domingo, 14 de março de 2010

Perfis - Coronel Estevão Moura

Coronel Estevão Moura com a farda da Guarda Nacional. (Acervo Anderson Tavares)


O coronel Estevão José Barbosa de Moura nasceu em Pousa, município de Taipú, em janeiro de 1810, filho de Manuel Teixeira Barbosa, comandante superior, vereador do Senado da Câmara do Natal, vice-presidente e presidente da Província do RN e Ana da Costa e Vasconcelos. Os pais proporcionaram ao jovem Estevão um ambiente de príncipe herdeiro.

Seguindo a praxe endogâmica que recomendava às famílias mais ilustres, o casamento entre parentes, com o objetivo de manter a fortuna na família, em 3 de julho de 1833 Estevão Moura casou com sua prima materna Maria Rosa do Rêgo Barros, filha do Coronel de Joaquim José do Rêgo Barros e Maria Angélica de Vasconcelos, na capela do Ferreiro Torto, domínio do sogro.

Destas núpcias nasceram oito rebentos, sendo as mulheres; Ana Joaquina de Moura Castelo Branco, casada com José Moreira Brandão Castelo Branco, Maria Angélica de Moura Câmara, casada com Jerônimo Cabral Raposo da Câmara, Isabel Cândida de Moura Chaves, casada com Francisco Clementino de Vasconcelos Chaves e Antônia Rosa Teixeira de Moura, solteira.

Os homens foram; Joaquim Manoel Teixeira de Moura, casado com Ana Joaquina da Fonseca e Silva, Manoel Joaquim Teixeira de Moura casado com Tereza Josefina da Fonseca e Silva, José Getúlio Teixeira de Moura casado com Joaquina Angélica Marinho de Carvalho e Estevão José Barbosa de Moura Júnior, falecido solteiro. Todos os casais tiveram descendência vastíssima, entrelaçada e prolifera.

Estevão Moura e Maria Rosa tiveram descendência que nos faz lembrar a passagem bíblica “das estrelas do céu e das areias do mar”. A genealogia familiar apresenta cem ramos ilustres. Destaco o nome de seu bisneto Francisco Canindé de Moura (Chico Moura) casado com Joanete Moura, casal muito estimado na cidade da Macaíba.

O cel. Estevão Moura foi um homem poderoso, influente e prestigiado. Teve fortuna incalculável, rebanhos imensos, fazendas, casarios, escravatura, pilhas de ouro. Sua vontade era lei. Politicamente administrou a província em três ocasiões, em 1841, 42 e 43. Foi deputado provincial nos biênios de 1840-41, 42-43, 44-45, tendo tomado parte nas sessões de 1838-39, como suplente do Dr. Pinagé. Em 10 de novembro de 1841, criou a comarca e o município da Maioridade, hoje Martins. Em 27 de janeiro de 1889 aderiu ao partido republicano que Pedro Velho fundava.

Proprietário de terras que remontavam às antigas sesmarias coloniais, suas terras englobavam municípios inteiros, dezenas e dezenas de propriedades, com residência, servos, cavalos de sela, conforto e poder. Em 1874, doou uma parte de suas terras na fazenda Barra (hoje solar Caxangá) para a edificação da capela de São José, seu padroeiro. Foi o todo poderoso da região de São Gonçalo do Amarante e Macaíba. Arranjou inimizade com o major Fabrício Gomes Pedroza, quando em juízo exigiu que este redirecionasse a cerca de “Coité” que avançara sobre parte do movimentado porto local, escoadouro da produção do sertão potiguar. Tempos depois, teve um embate celebre nas crônicas do Estado com o Presidente da Província Manuel da Silva Lisboa – Parrudo - cuja solução importou na morte do arrebatado administrador.

Em Macaíba, que não era ainda uma vila, Estevão Moura construiu com os próprios recursos a primeira ponte da cidade, em 1859 e em seguida, abriu a estrada que liga Macaíba a Natal via mangabeira. A parte desta estrada dentro da cidade do Natal é hoje a conhecida avenida Coronel Estevão! Foi ainda construtor do Solar Caxangá (em seu tempo Fazenda Barra).

Conversei inúmeras tardes com D. Noêmia de Medeiros Moura (*1912 +2005), única moradora da praça padre João Maria, em Natal, bisneta do coronel Estevão Moura. Falava-me sobre o bisavô juntando lembranças de familiares, amigos e populares, contemporâneos do coronel que apontavam-no como um ser fantástico, irreal, ubíquo e irresistível, destacando que ele trazia ao peito uma cruz feita com madeira da terra santa, que “lhe conferia podereis especiais”.

Coronel Estevão Moura! Seu nome soava como uma trombeta de guerra. Nascera no Brasil vice-reino, atravessara a Regência e viveu três anos no regime republicano depois de escoar-se o primeiro e segundo Império. Morreu paupérrimo, ignorado e esquecido em Macaíba no dia 16 de janeiro de 1891, sendo seu corpo sepultado no cemitério de São Miguel e posteriormente transportado seus restos mortais para o jazigo da família Moura, na matriz de Nossa Senhora da Conceição da Macaíba.

Político, fazendeiro, lavrador, dono de Engenhos, criou municípios e seu sangue corre em milhares de veias, perpetuando uma vida que não pode ficar na escuridão e no esquecimento.

3 comentários:

  1. Ótimo texto. Sou tataraneto do coronel Estevam (sou bisneto de Alfredo da Fonseca Moura)e fiquei muito feliz em encontrar um texto tão completo sobre a história de meu antepassado. Parabéns pelo trabalho!

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  2. Boa tarde. Sou Cearense e descendente de Adrião de Araújo Lopes, que segundo a tradição oral teria vindo do Seridó. O caro historiador teria alguma informação sobre esse personagem ou sobre Manoel Vaz de Carvalho do qual também sou descendente e que não consegui informação nenhuma que mostre suas ascendências. Estou a escrever um livro sobre a história e genealogia de minha região.

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  3. Olá, meu nome é Katia R.L. de Moura, Sou da família Teixeira de Moura, e minha avó sempre falou que pertencíamos à família Teixeira de Moura de Macaíba. Como posso ter acesso a mais detalhes deste Senhor? Meu avô, nascido em Macaíba, era o JOÃO TEIXEIRA DE MOURA.

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