quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Os Raposo da Câmara do RN


A família Raposo da Câmara foi fundada no Rio Grande do Norte pelo português Manuel Raposo da Câmara, na Ilha de São Miguel, nos Açores, onde possuía vinhedos e olivais.

Quando chegou a Natal o fidalgo Manuel Raposo da Câmara? Deveria o ter feito em princípios do século XVIII. Em julho de 1718 o fidalgo ilhéu já pertencia ao grave Senado da Câmara de Natal. Aí se condensava a nata dos sangues azuis da Capitania.

Sei que adquiriu terras foreiras. Em 1719 encontro um registro de carta de doação de chãos concedidos ao tenente Manuel Raposo "na Ribeira desta Cidade", pagando o Foro anual de160 réis. Em outubro de 1724 o sargento-mor Joam de Souza Nunes requer "huns xãos", dizendo-se "senhor e possuidor de humas moradas de casas terreas citas nesta Cidade Junto a Igreja do Rosário dos Pretos, compradas ao capitão Manuel Raposo". Em 1742 vejo diversos requerimentos.

Teria vindo sozinho o morgado açoriano? Há uma tradição de família que afirma ter vindo uma trindade. Possivelmente um dos manos é esse tenente Miguel Raposo a quem o Senado da Câmara concede, pelo foro anual de 160 réis, uma data de chãos e casas "na Ribeira desta Cidade", no ano de 1738.
Esse Miguel morreu viúvo a 10 de fevereiro de 1760, com sessenta e seis anos de idade. O outro irmão pode ter sido um Antônio Raposo, com a patente de capitão. Deste Antônio Raposo só sei informar que lhe morreu a mulher, dona Tereza, a 24 de julho de 1790, com cinqüenta anos. Quando o capitão Antônio Raposo entendeu de morrer é que não descobri.

MANUEL RAPOSO DA CÂMARA, SEU CASAMENTO E DESCENDÊNCIA.

Manuel Raposo da Câmara tomou gosto pela terra amável que o recebeu. Pos-suindo terras, criando gado, metido nas pequeninas andanças políticas do Senado da Câmara, integrou-se em Natal com alma e corpo.

Manuel Raposo da Câmara casou em Natal com dona Antônia da Silva. Era, naturalmente, de família limpa de sangue e boa de nome. Doutra maneira não se casaria um morgado legítimo. Demais, em todos os papéis que manuseei a senhora Manuel Raposo da Câmara é tratada sempre por dona e escrito em extenso. Dona Antônia da Silva me parece uma mulher enérgica, forte, decidida, exemplar da fidelidade ao marido e da ignorância às letras.

Manuel Raposo da Câmara morreu antes de 1783. Foi sepultado debaixo do púlpito da Igreja Matriz. Dona Antônia da Silva veio a falecer a 25 de julho de 1785. Seu assento de óbito assim reza:

"Faleceu da vida presente D. Antônia da Silva, mulher viúva, de Idade de cem anos, pouco mais ou menos".

Os filhos do casal foram: Victorino da Silva, Antônio da Câmara, Manuel Raposo, Quitéria, Marcelina, Rosa, Josefa e Maria.

Manuel Raposo morreu antes da mãe.

Dona Antônia da Silva fez testamento aprovado a 23 de outubro de 1783. Um seu sobrinho, alferes Antônio José Barbosa, escreveu "por a testadora não saber ler nem escrever". O testamento foi aberto no dia de sua morte. Uma testemunha da cerimônia é um Sr. Manuel Esteves da Câmara. Há uma declaração de que a morta "sepultou-se perto de seu marido".

"Declaro que fui casada com Manuel Raposo da Câmara, já falecido, de cujo matrimônio tenho ainda vivos os filhos seguintes - Vitorino da Silva, Antonio da Câmara, Quitéria, Marcelina, Rosa, Josefa e Maria.

"Declaro que meu marido tinha na ilha de São Miguel uma vinha que herdou por herança de sua avó, que por sua morte me coube.

"Declaro que na mesma ilha tem um Morgado que por morte de meu marido ficou para o meu filho Vitorino com a obrigação de dar anual para alimentos a mim dois môios de trigo, e a cada irmão, meus filhos, um môio, o que nunca deu, e que os ditos meus filhos procurarão e cobrarão por minha morte.

"Peço e rogo a meu filho Antonio da Câmara e a meu neto Gonçalo Soares Raposo da Câmara que por serviço de Deus e por me fazerem mercê queiram ser meus testamenteiros”.

VITORINO DA SILVA CÂMARA

O morgado Vitorino da Silva Câmara casou com d. Joana Maria de Jesus Monte. Ambos eram do Rio Grande do Norte, informa o Barão de Studart.

Da vida social do primogênito dos Raposos da Câmara não há indícios de muita ação. Pude apurar os seguintes filhos:

GONÇALO - casou três vezes e uma vasta prole cercou-o de glória patriarcal.

PEDRO - batizado a 7 de fevereiro de 1751.

LOURENÇA MARIA DE JESUS que se casou com José da Fonseca Soares Silva, tendo três filhos: Joaquim, José e Miguel. Todos usaram o nome paterno. Joaquim da Fonseca Soares Silva casou a 23 de maio de 1831 com D. Tereza Leopoldina Barbosa, nascida a 29 de março de 1812 e falecida a 11 de maio de 1890. Essa d. Tereza Leopoldina era filha do capitão-mor Joaquim José Barbosa e de d. Isabel Pereira de Oli¬veira, tronco de larga progênie cearense.

Vitorino da Silva Câmara, pela disposição do apelido, é pai de um João Paulo da Silva que se casou com d. Antônia Maria da Conceição cujo filho Ricarti Soares Raposo da Câmara, casa a 26 de setembro de 1848 com d. Maria José do Nascimento, filha de João Pedro da Silva e de d. Francisca Maria da Conceição. Bem poderão ser esses senhores, João Paulo e João Pedro, manos de pai e mãe e filhos de Vitorino.

ANTÔNIO DA CÂMARA E SILVA

Antônio da Câmara e Silva, o filho segundo de Manuel Raposo da Câmara e de d. Antônia da Silva, nasceu em 1721 porque ao morrer no dia 9 de março de 1808 tem oitenta e sete anos feitos. Casou com d. Ana Maria Torres, natural do Aracati e filha do capitão Manuel Frazam Caldeira Torres e de d. Francisca Gomes de Sá, da fregue¬sia de Russas, no Ceará. O capitão Manuel Frazam Caldeira Torres, enviuvando casou com d. Rita Antônia Pereira e morreu em Natal aos oitenta e seis anos de idade, a 28 de outubro de 1835.

Antônio da Câmara houve os filhos:

Francisco Xavier da Câmara e Silva, batizado aos 21 de abril de 1769.

José Joaquim da Câmara e Silva, nascido a 10 de agosto de 1769.

Joaquim José da Câmara e Silva.

José Francisco, nascido a 25 de novembro de 1770.

Francisco Xavier da Câmara e Silva fez vida militar. E, 1796 era sargento. Casara com d. Ana Clara, filha de José Fernandes e de d. Ana Antônia da Conceição. Deste Consórcio houve:

Joaquim, batizado a 24 de fevereiro de 1792.

Morrendo d. Ana Clara, Francisco Xavier convolou segundas núpcias com d. Maria Josefa, filha de Francisco Delgado, da vila do Recife de Pernambuco e de d. Ana Soares, de Natal. Francisco Delgado era filho de Francisco Delgado Barbosa, de Goiana e de Micaela Teixeira da Rocha, de Muribeca, nas terras pernambucanas. D. Ana Maria Soares era filha de Luís Soares Corrêa, natural da cidade do Porto, em Portugal e de d. Lourença de Araújo, de Natal. Do segundo casamento de Francisco Xavier houve uma filha:

Ana - Batizada a 25 de outubro de 1807.

José Joaquim da Câmara e Silva casou com d. Quitéria Tereza de Jesus, filha do sargento Francisco Xavier Barbosa e de d. Rita Maria de Jesus. José Joaquim seguiu carreira militar por algum tempo. Em 1795 era cabo-de-esquadra, lugar altíssimo naquele delicioso fim de século XVIII. O casal teve vários filhos:

Joaquim, 8 de outubro de 1792.

João, 23 de outubro de 1794.

Manuel, 17 de outubro de 1795.

Manuel, 22 de agosto de 1799.

Damiana, 26 de dezembro de 1802.

Joaquim José da Câmara e Silva casou com d. Maria Antônia de Oliveira, filha de Francisco Xavier de Oliveira e de d. Ana Maria da Conceição. Tenho notícia de três filhos:

Francisco Xavier, nascido em 1800 em São Gonçalo, avô do Cardeal D. Jaime. Joaquim José, nascido a 9 de agosto de 1803; batizado a 10 de outubro seguinte; casou a 4 de maio de 1826 com d. Maria Inácia, filha do Capitão José Rebouças de Oliveira e de d. Antônia Joaquina.

Úrsula faleceu a 10 de novembro de 1807, com um mês.

De José, filho de Antônio da Câmara e Silva, nada pude obter.

A 2 de abril de 1847 casa-se em Natal João Paulino da Câmara, com d. Ana Rita Gadelha, filha de Antônio de Albuquerque Gadelha e de d. Isabel Maria das Virgens. O noivo era filho de Antônio Francisco da Câmara e de d. Francisca Antônia das Chagas. Inclino-me a julgar Antônio Francisco da Câmara como filho de Antônio da Câmara e Silva.

Faleceu em Jardim de Angicos Joaquim José da Câmara, a 22-5-1895, com 97 anos, 11 filhos, 143 netos, 180 bisnetos, 5 tetranetos, pai de José Rebouças de Oliveira Câmara.

13 comentários:

  1. sou da familia oliveira minha mãe esta querendo saber sobre a familia do meu avô que morava no rn ?? se poder me ajudar eu adoraria
    fique com deus e um grande abraço !!!
    ass: marcos paulo nunes de oliveira

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  2. Tavares,

    Gostaria de saber qual ligação o Coronel Bonifácio Francisco pinheiro da Câmara tem com a familia Raposo da Câmara?
    Ouvi falar que ele é descendente desta árvore, mais
    só tenho informações até a pessoas dele, os pais não sei quem são! Ele é meu tetra avô.

    Giordano bruno Pinheiro da Câmara
    br.camara@hotmail.com

    Att,

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  3. Olá... sou da familia "da Silva" meu avô se chamava Amaro Paulo da Silva, ele mudou-se para o Pernanbuco em 1912, e morava em Caruaru. Será que haveria algum parentesco com João Paulo da Silva !?!

    Ricardo Paulo da Silva
    ricardo_jjsilva@hotmail.com

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  4. Sou Raposo da Câmara também, mas além disso o avô de minha mãe é Varela Santiago. Hehe.

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  5. Bom dia,se possivel gosttaria de saber a origem de minha familia de macaiba,meus avos cosme de oliveia e francisco de paula,nascidos e falecidos em macaiba

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  6. Ola sou da família câmara meus avós eram Raimundo Raposo Câmara e Raimunda Alves câmara gostaria de confirmar parentesco.

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  7. Sou descendente de Manuel Raposo da Câmara (11 gerações). Gostaria de obter mais informações sobre ele. Como eu poderia conseguir?
    Obrigada!

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  8. Há alguma evidência se ele era ou não cristão-novo ou seus ascendentes?

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  9. Sou descendente de manoel leopoldo raposo da câmara, o qual, o pai, era dono do engenho leopoldinense em Ceará-mirim.

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  10. Olá meu caro,

    na árvore genealógica pesquisada por minha mãe (professora formada em história pela Universidade Estadual do Ceará) existe um Francisco Xavier da Câmara (meu tetravô). Acredito que seja o ponto chave para descobrir por onde nosso sobrenome passou. Tenho quase certeza que vieram do RN.

    Saberias informar algo deste "Francisco Xavier, nascido em 1800 em São Gonçalo."?

    Grato. Att.

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  11. Meu avô Jayme Adour da Câmara nasceu no Engenho São Leopoldo, em Ceará-Mirim em 1898. Estou procurando informações sobre seus irmãos e sua vida antes de vir para o Rio. Poderia me ajudar? Tomaz Adour da Camara (tomadour@hotmail.com)

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  12. Escreveu o Major Salvador Drummond, no seu “Notas Histórias e Curiosas” : “Do casamento constante do assento que se segue proveio o tronco da família dos Raposo da Câmara da Freguesia do Rio Grande do Norte o qual está a folha 34 e é o seguinte: Em 6 de Outubro de 1709, nesta Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação, em minha presença se receberam com palavras de presente Manoel Raposo da Câmara, natural da Cidade de Ponta Delgada da Ilha de São Miguel, da Freguesia do Mártir São Sebastião, filho do Capitão Francisco Pereira do Amaral e de sua mulher D. Josefa da Câmara, com D. Antônia da Silva, filha do alferes Antônio da Silva Carvalho e de sua mulher Suzana de Oliveira, fregueses desta Freguesia; testemunhas o capitão Manoel Gonçalves Branco, o alferes Alberto Pimentel e sua mulher Francisca de Oliveira, e D. Joana de Barros Coutinho. De que fiz este assento em que me assinei. O Vigário Simão Rodrigues de Sá.

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  13. Sou neta de Gil Brás Augusto de Oliveira e de Júlia Melania Câmara naturais de Caraúbas RN e sempre fui curiosa para saber de onde veio o nome Câmara o qual estimo muito,alguém entre em contato comigo por favor. Pelo meu email aretusacamara45@gmail.com, facebook ou instagran Aretusa Câmara. Ficarei anciosa.

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