quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Genealogia de Djalma Maranhão

                                                    Djalma Maranhão em frente ao Solar Ferreiro Torto. Macaíba/RN. 



A pesquisa genealógica é algo fascinante e ao mesmo tempo um trabalho solitário. Procurar reconstituir gerações, ligar nomes, buscar origens e determinar ascendentes e descendentes torna-se extremamente difícil quando dados são omitidos até mesmo por registros oficiais, o pesquisador tem que ter a sensibilidade e o tempo para buscar todas as alternativas para o desfecho do objeto pesquisado.

Nesse sentindo, desde o ano de 2012 que me debruço nos arquivos paroquiais das cidades de São José de Mipibú, Arez e Nísia Floresta coligindo dados que atestem a ligação genealógica do prefeito Djalma de Carvalho Maranhão com a figura lendária de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, um dos fundadores da cidade do Natal, conquistador do Maranhão e fundador da Casa Hereditária de Cunhaú, no Rio Grande do Norte.

Tradição oral e mesmo o sobrenome Maranhão afirmavam essa ascendência, contudo, até hoje não se tinha a ligação definitiva de Djalma com Jerônimo, nem sabia-se a qual ramo dos Albuquerque Maranhão estava ligado a família de Djalma.

Intrigado, ao iniciarmos a pesquisa nos arquivos paroquiais mencionados, chegamos ao casamento dos pais de Djalma Maranhão realizado na Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Ceará-Mirim aos 08 de janeiro de 1909. O documento aponta os nomes dos noivos: Luís Inácio de Albuquerque Maranhão e Maria Salomé de Carvalho Hugo.

O noivo era filho do casal Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão, natural de Papary, atual cidade de Nísia Floresta e casado com Cândida Filomila de Sales na Matriz de Santana e São Joaquim de São José de Mipibú aos 19 de abril de 1875. A noiva filha de Joaquim Hugo de Moura Carvalho e de sua segunda esposa Rosina Mousinho.

Seguindo a linha genealógica da família Albuquerque Maranhão, objeto deste estudo, temos que Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão era filho de Inácio de Albuquerque Maranhão, conhecido por Inácio de Belém, numa referencia a um de seus engenhos em São José de Mipibú/RN. Oficialmente, Inácio de Belém foi casado com sua prima Firmina Leopoldina de Albuquerque Maranhão e deste casamento houve uma única filha chamada Firmina de Albuquerque Maranhão, que por sua vez casou com o primo Dr. Antônio Felipe de Albuquerque Maranhão.

Acontece que o coronel Inácio de Belém teve outros dois filhos que foram Luís Roque e Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão, justamente o avô paterno de Djalma Maranhão. Os dois eram filhos de Joaquina Felismina dos Prazeres. Esses dados o historiador não os encontra em documento tido como oficial a exemplo dos arquivados nas paróquias. A comprovação veio através de um antigo livro: A Casa de Cunhaú, escrito em 1956, por João de Albuquerque Maranhão e que acrescenta que Inácio de Belém legitimou os dois filhos e legou-lhes engenhos São Roque, Ribeiro e Mipibú no vale do Capió.

Estabelecido esse elo, determinamos com segurança a ascendência paterna de Djalma Maranhão até Jerônimo de Albuquerque Maranhão. Djalma de Carvalho Maranhão é um cunhauzeiro legítimo, ou seja, descendente da Casa Hereditária de Cunhaú. Vejamos, Inácio de Belém era filho de João de Albuquerque Maranhão do engenho Miriri, com Antônia Josefa de Albuquerque Maranhão, irmã de Andrezinho de Cunhaú, revolucionário e herói de 1817 no RN.

Djalma Maranhão trouxe no sangue o passado heroico e a luta pela liberdade que marcaram as gerações iniciais da família. Em sua época as armas foram diferentes. Foi jornalista combatente e político ligado ao povo mais simples, aos quais procurou educar através de uma campanha que marcou época e foi buscar neles a inspiração primeira da sua administração que até hoje, decorridos mais de 50 anos, permanece viva na memória da sua cidade.


Pintura a óleo representando Inácio de A. Maranhão, senhor do engenho Belém, em São José de Mipibú/RN.


Árvore genealógica resumida de Djalma de Carvalho Maranhão.

Jerônimo de Albuquerque Maranhão *Olinda/PE 1548 +Engenho Cunhaú (RN) 1624, casado com D. Catarina Pinheiro Feijó, são os pais de;

Matias de Albuquerque Maranhão *Olinda/PE 1580 +Cunhaú (RN) 09-06-1685 casado com Isabel da Câmara, pais de;

Afonso de Albuquerque Maranhão casado com Isabel de Barros Pacheco, pais de;

Gaspar de Albuquerque Maranhão, Senhor Hereditário da Casa de Cunhaú, casado com Luzia Vieira de Sá, pais de;

André de Albuquerque Maranhão *1742 +1806 senhor hereditário da Casa de Cunhaú, fidalgo cavaleiro da casa real, casou-se em 1768 com D. Antônia Josefa do Espírito Santo Ribeiro, são os pais de;

Antônia Josefa de Albuquerque Maranhão casada com João de A. Maranhão de Miriri/PB são os pais de:

Inácio de Albuquerque Maranhão que com Joaquina Felismina dos Prazeres, são os pais de:

Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão casado com Cândida Filomila de Sales são os pais de:

Luís Inácio de A. Maranhão casado com Maria Salomé de Carvalho Hugo, pais de:

Djalma de Carvalho Maranhão
Luís Inácio de A. Maranhão Filho
Natércia Maranhão
Clóvis Maranhão
Cândida Maranhão Otero

Com este artigo, homenageio a memória de Djalma Maranhão no ano do seu centenário, legando aos pesquisadores de sua biografia a sua ascendência paterna, agora estabelecida.

Adendo para a genealogia de Djalma Maranhão:



         Registro de casamento de Djalma Maranhão e Dária Cavalcanti de Souza, datado de 24 de novembro de 1942. Registro de ordem número 5, páginas 24 e 24 (verso) do Livro de Casamentos do período de 1942 a 1944 de Natal/RN.

 Aos vinte e quatro dias do mês de janeiro de mil novecentos e quarenta e dois, às 17 horas nesta paróquia de Nossa Senhora da Apresentação de Natal, nesta Igreja Catedral, aí presentes o ministro celebrante Padre Severino Bezerra, pró-vigário da referida paróquia, e das testemunhas por fim deste assinadas, celebrou-se o casamento de DJALMA MARANHÃO, com vinte e cinco anos de idade, de profissão comerciante, domiciliado em Natal, e residente à av. Deodoro, nº 541, com DÁRIA CAVALCANTI DE SOUSA, com vinte e quatro anos de idade, de profissão doméstica, domiciliada em Natal, e residente à av. Rio Bancos, nº 608. O nubente, solteiro, nasceu em Ceará-Mirim, a 27 de novembro de 1915, e foi batizado a 25 de novembro de 1916, filho de Luiz Maranhão, já falecido, natural de São José de Mipibú, com 54 anos, e de Maria Salomé Maranhão, natural de Ceará-Mirim; a nubente, solteira, nasceu em Natal, a 25 de outubro de 1916, e batizada no mesmo ano, filha de Otacílio Costa Filho, falecido, natural de Sergipe, e de Leopoldina Cavalcanti de Sousa, natural de Natal, profissão doméstica, domiciliada e residente à av. Rio Banco, 608. Foram testemunhas Dr. Francisco Ivo Cavalcanti e Zelda Cavalcanti. Pe. Severino Bezerra – Pré Vigário da Catedral.

          O pai de Djalma Maranhão:

          Luís Inácio de Albuquerque Maranhão, natural de Papary/RN, nascido em 15 de março de 1883, batizado aos 13 de agosto de 1883 e falecido em dezembro de 1941 com 58 anos de idade, e de Maria Salomé de Carvalho Hugo, natural de Ceará-Mirim/RN, nascida aos 22 de outubro de 1886, batizada 04 de fevereiro de 1887. Casados em 08 de janeiro de 1909 em Ceará-Mirim/RN.

           Batistério de Luís Inácio de Albuquerque Maranhão

Aos trese de Agosto de mil oito centos e oitenta e tres, baptizei solemnemente a LUIS, nascido a quinse de Março; pais: Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão e Candida de Albuquerque Maranhão. PP. Thomaz Antonio de Melo e Leopoldina Ramos de Melo. E para constar faço este escrever. Pe. José Hermino da Silveira Borges . Vigário Encomendado.

Registro do casamento de Luís Inácio de Albuquerque Maranhão e Maria Salomé de Carvalho Hugo:

Aos oito de janeiro de mil novecentos e nove, na Matriz do Ceará-Mirim, perante as testemunhas Felismino do Rego Dantas Noronha e Antonio Leonidas do Rego Noronha, se receberão em matrimonio meus Parochiannos LUIS IGNACIO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO e MARIA SALOMÉ DE CARVALHO HUGO, solteiros, elle, natural da Freguesia de Papary, com 26 anos de idade incompletos, filho legitimo de Joauim Felismino de Albuquerque Maranhão e Candida Philomena de Albuquerque Maranhão, fallecidos; ella natural desta Freguezia do Ceará – Mirim com 22 anos completos, filha legitima de Joaquim Hugo de Moura Carvalho e Rosina de Carvalho Hugo. De que para constar fis este assento que assigno. O Vigrº Pe. Agnello Fernandes.

            Avós paternos de Djalma Maranhão:

           Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão, natural de Papary, Atual cidade de Nísia Floresta – RN, nascido em 20 de dezembro de 1855 e falecido em 25 de maio de 1904 com 48 anos de idade, e Cândida Filomila de Sales, nascida aos 31 de maio de 1852, batizada aos 18 de julho de 1852, e falecida em 02 de agosto de 1892 com 40 anos de idade, casados em 19 de abril de 1875 na Matriz de São José de Mipibu – RN.

            Avós maternos de Djalma Maranhão:

           Joaquim Hugo de Moura Carvalho, natural de Arêz/RN, e a 2ª esposa Rosinda Francisca Mousinho, natural de Touros/RN, casados aos 01 de agosto de 1885 na Matriz de Ceará-Mirim/RN.


           Bisavós paternos de Djalma Maranhão:

        1- Inácio de Albuquerque Maranhão, falecido em fevereiro de 1873, o Inácio de Belém, e Joaquina Felismina dos Prazeres, pais de Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão.

       2- Alexandre Francisco de Sales e Silva, nascido em 03 de agosto de 1813, batizado aos 20 de agosto de 1813 em São José de Mipibu - RN e falecido em 11 de fevereiro de 1883 com 69 anos de idade, e Cândida Lúcia da Encarnação, nascida em 25 de outubro de 1813 e falecida em 28 de abril de 1877 com 64 anos de idade, pais de Cândida Filomila de Sales.

       Observação: Alexandre Francisco de Sales e Silva e Cândida Lúcia da Encarnação foram os Bisavós Paternos (Pela parte do Avô) dos irmãos Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales e o Arcebispo Dom Heitor de Araújo Sales.

           Bisavós maternos de Djalma Maranhão:

      1- Veríssimo Lins de Moura e Rita Francelina de Carvalho, naturais de Arez – RN, pais de Joaquim Hugo de Moura Carvalho.    
 

        2- Tiago Josino Ferreira Mousinho, batizado aos 28 de julho de 1815 na Matriz, e Francisca Carneiro da Apresentação, casados em 13 de agosto de 1839 em Ceará – Mirim, pais de Rosina Francisca Mousinho.


Genealogia em linha direta masculina de Djalma Maranhão

      1- Jerônimo de Albuquerque Maranhão
      2- Matias de Albuquerque Maranhão
      3- Afonso de Albuquerque Maranhão
      4- Gaspar de Albuquerque Maranhão
      5- José Felipe de Albuquerque Maranhão
      6- José Felipe de Albuquerque Maranhão Júnior
      7- João de Albuquerque Maranhão, de Miriri
      8- Inácio de Albuquerque Maranhão, de Belém
      9- Joaquim Felismino de Albuquerque Maranhão
      10- Luiz Inácio de Albuquerque Maranhão
      11- Djalma de Carvalho Maranhão.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Dr. Heráclio Villar



Nascido na cidade do Ceará-Mirim, no engenho Cana Brava, aos 23 de novembro de 1893, era filho do casal Joaquina Pereira Mendonça de Araújo Vilar e José Ribeiro Dantas.

Iniciou seus estudos em sua cidade natal, depois passando para o Colégio Santa Luzia, em Mossoró, de onde saiu e matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, colando grau na turma de 1912. Ainda durante o 4 ano de faculdade, Heráclio perdeu seu pai e passou a chefe de uma família com cinco irmãos, o que conseguiu escrevendo para jornais de Natal.

Foi Juiz Distrital de Touros/RN, de 1914-16 nomeado pelo governador Alberto Maranhão.

Delegado da 3ª Zona (Região do Seridó), uma das quatro em que o governador Joaquim Ferreira Chaves dividiu o RN objetivando combater o cangaço. Nomeado por ato de 31-12-1914.

Oficial de gabinete do governador Joaquim Ferreira Chaves, por ato de 13-07-1917.

1º Oficial de secretaria do governo do estado, nomeado por Joaquim Ferreira Chaves. Exerceu de 21-03-1918 a 05-04-1920.

Delegado geral do recenseamento no RN, em 1920.

Chefe da seção de estatística da secretaria de estado em 18-01-1923 no governo Antônio José de Mello e Souza.

Redator do jornal A República de 09-01-1925 a 31-12-1927 no governo José Augusto Bezerra de Medeiros.

Membro e 1º Presidente do Conselho Penitenciário do Estado, criado pelo decreto 281, de 13-11-1925 e instalado no dia 15-04-1926 no governo José Augusto Bezerra de Medeiros.

Seu último cargo público foi fiscal de bancos, nomeado pelo governo federal aos 12-06-1931.

Destaca-se ainda o pioneirismo de Heráclio Vilar Ribeiro Dantas na fundação das Cooperativas Rurais de Ceará-Mirim e São José de Mipibú. Confiou-lhe o Bispo Dom José Pereira Alves a presidência da Comissão Central do Cooperativismo.

Casou no dia 29 de setembro de 1915 com Maria Elisa Vilar de Mello, nascida a 08 de junho de 1896 e falecida aos 23 de fevereiro de 1983, filha de Rita de Cássia de Araújo Vilar e José Hemetério Fernandes de Mello.

O casal gerou os seguintes filhos: Alcindo Vilar Ribeiro Dantas, Alcindo Vilar Ribeiro Dantas II, Tereza de Jesus Vilar Ribeiro Dantas, Afrânio Vilar Ribeiro Dantas, Eurídice Vilar Ribeiro Dantas, Ruth Vilar Ribeiro Dantas, Elizabete Vilar Ribeiro Dantas, João Vilar Ribeiro Dantas, José Heráclio Vilar Ribeiro Dantas.


Na cidade de Macaíba/RN o então prefeito nomeado Estevam Alves Dantas de Araújo, homenageou o ilustre jurista, designando Rua Dr. Heráclio Villar uma artéria que hoje é das mais importantes na cidade. Infelizmente, a grafia do nome do patrono encontra-se errada, assim como outras na cidade. Ao invés de Heráclio tem-se Heráclito Vilar. Seria muito importante uma retificação a bem da verdade!

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os irmãos de Manoel Raposo da Câmara

Apresentaremos alguns dados a respeito dos irmãos de Manoel Raposo da Câmara, sendo cinco da primeira família, incluindo Manoel Raposo da Câmara, e três da segunda família, irmãos de Manoel Raposo da Câmara somente por parte de pai.

            Francisco Pereira do Amaral, nascido em 1657, batizado em 22 de outubro de 1657 e falecido em 17 de maio de 1693, com 36 anos de idade, contraiu 1º matrimônio aos 18 de janeiro de 1680, com Josefa da Câmara Pereira, nascida provavelmente em 1663, e falecida em 29 de janeiro de 1688 na provável idade de 24 anos; Francisco Pereira do Amaral contraiu 2º matrimônio em 03 de junho de 1688, com Vitória de Bitencourt, falecida em 06 de janeiro de 1697.

           I- Filhos do 1º casamento de Francisco Pereira do Amaral com Josefa da Câmara Pereira:

           1- Maria do Corpo de Cristo, que foi freira no Convento da Esperança, de Ponta Delgada, Portugal, batizada em 29 de setembro de 1680 pelo Capitão João Borges em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padre Lázaro Pereira fez os exorcismos, e o padrinho de batismo foi o mesmo Capitão João Borges;

           2- Bárbara Rosa de Jesus, batizada em 14 de dezembro de 1681 pelo Padre Manoel de Sampaio em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o padrinho de batismo foi o Capitão Agostinho de Medeiros.  

           3- Antônia da Câmara, batizada aos 06 de novembro de 1683, pelo Padre Manoel Alves Cabral em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, sendo Padrinho o Capitão Jerônimo da Câmara Coutinho, esposo de sua tia paterna em 2º grau Bárbara Lobo Cabral, esta Irmã de Isabel do Amaral Lobo, avó paterna.   
   
           4- André Pereira da Câmara e Amaral, batizado em 06 de dezembro de 1685 pelo Padre Lázaro Pereira da Silveira em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e os padrinhos de batismo foram o tio materno Gonçalo Pereira da Câmara e a avó materna Maria Leite da Câmara.

           André Pereira da Câmara e Amaral contraiu matrimônio na idade de 23 anos em 12 de abril de 1708, na Freguesia de São Pedro de Ponta Delgada com Maria da Silva Câmara, filha de Gonçalo da Câmara da Silva e de Mariana de Gusmão, e o casamento foi celebrado pelo Padre Gonçalo Pereira da Câmara, tio materno, e as testemunhas foram o Capitão Bento Pacheco da Mota e o Capitão Rui Pereira do Amaral. André Pereira da Câmara e Amaral foi o penúltimo filho do casal Francisco Pereira do Amaral com a 1ª esposa Josefa da Câmara Pereira, já que esta faleceu de parto aos 29 de janeiro de 1688, e por alguma razão desconhecida Manoel Raposo da Câmara mesmo tendo sido o último filho do referido casal Francisco Pereira do Amaral e Josefa da Câmara, teve direito a herdar as rendas do Morgadio, quando na realidade o direito a herança era relativo apenas ao filho mais velho do referido casal na linhagem masculina, e André Pereira da Câmara era 1 ano mais velho do que o seu irmão Manoel Raposo da Câmara.

           05- Manoel Raposo da Câmara, nascido em 1686, batizado aos 23 de dezembro de 1686 na Freguesia de São Sebastião de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Região dos Açores, Portugal, e falecido no Estado do Rio Grande do Norte talvez no ano de 1765 com a possível idade de 79 anos, casado na provável idade de 23 anos em 06 de outubro de 1709 na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Natal – RN com Antônia da Silva, com cerca de 14 anos na ocasião do matrimônio, batizada aos 24 de janeiro de 1696 em Natal - RN, e falecida em 25 de julho de 1785 na idade de 90 anos, filha do Alferes Antônio da Silva de Carvalho e de Suzana de Oliveira de Melo.
   
         II- Filhos do 2º casamento de Francisco Pereira do Amaral e sua segunda esposa Vitória de Bittencourt:


        1- José Pereira do Amaral, batizado em 26 de março de 1689 pelo Padre Pedro Botelho de Azevedo em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padrinho de Batismo foi o Capitão Agostinho de Medeiros de Albuquerque.

        2- Francisco Pereira de Bittencourt, nascido em 1690 e falecido em 29 de novembro de 1753 com 63 anos de idade, batizado em 28 de abril de 1690 pelo Padre Pedro Botelho de Azevedo em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padrinho de Batismo foi o Capitão Agostinho de Medeiros de Albuquerque.

        Francisco Pereira de Bittencourt contraiu 1º matrimônio aos 24 de julho de 1715 com Francisca Antônia de Medeiros, batizada em 02 de junho de 1687 em Ponta Delgada e falecida em 05 de abril de 1735, filha de Francisco da Costa Coutinho e de Bárbara Muniz de Medeiros, e o casamento foi celebrado pelo Padre Cristovão Soares de Melo, e as testemunhas foram Francisco Raposo e Agostinho Pacheco.

        Francisco Pereira de Bittencourt contraiu 2º matrimônio aos 26 de maio de 1737 com Bárbara Francisca de Medeiros, falecida em 30 de agosto de 1758, já viúva de Francisco Rodrigues, e filha de Manoel de Paiva Homem e de Ângela de Medeiros, e o casamento foi celebrado pelo Padre André Martins de Vasconcelos, e as testemunhas foram o Padre Antônio de Medeiros e Vasconcelos e Sebastião do Rego.

        3- Rosa Pereira de Bittencourt e Sá, batizada em 22 de dezembro de 1691 pelo Padre Antônio Carrero em Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Portugal, e o Padrinho de Batismo foi Lourenço Pereira. Contraiu matrimônio com Manoel Vieira.    
    
            Nos artigos de Luís da Câmara Cascudo ele analisa a hipótese do português Miguel Raposo de Melo ter sido parente bem próximo de Manoel Raposo da Câmara, talvez irmão ou primo legítimo.

            Na realidade o português Miguel Raposo de Melo é natural do mesmo lugar que Manoel Raposo da Câmara, mas não existiu parentesco próximo entre eles.

            Veja a genealogia do português Miguel Raposo de Melo: Nascido em 1694 e falecido em 16 de fevereiro de 1763 com 69 anos de idade no Estado do Rio Grande do Norte, foi batizado aos 21 de fevereiro de 1694, era filho de João Cabral, batizado aos 01 de junho de 1664, e de Maria Pacheco, casados em 22 de maio de 1688, neto paterno de Sebastião Vieira, batizado em 24 de janeiro de 1638, e de Isabel Cabral de Melo, casados em 04 de agosto de 1661, neto materno de Antônio Pacheco e de Luzia Raposo, Bisneto Paterno (Pela parte do avô) de André Gonçalves e de Maria Alves, casados em 04 de outubro de 1629, Bisneto Paterno (Pela parte da avó) de Matias Cabral e de Maria de Morim, casados aos 16 de janeiro de 1622, Bisneto Materno (Pela parte do avô) de João de Melo e de Maria Pacheco.

           A descendência do português Miguel Raposo de Melo no geral é desconhecida, já que se conhece apenas o nome de 3 filhos, e eles foram do 1º matrimônio dele, e já do 2º matrimônio  não se sabe o nome de nenhum filho.

          O português Miguel Raposo de Melo casou em 1º matrimônio aos 25 de outubro de 1723 na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Natal com Maria José de Oliveira, filha de Matias Quaresma e de Águida de Oliveira, em presença das testemunhas Alferes Vicente Dias da Nova, o Capitão Pedro Gonçalves da Nova, Antônia da Silva (Esposa do português Manoel Raposo da Câmara), e Inácia de Oliveira (Esposa do Cabo José da Rosa), e o celebrante do casamento foi o Padre Matias Florêncio.

         O português Miguel Raposo de Melo casou em 2º matrimônio aos 09 de maio de 1748 com Catarina Cardoso, natural de Recife – PE, filha de Manoel Pacheco e de Antônia de Freitas, e as testemunhas foram Inácio de Souza Rocha Branco e Manoel Roldão.

         Do 1º casamento de Miguel Raposo de Melo com Maria José de Oliveira se conhece três filhos abaixo citados:     

          a) Antônio Raposo de Melo, que casou em 03 de junho de 1749 com Tereza Maria, falecida em 24 de julho de 1790, filha de Francisco Pinto e de Plácida Rodrigues de Melo. 
         b) Valentim Raposo de Melo, casado em 05 de julho de 1758 com Maria do Rosário, filha de Matias Ferreira da Costa e de Luíza Maria do Desterro, casados em 28 de janeiro de 1737, neta paterna de Dionísio da Costa e de Madalena Martins, e neta materna de João Ferreira e de Tereza de Jesus de Andrade.

         c) Tereza Antônia de Jesus, casada em 26 de novembro de 1755 com Manoel de Araújo, natural do Estado de Pernambuco, filho de Manoel de Araújo Baracho e de Antônia de Freitas.

         Encontrei o registro de casamento do Capitão de Infantaria José Barbosa de Gouveia, nascido por volta de 1716 e falecido aos 28 de janeiro de 1796 com a idade aproximada de 80 anos, português que veio para o Brasil, onde casou com Quitéria Tereza de Jesus, e o casal foram os Avós Paternos do Capitão de Infantaria Vicente Ferreira Nobre.


        Interessante observar como o fazer genealógico pode ser complicado: Os pais do Capitão José Barbosa de Gouveia não tinham o sobrenome Gouveia, que foram Domingos Barbosa Correia e Antônia de Souza Rangel, que foi batizada em 04 de março de 1684, casados em 09 de fevereiro de 1707, mas o avô paterno tinha o sobrenome GOUVEIA, que foi Roque de Gouveia, batizado em 24 de agosto de 1639, que casou em 28 de dezembro de 1670 com Iria de Benavides, batizada em 20 de maio de 1649. Genealogia é difícil e foge um pouco da compreensão e da lógica, já que nem sempre os sobrenomes dos filhos eram os mesmos sobrenomes dos pais, e na genealogia antiga as coisas eram assim mesmo.