domingo, 9 de maio de 2010

Colégio Imaculada Conceição - CIC





Em 1895, desembarcou em Natal o Sr. William Porter e sua mulher Catarina Hull, protestantes que estabeleceram o jornal “O Século” já em 1895 para divulgar sua doutrina. No ano seguinte fundaram a primeira igreja Presbiteriana de Natal, seguido do Colégio Americano (1896-1909).


Tendo em vista a rápida expansão das atividades protestantes na capital, o bispo da Paraíba, Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, a cuja jurisdição eclesiástica pertencia o Rio Grande do Norte, empreendeu uma visita pastoral ainda em 1895, com o objetivo de estimular a criação de dois estabelecimentos de ensino religioso para a educação feminina e masculina.


Dom Adauto solicitou a Madre Trajassi superiora geral da Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia, residente em Roma, que ordenasse à província do Recife que abrisse um Externato em Natal.


Partiram do Colégio de São José, no Recife, Madre Luíza Lucenti, Madre Maria das Dôres Lyra e a irmã Severina Melo. As irmãs se estabeleceram, inicialmente, numa casa situada nas imediações da Igreja do Rosário. O “diário” da casa fala da doação do terreno do Rosário, por ato de Dom Adauto Aurélio, onde deveria ser construído o colégio ou externato.


O governador Alberto Maranhão através da Lei nº 153 de 02 de setembro de 1901, concedeu um prédio do governo, situado na avenida Rio Branco (Liceu Industrial) por até 10 anos, para a instalação do colégio.


Com a benção de uma capela, seguida das demais instalações, no dia 22 de fevereiro de 1902 as irmãs participaram da celebração da missa de fundação do Colégio da Imaculada Conceição.

Na missa o Bispo D. Adauto foi acolitado pelo pároco do Natal – Pe. João Maria, pelo Pe. José Thomás Gomes da Silva, secretário do bispado, Pe. Agnello Fernandes, Coadjutor de Ceará-Mirim e pelo Pe. José de Calazans Pinheiro. A Eucaristia contou com a participação da fina flor da sociedade natalense.


Os senhores João Galvão, Angelo Roselli, Antônio Rodrigues Viana e Filadelfo Lira, comerciantes e industriais, juntamente com as senhoras d. Ignês Barreto, Sofia Tavares de Lyra, Petronila Maranhão e Ignês Maranhão fizeram importantes doações que serviram para a compra da mobília, do piano e de outros moveis para a efetivação do educandário.


O padre João Maria foi nomeado diretor espiritual e o padre José Calazans Pinheiro capelão do colégio.


No mesmo dia 22 de fevereiro de 1902, foi aberta as matriculas que excedeu à expectativa de todos. As aulas tiveram inicio no dia 01 de março e logo se constatou a necessidade de ampliação das instalações da casa.


Com o objetivo de adquirir um lugar definitivo para o estabelecimento das atividades educacionais, as irmãs Dorotéias venderam por seis contos de réis, o terreno perto da igreja do Rosário, tendo sido juntado ao montante mais cinco contos doados por d. Ignês Barreto, dinheiro com o qual as irmãs compraram o sítio Cucuí, localizado na então distante avenida Deodoro, pertencente ao Dr. Oliveira Santos e que era “toda murada, bem arborizada, com uma cacimba onde se bebia a melhor água da cidade, que era puxada por um moinho”.


Para a construção do prédio central do colégio, as irmãs contaram com um empréstimo de três contos de réis provenientes do bispo Dom Adauto, seguido de mais uma doação da viúva Ignês Barreto no valor de quatro contos e de um empréstimo da Superiora do Pará de seis contos. Os trabalhos de construção foram dirigidos pelo Cônego Joffili.


Finalmente, no dia 24 de junho de 1906, as alunas, suas famílias, as irmãs de Santa Dorotéia e o povo de Natal, em uma bonita procissão onde se cantavam louvores a Imaculada Conceição, se dirigiram para o novo estabelecimento.


Esse prédio de 1906 foi demolido em 1937 para construção de um espaço que pudesse albergar o crescente número de alunas. A construção foi realizada pouco a pouco até ser concluída em 1942. É o prédio que conhecemos hoje.


Principiando o projeto educativo, o Colégio Imaculada Conceição esteve voltado, num primeiro momento, apenas para o público feminino, em regime de externato e internato. O segundo momento acontece a partir da abertura de matriculas, em 1972, para o público masculino, no caso irmãos das alunas do colégio. Tendo sido também a primeira escola religiosa, da cidade do Natal, a permitir a matricula de uma aluna casada.


Hoje, aos 108 anos, o Colégio Imaculada Conceição continua sua missão de abrir caminhos com uma proposta educativa de evangelizar através da educação, formando o cidadão pleno, despertando tanto no aluno quanto no professor a consciência crítica para fazê-lo capaz de participar das mudanças sociais à luz da fé e do evangelho.




3 comentários:

  1. Bons tempos passei alí. saudades...

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  2. Saudades digo eu, que trabalhei por 24 anos.

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  3. É lamrentável que uma Instituição Centenária dessas tenha fechadp as portas!

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