrade”, além do clube Pax, que tornou-se o sodalício elegante da cidade.


No lado oposto do rio Jundiaí, construiu a praça Dr. Antônio de Melo que possuía quadras de vôlei e basquete, parque infantil, piscinas e belos jardins. Todo esse melhoramento foi inaugurado em julho de 1950.


Ainda no exercício de prefeito, Luiz Cúrcio fundou junto com outros comerciantes, o Sindicato do Comércio Varejista de Macaíba, fato esse ocorrido em 04 de janeiro de 1949. A primeira diretoria ficou composta de: presidente Luiz Cúrcio, secretário Aguinaldo Ferreira, tesoureiro Antônio Lucas de Lima.


Luiz Cúrcio marinho foi casado com D. Letícia de Mesquita Fagundes, filha de Maria Adélia de Mesquita e João Joaquim Cabral Fagundes. Não possuindo filhos, criaram uma jovem de nome Rosa de Lourdes. O casal residiu durante algum tempo, na rua João Pessoa, vendendo o imóvel ao casal Cícero Luiz/ Lurdinha Pessoa, quando da mudança para a capital.

Espírita Kardecista, Luiz Cúrcio Marinho faleceu em Natal aos 03 de agosto de 1971, estando sepultado no campo santo do Alecrim.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Os filhos do Cel. Cipriano Bezerra Galvão

Cipriano Bezerra Galvão casado com Isabel Cândida de Jesus, são os troncos de inúmeras famílias do Seridó Potiguar. Destacando-se entre os seus descendentes as famílias Bezerra de Araújo Galvão, Salustino e Medeiros.

F.01 Cel. Silvino Bezerra de Araújo Galvão *Acarí/RN 21/06/1836 +Acarí/RN 10/03/1921. Casado aos 07-08-1856 na fazenda Ingá com D. Maria Febronia de Araújo Galvão *25-06-1838 +25-11-1908, filha de Cipriano Lopes Galvão e Ana Marcolina de Jesus. Casou-se em segundas núpcias com Vigolvina, natural de Martins/RN da qual separou-se.;

F.02 Manoel Bezerra de Araújo Galvão *01-01-1838 +15-04-1922 casado aos 01-06-1858, na fazenda Sobradinho com Ana Maria de Jesus *31-07-1838, filha de Antônio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros;

F.03 Francisca Bezerra de Jesus *03-11-1839 +1861 casada na fazenda Ingá aos 26-11-1855 com Bernardino Pires de Albuquerque Galvão +09-06-1901, filho de Antônio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros (Recife);

F.04 Josefa Bezerra de Jesus *04-02-1841 +03-01-1916 casada aos 26-11-1855, na fazenda Ingá com Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão +12-10-1918, filho de Antônio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros (Recife);

F.05 Cel. José Bezerra de Araújo Galvão *Acarí/RN 18/12/1844 +Currais Novos/RN 05/02/1926. Casado em 09/01/1872, na fazenda Bulhão, com Antônia Bertina de Araújo +Currais Novos/RN 03/12/1893, filha do coronel João Damasceno Pereira e Tereza Alexandrina de Jesus. Filhos;

F.06 Isabel Cândida da Conceição *28-09-1845 +21-05-1922 casada em 14-01-1862 na fazenda Ingá com Bernardino Pires de Albuquerque Galvão +09-01-1901, filho de Antônio Pires de Albuquerque Galvão e Guilhermina Francisca de Medeiros (Recife);

F.07 Maria Rosalina de Araújo *1846 +? Casada em 1872, com Dr. Manoel José Fernandes *11-12-1834 +28-03-1907, filho de Cosme Damião Fernandes e Isabel Maria de Araújo. Era viúvo de Cristiana Cristina Católica;

F.08 João Bezerra de Araújo *04-03-1848 +criançaF.09 João Bezerra de Araújo Galvão *12-07-1849 +? Casado na fazenda acauã aos 09-11-1869 com Maria Senhorinha de Jesus *01-08-1851 +?, filha de Joaquim de Araújo Pereira e Apolônia Francelina de Jesus. Casou-se em segundas núpcias com Porfiaria Ângela de Araújo *16-09-1862 +?, filha de Joaquim de Araújo Pereira e Apolônia Francelina de Jesus;

F.10 Tereza Maria Bezerra de Araújo (Tetê) *07-08-1850 +23-06-1941 c.c Cel. Ezequiel de Araújo Fernandes *10-04-1843 +24-04-1904, filho de Cosme Damião Fernandes e Isabel Maria de Araújo. Era viúvo de Josefina Ernestina de Araújo;

F.11 Porfiria Augusta Bezerra *1854 +1883 c.c Zabulon Jovem Herói da Trindade, filho de Luiz José de Almeida Filho e Sinhá Trindade;

F.12 Cipriano Bezerra Galvão Santa Rosa *27-10-1857 +14-02-1947 c.c Isabel Teodomira Bezerra de Araújo (Sinhá) *13-11-1859 +15-04-1899 (s.s.), filha de Silvino Bezerra de Araújo Galvão e Maria Febrônia de Araújo Galvão. Casou-se em segundas núpcias aos 16-02-1901, na fazenda Pedreira com Mariana Iluminata da Nóbrega *01-12-1877 +31-12-1917, filha de Janúncio Salustiano da Nóbrega e Iluminata Teodora da Nóbrega;

F.13 Antônia Maria Bezerra de Araújo *01-07-1870 +23-08-1880 casou em 1870 com Laurentino Bezerra de Araújo Galvão *25-02-1855 +12-11-1901, filho de Laurentino Bezerra de Medeiros Galvão e Tereza Urçulina de Jesus (s.s.).

domingo, 8 de novembro de 2009

As Marias

Não existindo documentação oficial sobre a origem do nome desta comunidade recorremos à memória dos mais antigos do lugar, muitas vezes fontes únicas de informação. Os relatos indicam que ainda durante o período imperial de nossa história, três escravas fugidas de propriedades vizinhas se instalaram em uma pequena choupana permanecendo o tempo suficiente para serem a referência sobre o nome do lugar – As Marias.

Posteriormente diversas famílias vindas de estados vizinhos se instalaram em As Marias, tais como o Sr. Rosseno Miguel, José Barbosa, Luiz Marianno, Sebastião Rosa, Ana Ferreira e Juvino Miguel. Estes passaram a cultivar a terra e a criação. Atualmente, a principal fonte de renda continua a ser a agricultura aliada ao pequeno comércio, ao funcionalismo público e ao artesanato local.

A padroeira local é Nossa Senhora Aparecida, cuja capela foi iniciada em 1989 em terreno doado por Miguel Ferreira. Sua construção foi concluída em 1995 com os recursos da comunidade, que se orgulha de seu templo. Já o cemitério da comunidade foi fundado em janeiro de 2003 pelo Sr. Francisco Barbosa de Oliveira.

O sistema de educação formal foi iniciado na comunidade pelo Dr. Alfredo Pessoa de Lira (*1891 +1944) que mantinha uma sala de aula em sua residência. Posteriormente, uma escola foi construída pela municipalidade e tem como patrono o Dr. Alfredo Lira. Hoje, a escola possui 620 alunos e 68 funcionários, os quais trabalham em um regime de Ensino Fundamental I e II, e Ensino Médio e EJA.

Com uma população estimada em 1.400 habitantes, a saúde em As Marias é assistida pelo posto municipal inaugurado pela atual gestão oferecendo médicos, dentistas e enfermeiros.

Como todas as comunidades rurais da Macaíba, As Marias comemoram várias datas festivas como Festa da Padroeira, São João, Natal e a tradicional Festa do Caju, que movimentam sua gente.

sábado, 7 de novembro de 2009

Casarão do Guarapes vai ser restaurado


Diário de Natal


Cidades


Edição de sábado, 7 de novembro de 2009

Construção do século 19 localizada em Macaíba será revitalizada com verbas de R$ 450 mil do governo do estado


"A governadora Wilma de Faria autorizou a liberação de R$ 450 mil para restauração completa do Casarão do Guarapes - prédio histórico tombado pelo Estado em 1990, situado em Macaíba. O imponente casarão datado de1859 simboliza um período importante da história econômica do Rio Grande do Norte. A autorização foi dada em reunião ocorrida na tarde da quinta-feira na Governadoria. Participaram ainda a prefeita de Macaíba, Marília Dias, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Valério Mesquita e o diretor-geral da Fundação José Augusto, Crispiniano Neto.


A edificação foi erguida pelo comerciante Fabrício Pedroza. O projeto elaborado pela Fundação José Augusto está pronto. O pedido de dotação orçamentária foi encaminhado como prioridade pela governadora ao Conselho de Desenvolvimento do Estado. Após a aprovação, será aberto o processo licitatório para escolha de empresa especializada em restauração de prédios tombados. Com o anúncio, a governadora cumpre a promessa anunciada durante as comemorações do aniversário de emancipação de Macaíba, no último 26 de outubro. Ainda durante a reunião, a governadora prometeu para o município ainda para este ano a construção da Barragem de Tabatinga, a Central do Cidadão e a iluminação da BR 304, no trecho entre Macaíba e Parnamirim.


Para o conselheiro do TCE, o macaibense Valério Mesquita, a restauração do Casarão dos Guarapes é um sonho antigo que ele nutre desde o período em que dirigiu a Fundação José Augusto. "Infelizmente à época, ainda no governo Tarcísio Maia (fins da década de 70) não consegui a verba. Fico até emocionado porque sei o quanto lutei por isso. Com esse gesto a senhora assina um marco na história de Macaíba e no Rio Grande do Norte", disse. O cenário atual do Guarapes - prédio construído a mando do lendário Fabrício Gomes Pedroza - está tomado pelo mato e com estrutura comprometida há várias décadas."


Noticia alviçareira para todo o Estado do Rio Grande do Norte, que terá restaurado um patrimônio que é seu e, em especial o povo de Macaíba, que reivindicava essa restauração a tempos, através de Valério Mesquita.

Contudo, é preciso que desde já decida-se o destino do prédio pós restauro, bem como seja feito durante o processo restaurador, uma prospecção no casarão e no seu enterno, com vistas a resgatar faianças e determinados objetos que até podem compor um futuro museu.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Administradores, Intendentes e Prefeitos de Macaíba

Administradores durante o periodo Imperial

Cap. Vicente de Andrade Lima, 1879-1880-81;

Cel. Feliciano Pereira de Lyra Tavares, 1882-83-84;

Cel. Inácio Silva, 1885-86-87;

Cap. João Lourenço de Oliveira Mendes, 1888-89;

Intendentes da República Velha

Professor Caetano José da Silva Costa, 06-12-1889 a 10-02-1890;

Dr. Francisco de Paula Sales, 10/02/1890 a 21/10/1890;

Major Manoel Joaquim Freire, 21/10/1890 a 1891;

Luís de Albuquerque Maranhão, 1891;

Major Manoel Joaquim Freire, 1891;

Cap. Antônio da Costa Alecrim, 1891-1895;

Cel. Manoel Maurício Freire, 1895-98;

Cel. Aureliano Clementino de Medeiros, 1898-1901;

Cel. Aureliano Clementino de Medeiros, 1902-1904;

Cel. Aureliano Clementino de Medeiros, 1905-1907;

Cel. Manoel Maurício Freire, 1908-1910;

Cel. Manoel Maurício Freire, 1911-13;

Cel. Prudente Gabriel da Costa Alecrim (1º Intendente macaibense), 1914-1916;

Cel. João Soares da Fonseca Lima, 1917-1919;

Sr. Alberto Ferreira da Silva, (na qualidade de Vice-Presidente, assumiu de 1918-1919;

Cel. Manoel Maurício Freire, 1920-1922;

Cel. Manoel Maurício Freire, 1923-1925;

Bel. Cícero Aranha, 1926-1928;

Major Almir Freire de Oliveira, 1928-1930;

Prefeitos Revolucionários e Inconstitucionais de 1930-1948

Major/GN Antônio de Andrade Lima, 1930-1931, nomeado pela Revolução;

Tent/PM Severino Raul Gadelha, 1931-1932, nomeado pela Revolução;

Teodorico Júlio Freire, 1933, nomeado pela Revolução;

Estevam Alves Dantas de Araújo, 1933, nomeado pela Revolução;

Teodorico Júlio Freire, 1934, nomeado pela Revolução;

Alfredo Mesquita Filho, 1934-35, nomeado pela Revolução;

Alfredo Mesquita Filho, 1936-37, nomeado pela Revolução;

Alfredo Mesquita Filho, 1937-1941 (eleito pelo voto popular);

Major/PM Genésio Lopes da Silva, 1941-44, nomeado pelo Interventor Estadual;

João Meira, 1945-1947, nomeado pelo Interventor Estadual;

Antônio Lucas de Lima, 01/01/1948 a 11/04/1948, nomeado pelo Interventor Estadual;

Prefeitos Constitucionais de 1948 a 1988

Luiz Cúrcio Marinho, 11/04/1948 a 30/03/1953;

José Jorge Maciel, 01/04/1953 a 28/02/1958;

Aldo da Fonseca Tinôco, 28/02/1958 a 31/03/1958;

Alfredo Mesquita Filho, 31/03/1958 a 31/03/1963;

Mônica Nóbrega Dantas, 31/03/1963 a 15/09/1966;

Manoel Firmino de Medeiros, 15/09/1966 a 31/01/1969;

Geraldo Pinheiro, 31/01/1969 a 26/02/1973 (Renunciou);

Valério Alfredo Mesquita, 31/03/1973 a 20/02/1975 (Renunciou);

Célio de Figueiredo Maia, 20/03/1975 a 31/01/1977;

Silvan Pessoa e Silva, 31/01/1977 a 31/01/1983;

Odiléia Mércia da Costa Mesquita, 31/01/1983 a 31/01/1988;

Prefeitos Constitucionais de 1988-2012

Mônica Nóbrega Dantas, 31/01/1988 a 31/01/1992;

Odiléia Mércia da Costa, 31/01/1992 a 01/01/1997;

Luiz Gonzaga Soares, 01/01/1997 a 01/01/2001;

Fernando Cunha Lima Bezerra, 01/01/2001 a 01/01/2005;

Fernando Cunha Lima Bezerra, 01/01/2005 a 01/01/2009;

Marília Pereira Dias, 01/01/2009 a 01/01/2012;

Fernando Cunha Lima Bezerra, 01/01/2013 a 01/01/2017.





quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Famílias de Caraúbas - RN

Analisando os troncos genealógicos da cidade de Caraúbas, deparamo-nos com os registros dos Cartórios e as publicações históricas que mostram o intercâmbio dos vários núcleos sociais. Ao Ten. Francisco de Souza Falcão (inventário de 1812, Apodi) sucedem João de Souza Falcão, Lourenço Gomes, Francisco de Souza, Manoel Gomes, Sebastião Francisco, Ana casada com Leandro Bezerra Cavalcanti, Catarina casada com Antônio Bezerra, Inês, Adriana casada com Bento Dias.

Em 1788, do Capitão-mór João Ferreira da Silva são designados, além de Brites Maria de Melo, como sucessores Luzia Florentina da Silva casada com Manoel Varela Barca, Brity Paz de Melo casada com o alferes Francisco Alves Maia, Joana Benta, Manoel, Antônio, Ana Joaquina e Francisco, todos menores.

No sítio Lagoa Nova, da Serra do Martins, então município de Port’Alegre, o primeiro da Zona Oeste, instalado em 1761, quando já estava demarcada aquela povoação (Martins) fixou residência no cimo da dita Serra, oriundo do Pernambuco, o Capitão Manoel Carneiro de Freitas casado com Delfina Filgueira de Jesus. Houve deste casal, a seguinte descendência, hoje numerosa em todo o Estado.

F1 Ana Filgueira de Jesus c.c Manoel da Anunciação de Lira;

N1 Padre Francisco de Brito Guerra, Senador Imperial;

N2 Simão Gomes de Brito, casado com Maria Madalena de Medeiros;

N3 José Carlos de Brito, casado com Ana Joaquina de Medeiros;

N4 Tereza Escolástica de Jesus, solteira;

N5 Luiza Maria da Encarnação, casada com André José Fernandes;

N6 Joana Manoela da Anunciação, casada com Alexandre de Araújo Pereira;

N7 João de Freitas Lira, casado com Isabel Maria de Barros;

N8 Anna, falecida infante;

N9 Maria Tereza das Mercês, casada com Joaquim de Santana Pereira;

N10 Francisca Xavier de Lira, casada com Félix José Dantas.

F2 Francisca Romana do Sacramento c.c Antônio Fernandes Pimenta

N11 Capitão Francisco Fernandes Carneiro;

N12 Coronel Vicente Praxedes;

N13 Coronel Luiz Manoel Fernandes;

N14 Mafalda Gomes de Freitas c.c. Antônio Francisco de Oliveira.

F3 Maria Filgueira de Jesus c.c José Soares de Freitas.

F4 Delfina Filgueira de Jesus.

F5 Felicia Filgueira de Jesus.

F6 Antônia Filgueira de Jesus.

F7 Florência Nunes da Fonseca c.c João Fernandes Pimenta, de Catolé do Rocha-PB.

F8 José Soares Filgueira c.c. Maria de Jesus.

F9 Inácia Carneiro de Freitas +1858, casada em 1800 com Capitão Clemente Gomes de Amorim;

N15 Padre Carlos Vital;

N16 Reinaldo Gaudêncio c.c. Antônia Micaela de Holanda;

N17 Alexandrina Lourenço da Silveira c.c. Luiz Manoel Fernandes;

N18 Padre Vito de Freitas;

N19 Joaquim Gomes de Oliveira c.c. Maria José de Jesus;

N20 Maria Mafalda de Amorim c.c. Alexandre José Fernandes, e, Galdino Sinésio Benevides Montezuma;

N21 Clemente Gomes de Amorim c.c. Maria Gomes de Amorim;

N22 Francisca Alexandrina de Amorim c.c. Capitão Francisco Fernandes Carneiro.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Sobre Finados

Não creio que em dia de concorrência compulsória o cemitério possa atrair o sentimento dos crentes; o ar festivo ali ao vivo, em Dia de Finados, não permite à solidão aprofundar-se. Nenhuma data é tão imprópria ao desfolho das saudades que florescem nos canteiros ocultos dentro do coração humano.

Mesmo à beira de um túmulo querido, quando a contrição parece ungir-se no fervor de úmidas confidênias transmitidas ao frio de uma lápide, torna-se difícil a plenitude do silêncio. O vaivém da algazarra intensifica-se ao longo das aléias a ponto de desfigurar a presença do campo-santo. O ar de festa envolve os ciprestes, que só deveriam inspirar a meditação.

Não creio que alguém possa ir ao cemitério, em Dia de Finados, para avivar as imagens dos mortos inesquecíveis. Ali nos deveria valer a paz ascética, então perdida. Ela nos dá a impressão de possuir um dom capaz de purificar nossos penares e de garantir nosso retorno ao bulício mundano com as ilusões desvitalizadas. Com as ilusões desvitalizadas é que nos comunicamos com os mortos.

A memória do ente querido acompanha-nos sem enregelar-se ou sem pesar como uma mármore de sepultura; aquece-nos a alma nos momentos de desesperança. Não há quem possa cultuar a memória de um ente amado com as flores do Dia de Finados, cujo preço em dobro comprova a profanação mercantil do culto.

Haverá de inexistir lógica no sentimento de quem se entrega no cemitério a mandamento de calendário, submisso à herética celeuma de turbas ociosas. São Lucas alertou-me com uma pergunta de evangelho mantida no versículo 5, do capítulo 24; "por que buscais entre os mortos quem está vivo?". Melhor é não ir ao cemitério em dia de comunhão festiva e ignorar o preço das flores que a procura convencional faz crescer em Dia de Finados.