sábado, 12 de junho de 2010

Onde se localizava o engenho Potengi?

Sede atual do antigo engenho Ferreiro Torto, em Macaíba. Foto: Itaércio Porpino.


Muitas vezes, ante a falta do documento comprobatório, temos as versões orais, advindas das tradições de nosso povo que ressurgem a cada relato que é transmitido por aqueles mais próximos aos acontecimentos às gerações mais recentes.


Quando em 1633, os holandeses desembarcaram no Rio Grande para a conquista sangrenta que se seguiu, não existiam como unidades administrativas as cidades de Macaíba e de São Gonçalo do Amarante. A antiga Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande jurisdicionava um vasto território, que albergava as ribeiras do Potengi, Jundiaí, Ceará-Mirim, Cajupiranga, Pirangi e Mipibu. Toda a ribeira do Potengi era então a cidade do Natal.


Sendo assim, onde estaria hoje o local do antigo engenho Potengi, espaço do primeiro grande massacre realizado pelos invasores holandeses, contra os portugueses ali refugiados?


O escritor Olavo de Medeiros Filho informa que no ano de 1798, era proprietário do engenho Potengi de São Gonçalo, o capitão Manuel Alves de Morais Navarro, solteiro, falecido a 11 de novembro de 1798, com idade de 59 anos. Mais adiante, lançou uma polêmica, apontando o escritor Manuel Nazareno Nogueira de Araújo, informa que o engenho Potengi é o mesmo que ficava a pouco passos da atual cidade de São Gonçalo do Amarante, em terras que pertenciam outrora, a Teófilo Alves, já falecido.

Ainda assevera Nogueira, citado por Olavo:


“Hoje, este engenho, já não existe. Suas ruínas foram vistas até a primeira década deste século. Seus derradeiros donos foram duas donzelas chamadas Fenomila e Esmeraldina Machado, descendentes de Estevão Machado de Miranda, que morreram na primeira década deste século, com mais de cem anos. Porém do engenho, o fim de suas moendas, ninguém tem notícia. Contam os antigos, que as ruínas do engenho Potengi serviram de morada a muitos que vinham em retirada do interior dos sertões na época das grandes secas. Seu último morador, quando as paredes e o teto do velho casarão já cediam ao rigor dos anos, foi um velho chamado Lourenço, (Ou Lourenço-que-ronca), como lhe apelidaram os meninos de rua”.


E arremata Olavo de Medeiros Filho em suas observações:


“O antigo engenho Potengi correspondia no começo deste século, ao engenho Santa Luzia da Floresta, pertencente ao Cel. João Pinheiro. Dista o mesmo cerca de 800 metros da cidade de São Gonçalo do Amarante/RN, à margem esquerda do rio Potengi. Até o ano de 1960, ainda existiam vestígios do prédio do antigo engenho Potengi”.


Entendo que o engenho Potengi, da cidade de São Gonçalo do Amarante deve realmente ter existido, sem sombra para dúvidas. Entretanto, se faz mister observar que sendo a cidade de São Gonçalo do Amarante, assim como Macaíba, margeadas pelo rio Potengi, seria natural que se edificassem nestes lugares engenhos e mesmo fazendas denominadas de Potengi.


Contudo, persistiria ainda a dúvida sobre a localização do antigo engenho Potengi, o segundo da então capitania e onde ocorreu o massacre dos portugueses. Sabemos que as terras do engenho Potengi originaram-se de uma sesmaria concedida pelo capitão-mor Manuel Mascarenhas Homem ao capitão-mor João Rodrigues Colaço em 1600.


Deste ponto adiante todos os historiadores do Rio Grande do Norte, iniciando por Augusto Tavares de Lyra, nascido em 1872, são unânimes ao afirmarem que o primeiro engenho do Rio Grande – o Potengi – ficava em terras pertencentes ao engenho Ferreiro Torto, de Macaíba. Senão vejamos:


“Nesse raio de seis a nove milhas não residiam mais de 120 a 130 campônios na sua maioria rústicos. Dois eram os engenhos existentes: um no Ferreiro Torto, de fogo morto, pela ruindade das terras, e o outro na várzea do Cunhaú”.


Mais adiante, destaca Tavares de Lyra:


“Sabido que na capitania só havia então dois engenhos – o Ferreiro Torto e o Cunhaú – e só tendo sido este último assaltado posteriormente, é fora de dúvida que os expedicionários se dirigiram ao primeiro. (...) esse engenho pertencia a Francisco Coelho (Ferreiro Torto é ainda hoje o nome de um engenho situado à margem direita do rio Jundiaí e à pequena distância de Macaíba), é possível que o primitivo engenho não tivesse sido construído no mesmo lugar do atual; mas devia ficar nas suas imediações. E ainda, Senhores de Natal e destruídos os núcleos principais de população, que eram os dois engenhos – Ferreiro Torto e Cunhaú. (LYRA, Augusto Tavares de).


Esclarece o historiador Hélio Galvão:


“(...) Na direção oposta, dia seguinte, vai o Major Cloppenburch com o Capitão Felior e o Capitão-Tenente Cornelius van Uxsel, e 200 soldados. Ia também Domingos Fernandes Calabar: não podia faltar. Em pequenas embarcações, Potengi acima, desembarcaram no local que o Diário da Expedição chama Passagem de Potigi, onde, por nada, mataram algumas pessoas e aprisionaram um ancião. Daí, por terra, dirigiram-se ao Engenho Ferreiro Torto, de Francisco Rodrigues Coelho, margem direita do rio Jundiaí. Numa passagem fechada pelo matagal foram inesperadamente atacados, perdendo quatro ou cinco homens. Os atacantes fugiram e Cloppenburch prosseguiu, andando três léguas, desde o ponto em que desembarcara. Um trecho pantanoso do caminho, já sendo tarde, impediu que atingissem o engenho, pelo que decidiram regressar à Fortaleza.


No engenho estavam abrigadas muitas pessoas. O Velho prisioneiro prestou informações confusas e imprecisas, que levaram os ocupantes à conclusão de que se organizava um foco de resistência, com esperados reforços da Paraíba e seu chefe parece ser Pero Vaz Pinto – remata o Diário.

Na verdade, saindo da Fortaleza, o Provedor da Fazenda Real se havia recolhido ao engenho do amigo, como ele antigo sesmeiros, dos primeiros povoadores da região. Era, depois do capitão-mor, a autoridade mais graduada presente na capitania. O engenho se transformara em abrigo dos moradores das cercanias e dos soldados dispensados do serviço, aterrorizados com as noticias que o ocupante deixava circular.


Não podia ficar, portanto, sem reprimenda válida aquela manifestação de rebeldia, nem impune essa ameaça potencial à estabilidade da conquista. A simples aviso de Calabar desceu Janduí com seus bandos ferozes para prestar o primeiro serviço, Calabar estava em plena forma. Os Tapuias se abateram sobre Ferreiro Torto e esmagaram literalmente os refugiados, em numero de sessenta. Francisco Coelho e toda a sua família, mulher e seis filhos, são trucidados.” (Galvão, Hélio).


Ainda sobre o tema destaca Câmara Cascudo:


“(...) o Major Cloppenburch, os capitães Felior e Uxeel seguiram em três grandes botes a vela, subindo o Potengi. Desceram em certo ponto, fazendo três léguas de marcha. Regressaram no dia seguinte. Haviam caído sobre um engenho, julgadamente o Ferreiro Torto. Francisco Coelho, seu proprietário, a mulher, cinco filhos e sessenta moradores sucumbiram”. (CASCUDO, Luiz da Câmara).


O Mons. Paulo Herôncio também apresenta sua versão sobre a questão:


“(...) Com alguns companheiros, Calabar demandou o sertão. Depois de alguns dias de viagem, o terrível emissário chegou às tabas. Procurando os caciques, parlamentou com eles, entregou-lhes presentes que os chefes holandeses lhes mandavam. E com eles acertou um ataque ao engenho de Ferreiro Torto.


Ao som das inúbias e sobraçando arcos e tacapes, 300 guerreiros tapuias desceram do sertão.
Para melhor se defenderem de qualquer ataque, os fugitivos de Natal se refugiaram no engenho de Francisco Coelho e ali ficaram aguardando os esperados auxílios da Paraíba.

Alguns dias depois daquele encontro com os holandeses, os refugiados de Ferreiro Torto foram surpreendidos por gritos ferozes seguidos de um cortar de setas pelo ar. O alarido aumentava à medida que se aproximavam. Eram os Janduís.


Os Tapuias! – gritaram todos, aterrorizados.


O sobressalto se espalhou em todos os semblantes. O espectro da morte pairou diante daquela gente, que não podia defender-se. Gritos de dor, abraços de despedida.


Açulados por Calabar, os bugres caíram sobre o engenho. Ninguém pôde fugir. Os que tentavam escapar ao tacape sentiam as flechas penetrarem-lhes as costas. Os gemidos dos moribundos eram abafados pelo berreiro infernal dos assaltantes. A matança foi terrível. Homens, mulheres e crianças, todos sacrificados com tanta crueldade e tanta hediondez que não é possível descrever.


Mais de 60 pessoas foram mortas. Entre elas, o proprietário do engenho, Francisco Coelho, com sua mulher e seus filhos. Ferreiro Torto marcava o início de um martírio de muitos anos. Aquela página de sangue era bem o programa de conquista dos novos senhores das terras do Rio Grande. (HERÔNCIO, Paulo)


O escritor Tarcísio Medeiros afirma que:


“(...) Para o interior, margiando o Potengi, Ferreiro Torto e Cunhaú foram os primeiros bangüês que acenderam fogos e produziram açúcar”. (MEDEIROS, Tarcísio).


Já o escritor Oswaldo Câmara de Souza descreve o Ferreiro Torto como:


“Não resta qualquer vestígio do primitivo engenho Ferreiro Torto, que ficava em certo ponto das margens do rio Jundiaí, nas imediações da cidade de Macaíba. Durante o domínio holandês foi ele invadido pelos flamengos, auxiliados pelos tapuias das ferozes tribos dos Janduís, cujo concurso invocaram”. (SOUZA, Oswaldo Câmara de).


Os historiadores mais recentes igualmente endossam a tese tradicional e coesa, como Sérgio Luiz Bezerra Trindade e Geraldo José de Albuquerque: “(...) Jacob Rabi (...), responsável pelas maiores atrocidades cometidas durante o domínio flamengo, algumas com características de genocídio, como foram nos engenhos de Cunhaú, Uruaçu e Ferreiro Torto”. (TRINDADE, Sérgio Luiz Bezerra; ALBUQUERQUE, José Geraldo de).


O escritor Antônio Soares de Araújo também se deteve na história do Ferreiro Torto:


“(...) A história de Ferreiro Torto registra um dos mais cruéis e sangrentos morticínios ocorridos na época da invasão holandesa. Na ordem cronológica, ele precedeu aos horripilantes dramas de martírio de que foram vitimas os moradores e refugiados de Cunhaú e Uruaçú”. (ARAÚJO, Antônio Soares de)


Arremato meus apontamentos destacando o que escreveu João Alves de Melo:


“Até a terceira década do século XVII, na época holandesa, em que se registraram as mais cruéis e sangrentas ocorrências, Ferreiro Torto foi testemunha dos horripilantes dramas de martírio de que foram vitimas Francisco Coelho, sua mulher, cinco filhos e sessenta moradores.


Rezam as lendas que, durante muitos anos, quem cruzasse as estradas ermas que levam ao velho casarão, em noites de luar, escutava gemidos dolorosos, queixas angustiadas, entrecortadas de soluços e choros dolentes de almas penadas, reminiscências evocativas do quadro de sacrifício e de tormento, ao qual servira de moldura o solar de Ferreiro Torto”. (MELO, João Alves de).


Por fim, o escritor Pedro Moura aponta de onde provém o nome de Ferreiro Torto ligado ao engenho Potengi:


“Esse primitivo engenho de Ferreiro Torto foi anotado por VINGBOONS no seu mapa n. 45; por ADRIANO VERDONK, em 1630, na Descrição das Capitânias de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande, acrescentando que suas terras eram ruins, e, por MAURÍCIO DE NASSAU, em janeiro de 1638, chamando-o pela primeira vez de Engenho Potengi, decaído há longos anos, e diz-se que não tem terras capazes”.


Todos estes autores se basearam nos muitos relatos deixados pelos holandeses sobre a dominação da capitania do Rio Grande. Dentre estes relatos, os que se destacam pela aproximação de uma resposta para a ligação de Ferreiro Torto com Potengi, são seguramente os apontamentos de Vingboons e Verdonk, os quais apontam o engenho como sendo Ferreiro Torto. Os demais autores holandeses não destacam o nome do engenho. E Nassau quem chama-o de Potengi.


O engenho Potengi ficava em terras pertencentes ao Ferreiro Torto. É provável que a sede das casas construídas posteriores ao massacre de 1633 fosse em local diferente do primeiro núcleo, uma vez que ficara a lembrança do morticínio na imaginação religiosa dos colonos. O próprio Tavares de Lyra aponta essa tese. Mas, que de fato foi nos domínios de Ferreiro Torto, originário de semarias que albergava boa parte do trecho ribeirinho do Potengi e do Jundiaí que frutificou por pouco tempo o engenho Potengi.


Com base em tudo que foi exposto, não reconheço subsídios convencedores de que o Engenho Potengi fosse em São Gonçalo do Amarante e não em terras pertencentes ao engenho Ferreiro Torto, em Macaíba. Tenho sim, o relato da unanimidade os historiadores estaduais, e até internacionais a confirmarem a tradição histórica e documental que indica ser Ferreiro Torto o palco primeiro das atrocidades invasoras neerlandesas. É a tese que defendo e acredito até dilação probatória contrária comprovadora.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Avião presidencial é batizado com o nome de Augusto Severo

Avião presidencial "Augusto Severo". Fonte: Aeronáutica.

Avião "Augusto Severo".

Avião presidencial "Augusto Severo".

As aeronaves batizadas de Augusto Severo e Bartolomeu de Gusmão, fazem parte de um conjunto de dois aviões Embraer 190, a ser incorporado à FAB para o transporte presidencial. As aeronaves substituirão os Boeing 737-200, conhecidos como "sucatinhas", que vem sendo usados no transporte do Presidente da República há mais de 30 anos.


O preço de cada aeronave, conforme disse o ministro da Defesa Nelson Jobim, foi de R$ 87 milhões. Sobre esse valor é acrescentado o custo do pacote de suprimentos, que é de R$ 37 milhões. O governo já pagou R$ 154 milhões à Embraer.


Os aviões que servirão ao Presidente da República são modernos, possuem tecnologia que asseguram aos passageiros uma viagem sem ruídos e redução do custo operacional. “O que é fundamental é que se trata de uma bandeira nacional chegando em qualquer lugar do mundo”, afirmou Jobim.


O Embraer 190 faz parte da família de jatos da Embraer batizados de E-jets. Há mais de 600 unidades dessa família voando em todo o mundo. As duas unidades a serem operadas pela FAB possuem capacidade para 54 pessoas, além de espaço privativo para o Presidente da República.

Mais uma significativa homenagem ao ilustre potiguar que pagou com a vida, o sonho iniciado nos morros de Guarapes, onde empinava pipas com seus alunos do Ginásio Norte-riograndense. Augusto Severo é sempre um nome lembrado nacionalmente. Pena ser ainda hoje desconhecido de seus conterrâneos.

sábado, 5 de junho de 2010

Professor João Tibúrcio

Professor João Tiburcio da Cunha Pinheiro

Busto do professor João Tibúrcio na entrada do Atheneu


Nascido no sítio “Suspiro” em Goianinha a 13 de maio de 1845, fez seus estudos com o famoso latinista, Padre Joaquim Severiano Ribeiro Dantas. Professor de latim concursado para o Assú, assumindo em 06-04-1869. Foi transferido para Natal em 15 de junho do mesmo ano, permanecendo nesta cidade até 13 de maio de 1927, quando foi posto em disponibilidade, ex-officio, com todos os vencimentos e adicionais; homenagem do governo aos seus 58 anos de magistério.

Ensinou Latim, Francês e Português no Atheneu Norte-riograndense, ininterruptamente, e assim que o afastaram da sala de aula, faleceu em Panelas, Macaíba a 24 de junho de 1928, era como se lhe faltasse o ar para respirar, longe da sala de aula e do convívio dos seus alunos.


Casou a primeira vez com Maria Rosa Moreira Castelo Branco (*1853 +1878), filha do Dr. Moreira Brandão e Ana Joaquina Teixeira de Moura, esta filha do Cel. Estevão Moura, senhor do Engenho Ferreiro Torto, em Macaíba. João Tibúrcio e Maria Rosa tiveram a seguinte prole: Leopoldina Augusta, solteira, Ana Krause, casada com o inglês John Krause, Maria da Glória, casada com Júlio Tinôco, Maria Rosa, casada com Joaquim Carlos Vieira de Melo, Leônidas Octávio e Asclepiades Cantalice, casado com Lenor Ferreira Pinheiro.


Enviuvando ainda jovem, João Tibúrcio casou com Josefa Emília da Cunha Pinheiro e dela teve Armando, Pompílio, Nathália e Helena.


Paralelamente ao ensino, destacou-se como político seguindo a orientação do sogro o Dr. José Moreira Brandão Castelo Branco, forte influência liberal nos tempos do império. João Tibúrcio foi deputado provincial nos biênios de 1878-79; 1880-81.


Dirigiu interinamente o Atheneu e a Instrução Pública em 1892 e 1893. Foi professor da Escola Normal de Natal no seu principio e ainda, primeiro suplente de juiz distrital e do juiz substituto federal, assumindo, por duas vezes, os cargos de juiz distrital e de direito de Natal.


Devido a sua compostura, assiduidade e competência, foi tido como o professor modelo, e como tal, teve seu busto em bronze inaugurado na pracinha vizinha ao antigo prédio do Atheneu, na avenida Junqueira Ayres, seu local de trabalho por onze lustros. A homenagem se deu no dia do professor de 1928. Atualmente este busto se encontra na entrada do Colégio Estadual Atheneu, em Petrópolis.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A primeira Mangueira Rosa e a Palmeira Imperial d'A República

Villa Barreto onde foi plantada a primeira mangueira rosa de Natal. Foto Manoel Dantas



A primeira mangueira rosa de Natal foi plantada por Ignez Barreto de Albuquerque Maranhão (*1858 +1932), irmã de Pedro Velho, de Augusto Severo e de Alberto Maranhão, entre outros. Ignez Barreto foi juntamente com seu marido Juvino Barreto os incentivadores de vários melhoramentos da cidade do Natal, dentre os quais podemos destacar: a fundação do Colégio Imaculada Conceição, Colégio Salesiano São José, Hospital de Caridade Juvino Barreto e Instituto Juvino Barreto.

D. Ignez plantara em sua residência – a Villa Barreto – na Ribeira, entre 1910-11. Antes de 1911, a manga rosa era verdadeira raridade, disputada e relativamente cara. Vinham do Recife. Um presente de manga rosa significava uma homenagem de bom gosto e de recursos.

Depois de 1914, os proprietários das chácaras do Tirol, Petrópolis e Alecrim passaram a plantar mudas de mangueira rosa. Esse evento merecia toda a atenção da sociedade local, era o indicativo de como Natal estava no caminho da civilização, sendo o ato amplamente noticiado pela imprensa local.

A primeira manga rosa era destinada ao consumo do governador e do bispo, respectivamente. Quem plantava disputava os tamanhos e ausências de nódoas. Alguns exemplares ficavam em exposição no balcão da A República.


Assim, as mangas rosas progrediram de presente caro e de bom gosto no seu início em Natal, para em 1918 popularizar-se através da sua comercialização no mercado público municipal da avenida Rio Branco.


Na confluência da rua Cel. Juvino Barreto com a avenida Câmara Cascudo, observo o palacete de Pedro Velho, antiga sede do jornal A República, e vislumbro em seu jardim a planta mais preciosa por sua antiguidade, história e por tudo que ela presenciou, guardando segredos e confidências esvaecidas na voragem do tempo.

O Cel. Juvino Barreto deu-a ao cunhado Pedro Velho, retirando-a da valiosa coleção da Villa Barreto, a primeira em Natal. Augusto Severo, apaixonado como era pelas plantas, plantou-a ante a residência do irmão em 1900. No ano seguinte, Juvino Barreto faleceu. Em 1902, Severo encantou-se por um sonho, em Paris. Era o próprio Pedro Velho que pela manhã, ainda de chambre, regava a palmeira, fazendo-o até 1907 quando faleceu.

A viúva do líder, D. Petronila Pedroza Maranhão, mudou para a fazenda Solidão, no Tirol, tentando amenizar as lembranças do marido e esquecer os desgostos dos filhos. O velho solar dos Albuquerque Maranhão passou a ser a sede d’ A República. Depois, foi repartição pública sediando a chefia de polícia e hoje Diário Oficial. E a palmeira imperial foi sendo gradativamente esquecida.