segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Alberto Maranhão

Governador Alberto Maranhão

Irmão de Pedro Velho e Augusto Severo, Alberto Maranhão nasceu em Macaíba, Rio Grande do Norte, no dia 02 de outubro de 1872. Filho do casal Amaro Barreto de Albuquerque Maranhão e de Feliciana Maria da Silva Pedroza, iniciou seus estudos, primeiramente, em Macaíba e, depois, em Natal. Mais tarde, foi para Recife, formando-se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Pernambuco, no dia 8 de dezembro de 1892, aos 20 anos de idade.

Casou com a sobrinha D. Inês Barreto, filha de Juvino Barreto e Inês Maranhão e do casal nasceram sete filhos: Paulo, Laura, Judite, Alberto Maranhão Júnior, Juvino, Cleantho e Caio.

Na juventude, participou do Congresso Literário, que mantinha o jornal A Tribuna. Com outros companheiros, fundou o Grêmio Polymathico. Dirigiu o jornal A República, “onde teve o ensejo de reafirmar o seu invencível valor de jornalista e homem de letras escrevendo, sem assinar, crônicas, tópicos e editoriais", conforme relata a escritor Meira Pires, no seu livro "Alberto Maranhão e o seu tempo” (1963).

No final do século passado, exerceu a função de promotor público em Macaíba; ocupou o cargo de secretário de Estado na administração do seu irmão Pedro Velho, oportunidade na qual apresentou um volume bem documentado sobre o RN. Em 14 de junho de 1899, foi eleito governador do estado, conduzindo os destinos políticos do Rio Grande do Norte de 1900 a 1904.

Na sua gestão, aprovou a lei nº 145, de 06 de agosto de 1900, que promoveu o desenvolvimento cultural do Estado, constituindo-se em fato inédito no país, determinando que:

(...) é o governador autorizado a premiar livros de ciência e literatura produzidos por filhos domiciliados no Rio Grande do Norte, ou naturais de outros Estados quando neste tenham fixa e definitiva a sua residência. (RIO GRANDE DO NORTE, 1900).

Foi ele quem inaugurou o Teatro Carlos Gomes (hoje Alberto Maranhão), no dia 24 de março de 1904. A renda do teatro era destinada para ajudar aos retirantes, vítimas da seca, que se encontravam em Natal.

Com o término de sua administração, foi eleito deputado federal, e durante o exercício de seu mandato fez parte da Comissão de Diplomacia. Voltou a assumir o governo do estado, de 1908-1913, realizando uma profícua administração: fundou o Conservatório de Música; o Hospital Juvino Barreto (hoje Onofre Lopes); o Derby Clube (para incentivar o hipismo); e construiu a Casa de Detenção e o Asilo de Mendicidade. Implantou a luz elétrica em Natal e, posteriormente, os bondes elétricos.

Fomentou a educação estadual inaugurando a Escola Normal, em 3 de maio de 1908, e implantando o primeiro grande movimento de educação de massa popular no RN, através da rede de Grupos Escolares. Reconstruiu o Teatro Carlos Gomes, dando-lhe as feições atuais e que foi entregue ao público no dia 19 de julho de 1912.

Alberto Maranhão estendeu sua ação também ao interior, como revela o escritor Itamar de Souza, em seu livro A República Velha no Rio Grande do Norte (1889-1930), de 1989:

Em São José de Mipibu, ele mandou as águas de uma fonte natural e permanente para o abastecimento di água daquela cidade. Em Macaíba, sua terra natal, construiu o cais de atracação, melhorando assim o transporte fluvial entre aquela cidade e a capital do Estado. Em Macau, mandou fazer um aterro, numa extensão de quatro quilômetros, ligando esta cidade à estrada do sertão, à margem do rio Assu. Para facilitar o deslocamento de pessoas e produtos entre o sertão e as cidades portuárias, ele construiu três mil quilômetros de estradas carroçáveis em direção às cidades de Canguaretama e Natal. (SOUZA, p. 241, 1989).

O segundo governo de Alberto Maranhão surpreende pelo dinamismo, sendo considerado, por unanimidade, como melhor administração durante a República Velha. Nem tudo, porém, foi positivo nesta gestão do oligarca potiguar que procurou, segundo alguns pesquisadores, imortalizar os membros de sua família. O município de Vila Nova teve o seu nome alterado para Pedro Velho. Além dessa homenagem, mandou fazer um busto do irmão que foi colocado no Square Pedro Velho. Numa avaliação, Itamar de Souza critica o ilustre político macaibense:

Este segundo governo de Alberto Maranhão teve três características básicas: primeiro, procurou imortalizar os membros da oligarquia apondo seus nomes em municípios, repartições públicas, monumentos, e praças; segundo, monopolizou importantes setores da economia estadual, favorecendo, assim, os amigos e correligionários, em detrimento do erário público; e, terceiro, realizou uma grande e inovadora administração com o dinheiro tomado emprestado no estrangeiro. (SOUZA, p. 129,1989).

Após deixar o governo, em 31 de dezembro de 1913, Alberto Maranhão foi eleito Deputado Federal, representando o seu estado nessa função, de 1927 a 1929. Abandonando a vida política, saiu do Rio Grande do Norte e foi morar com a família em Parati, no estado do Rio de Janeiro, onde foi juiz municipal.

Em 1918, publicou dois trabalhos: Na Câmara e na Imprensa e Quatro discursos históricos. Alberto Maranhão faleceu aos 71 anos, no dia 01 de fevereiro de 1944, em Angra dos Reis, sendo sepultado no outro dia, em Parati, no estado do Rio de Janeiro.


Em Macaíba, foi dado o nome de Alberto Maranhão a um conjunto habitacional, localizado nas proximidades do bairro Campo das Mangueiras, no final da década de 80. Em 2005, o Rio Grande do Norte transladou do Rio de Janeiro para Natal, os restos mortais do governador da cultura, sendo sepultados no teatro que ostenta seu nome.

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