terça-feira, 31 de maio de 2011

Augusto Tavares de Lyra


Ministro Tavares de Lyra. (Foto: acervo Instituto Tavares de Lyra)

Augusto Tavares de Lyra é uma figura solar no universo histórico potiguar. Nomeia uma avenida no bairro da Ribeira, em Natal; um bairro residencial em Macaíba, avenidas no Rio de Janeiro (Flamengo, Botafogo, Jardim Botânico e Laranjeiras), São Paulo e Bahia. É patrono da principal condecoração da prefeitura de Macaíba e do mérito eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral do RN. Patrono do Fórum de Macaíba, onde também é nome de Grêmio estudantil no Colégio Estadual “Dr. Severiano”. Não obstante ter sido historiador, escritor e político de renome nacional, ele permanece desconhecido das novas gerações.

Augusto Arthur de Lyra Tavares, este o seu nome de batismo, que mais tarde, quando estudante no Recife, o modificou para Augusto Tavares de Lyra, nasceu na Vila da Macaíba, na noite de Natal de 1872, filho do coronel Feliciano Pereira de Lyra Tavares (*1843 +1910), comerciante e político e de Maria Rosalina de Albuquerque Vasconcelos (*1852 +1899), compondo uma prole de oito irmãos, sendo quatro mulheres; Inês Tavares Alecrim, Maria Augusta, Maria Adélia e Maria Alice de Lyra Tavares, e quatro homens; Dr. Luiz Tavares de Lyra, Cel. Feliciano de Lyra Tavares Filho, Senador João de Lyra Tavares e Major José Antônio de Lyra Tavares, este último fundador da família Tavares de Macaíba, do qual eu descendo em linha direta.

Casou-se em Natal, em 1902, com Sophia Eugênia de Albuquerque Maranhão, filha do Senador Pedro Velho e de Petronila Pedroza, constituindo uma família de seis filhos: Sophia Augusta de Lyra Tavares, Pedro Velho Neto, Augusto Tavares de Lyra Filho, Madre Cora Tavares, Carlos Tavares de Lyra e Madre Carmem Maria Tavares de Lyra.

Tavares de Lyra fez seus estudos em Macaíba, Natal e terminou-os em Recife, onde bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais em dezembro de 1892. Foi Doutor em Direito pela faculdade do Rio de Janeiro, em 1915, na qual foi empossado professor. Após sua formatura, abriu escritório em Natal, na rua 13 de maio (Princesa Isabel) e foi redator do Jornal A República, onde assinava a coluna Em vários tons, onde já em 1893, Tavares de Lyra defendia a reforma educacional e a formação do professor.

Iniciou sua vida pública como Deputado Estadual aos 22 anos, não tomando posse pelo fato de ter sido eleito também Deputado Federal pelo RN de 1894 a 1904, destacando-se como líder da sua bancada.

Eleito Governador do seu estado em 1904, aos 32 anos, criou o Banco do Natal, posteriormente denominado BANDERN e promoveu o desenvolvimento da indústria açucareira, salineira e algodoeira. No tocante a educação, equiparou o Atheneu potiguar ao colégio Pedro II.

Renunciou ao governo do Estado em 1906, por insistência de Pedro Velho, para assumir a pasta de ministro da Justiça e Negócios Interiores, na presidência de Afonso Pena, quando oficializou a ortografia Brasileira, entre outras coisas, permanecendo nesse ministério até 1909.

Ainda como ministro da Justiça, em 1907, Tavares de Lyra elabora um projeto de reforma do ensino por entender que a educação deveria ser abordada sob múltiplas faces. Tal reforma caracteriza-se pelo pioneirismo na ideia da intervenção direta e imediata da União na educação. Naquela época, o país mudava economicamente do modelo agrário para o industrial e era necessário capacitar mão de obra, o que também motivou o presidente Afonso Pena encaminhar o projeto para discussão e apreciação pelo Congresso Nacional.

De 1910 a 1914, foi senador da república pelo Rio Grande do Norte, sendo líder do governo Hermes da Fonseca, embora fosse o mais novo dos senadores. Foi membro das comissões de Constituição e Justiça, de Diplomacia e de Finanças.

A 15 de Novembro de 1914, assumiu o Ministério da Viação e Obras Públicas, e seria o titular da pasta até o fim do mandato de Wenceslau Brás, foi ainda nesse período ministro interino da Fazenda em duas ocasiões. Neste ministério, avaliou Alcino Guanabara a personalidade de Tavares de Lyra destacando ser o mesmo: “um homem calmo, de espírito justo, suave nas maneiras, sabendo firmemente o que quer, sem preocupações de vaidade pessoal, não mercadejando aplausos, contentando-se em ser julgado pelos seus atos, como eles o merecem, é efetivamente um bem precioso para o governo”.

Por fim, foi nomeado ministro, depois presidente do Tribunal de Contas da União, tomando posse a 30 de Novembro de 1918, foi relator da primeira prestação de contas de um Presidente da República. Através desse ministério, aposentou-se em 1940.

Por uma questão de dois meses para desincompatibilizar-se por haver sido Ministro de Estado até 15 de novembro de 1918, não foi escolhido para disputar a presidência da República, após a morte de Rodrigues Alves. Segundo ainda o deputado José Ferreira de Souza: duas ou três vezes, em momentos graves, foi lembrado como candidato de conciliação ao mais alto posto da República. Já na sucessão de Arthur Bernardes, quando o senador Mello Viana falou no candidato ideal, falava-se: Aí está a moldura. O quadro é Tavares de Lyra.

Tavares de Lyra pertenceu ao grupo de brasileiros que fez parte dos três poderes da República. Executivo: Governador do Estado, Ministro da Justiça, Ministro da Viação e Obras Públicas, Ministro da fazenda. Legislativo; Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador da República. Judiciário; Ministro e Presidente do Tribunal de Contas da União.

Como intelectual produziu incansavelmente. Sua bibliografia alcança cerca de 70 volumes, hoje muitos raridades, destacando-se a primeira História do Rio Grande do Norte de 1922.

Em 1952, teve seu nome inscrito no livro do Mérito Nacional pelos relevantes serviços prestados a Nação Brasileira, na ocasião do recebimento do diploma no Palácio do Catete, o presidente Getúlio Vargas afirmou: o Ministro Tavares de Lyra é uma relíquia da Pátria!

Por fim, no dia 22 de Dezembro de 1958, no Rio de Janeiro, instalado em um apartamento alugado e repousando em uma cama obtida por empréstimo, o macaibense ministro Augusto Tavares de Lyra fechava os olhos ao tempo e os abria para a eternidade, deixando o legado imperecível de um nome limpo e honrado, uma vida que no dizer do escritor Luís da Câmara Cascudo foi “uma linha reta, limpa e clara”.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sócios Beneméritos e Honorários da AML

Durante a cerimônia de elogio ao patrono proferida pelos acadêmicos Raimundo Ubirajara de Macedo e Ivan Maciel de Andrade, a Academia Macaibense de Letras homenageou seis personalidades com os títulos de sócios honorários e beneméritos.

Foram agraciados com o título de sócios de honorário:

Renard Perez. Escritor e contista. Dedica-se sobretudo a contos e novelas. Estreou na literatura com o livro O Beco. Sob a liderança de Dinah Silveira de Queiroz, integrou o grupo Café da Manhã, ao lado de Fausto Cunha, Luis Canabrava, Daniel Dantas entre outros escritores. Advogado de formação, Renard dedicou-se principalmente ao jornalismo cultural. Passou por diversos jornais e revistas, dentre eles o Correio da Manhã, Revista da Semana onde foi redator, na Revista Branca de Saldanha Coelho, na revista Manchete e no jornal Última Hora, foi redator-chefe da revista Literatura. Reside atualmente no Rio de Janeiro, onde fui encontrá-lo em seu apartamento, no Bairro de Copacabana, cheio de saudades da Ribeira do Jundiaí, sobre a qual me fez as mais variadas perguntas.

Rossini Quintas Perez. Gravador, pintor e fotografo. Em 1951, freqüenta a Associação Brasileira de Desenho. Em visita à 2ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1953, impressiona-se com as gravuras de autoria de Edvard Munch e decide se dedicar a essa técnica. Em 1952, participa da 1º Exposição Nacional de Arte Abstrata, no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, Rio de Janeiro. Na década de 1950, suas obras tratam de temas como os barcos, os morros e as favelas cariocas. Professor do Ateliê de Gravura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Aperfeiçoa-se em litografia, em Amsterdã. Reside em Paris de 1962 a 1972. Ajudou a implantar uma oficina de gravura em metal na Escola Nacional de Belas Artes, em Dacar, Senegal, entre 1974 e 1975, sendo professor nessa instituição em 1977 e 1978. Atualmente reside no Rio de Janeiro, colecionando os prêmios e os reconhecimento por sua vida meritória.

Ademilde Fonseca, cantora e diva do rádio. Recebeu do instrumentista Benedito Lacerda o título de "Rainha do chorinho". Como a maioria dos macaibenses, buscou outras plagas em busca de seus sonhos, dos seus ideais. Sua estréia em disco aconteceu em agosto de 1942, num 78 rpm que trazia o choro "Tico-Tico no Fubá" e o samba "Voltei pro morro", de Benedito Lacerda e Darci de Oliveira. Cantora de importância fundamental na música popular brasileira, e particularmente para o desenvolvimento do choro. Até o seu surgimento, o choro não era para ser cantado e era considerado como um gênero exclusivo dos instrumentistas.

Claudionor Batista de Oliveira – Dosinho. Compositor e Cantor. Embora seja conhecido como compositor de frevos, sua carreira teve início com composições para campanhas publicitárias como também políticas. Compôs também sambas-enredo. Começou a compor na década de 1940. recebeu as seguintes palavras elogiosas do historiador Câmara Cascudo: "Dosinho tem a linguagem musical. Diz todas as suas emoções na linha melódica, doce, clara, fácil, com uma naturalidade de fonte. E uma grandeza espontânea de predestinado".

E sócios beneméritos:

Pedro Simões, cearamirimense, homem dinâmico, habilidoso e versátil. Advogado militante no ramo empresarial, tornou-se escritor com mais de uma vintena de livros publicados. Humanista, escreveu em jornais, tornou-se editor e grande incentivador dos movimentos culturais, sendo um dos ardentes incentivadores da fundação desta Academia de Letras de Macaíba. Recentemente, fundou com seus pares a Academia de Letras do Ceará-Mirim, para honra e glória da terra de Rodolfo Garcia.

Luiz G M Bezerra, “Seu Luizinho”. Acariense. Ex-aluno marista, comerciante, desportista, escritor, funcionário público com notória retidão pelos cargos que pasou, articulista de vários jornais do Estado, rememorando para às novas gerações as biografias de atletas, de empresários, de políticos e do povo querido do Seridó. Simples e bom, seu Luizinho jamais deixa de receber em sua residência a todos que buscam beber da rica história estadual. História essa que ele carrega no sangue seridoense. Os jovens pesquisadores, muitas vezes sem fontes, encontram em Luiz GM Bezerra o porto seguro para suas indagações. Luiz GM Bezerra é de todos nós bastante conhecido e reconhecido seus méritos de pesquisador sério e comprometido com a memória do RN.