sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A lápide de Jerônimo de Albuquerque Maranhão

Forte dos Reis Magos na visão de Frans Post ao tempo de Jerônimo de Albuquerque.
Aspecto do Engenho Cunhaú em desenho de Frans Post.

Lápide do Fundador Jerônimo de Albuquerque Maranhão. (Foto Anderson Tavares, 2008)


Jerônimo de Albuquerque, que posteriormente acrescentou o agnome Maranhão, nasceu em 1548 na Vila de Olinda, era o terceiro e último filho varão do casal Jerônimo de Albuquerque e Maria do Espírito Santo Arcoverde. Esta, filha do chefe tabajara Arco-Verde. Segundo o genealogista Borges da Fonseca, “viveu Jerônimo d’Albuquerque na pátria com a honra própria do seu nascimento”.



Jerônimo teve destacada atuação nos fatos relacionados com a reconquista da Capitânia do Rio Grande aos franceses, como capitão de uma companhia trazida em dezembro de 1597 ao Potengi, pelo capitão-mor de Pernambuco Manuel Mascarenhas Homem.



Filho de índia, Jerônimo de Albuquerque sabia se entender com sua gente. Logo que toma posse do Forte dos Reis Magos, entra em contato com um dos principais chefes indígenas locais – Poti – com o objetivo de captar as simpatias dos demais. Obtida a pacificação dos índios, Jerônimo se sentiu seguro para demarcar em terreno firme e elevado, o sitio da nova cidade, na margem direita do rio Potengi.



Aos 9 de janeiro de 1603, Jerônimo foi nomeado Capitão-mor do Rio Grande, em substituição a João Rodrigues Colaço, que o antecedera no cargo. Concedeu-lhe a mercê D. Filipe II de Castela, que então acumulava a coroa de Portugal.


Jerônimo de Albuquerque assumiu o governo do Rio Grande no dia 7 de julho de 1603 e já no ano seguinte, a 2 de maio, concedeu uma sesmaria de 5.000 braças em quadra, aos seus filhos Matias e Antônio de Albuquerque, em cujas terras logo foi instalado um engenho de cana, o famoso engenho Cunhaú, que se tornaria o mais importante núcleo econômico da Capitania.


Jerônimo foi nomeado, em 17 de junho de 1614, capitão da conquista e descobrimento do Maranhão, região que então se achava sob o domínio dos franceses. Em 19 de novembro de 1614Jerônimo alcançou uma decisiva vitória sobre os franceses comandados por La Ravardiere, no chamado combate de Guaxenduba.


Oito dias depois, ainda sobe a alegria da vitória alcançada, Jerônimo acrescentou ao seu nome o apelido “Maranhão”, conforme consta de sua assinatura aposta em documento de 27 de novembro. O genealogista Borges da Fonseca, na sua Nobiliarquia Pernambucana, ensina que a aposição do topônimo ao nome primitivo de Jerônimo de Albuquerque, foi uma mercê do Rei D. Filipe II, por remuneração do serviço da conquista do território maranhense, gesto “de que muito se prezaram seus descendentes”.

Jerônimo de Albuquerque Maranhão, por sua condição de Fidalgo Real, casou com d. Catarina Feijó, filha de Antônio Pinheiro Feijó e Leonor Guardes. Jerônimo de Albuquerque Maranhão foi o primeiro capitão-mor do Maranhão, de 1616 a 1618, cargo em que foi substituído, por sua morte, pelo filho Antônio de Albuquerque Maranhão.



O Barão do Rio Branco afirma em seu livro “Efemérides Brasileiras” que Jerônimo de Albuquerque faleceu no dia 11 de fevereiro de 1618 em São Luis do Maranhão. Já Borges da Fonseca, em seu livro já citado destaca que o fundador de Natal faleceu no seu engenho Cunhaú. Com quem está a razão?



Na tradicional Capela do Engenho Cunhaú, encontra-se uma antiga pedra tumular, já bastante desgastada pelo atrito ocasionado pelos pés dos freqüentadores daquele templo, no decorrer de quase quatro séculos de presença religiosa.



A placa mede cerca de 1,24 x 0,69m, a pedra encontra-se posicionada no piso da capela, ao pé do retábulo. O historiador Olavo Medeiros conseguiu, ao cabo de muito esforço decifrar a inscrição lapidada: QUIJA O DADO JNIMODE ALBUQ.MARANHÃO. (AQUI JAZ O FUNDADOR JERÔNIMO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO).


Atraves da leitura do texto contido na pedra tumular, fica definitivamente esclarecido o fato de ter falecido e sido sepultado em Cunhaú, o velho Capitão-Mor, fundador da Cidade do Natal Jerônimo de Albuquerque Maranhão, figura de destaque que marcou a história nordestina.

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