quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O antigo Solar do Governador Tavares de Lyra

Aspecto da então Avenida Junqueira Ayres tomada pelos retirantes da seca em 1904, ao fundo o Solar do Governador Tavares de Lyra em seu estilo original.

O jornalista e pesquisador, Eduardo Alexandre Garcia (Dunga), divulgou uma notícia alvissareira no último dia 20 de janeiro. Dunga confirmou que a Assembleia Legislativa do Estado adquiriu o casarão, hoje abandonado e descaracterizado, pertencente Arquidiocese de Natal, onde morou o escritor e político Augusto Tavares de Lyra, durante o seu mandato de governador do Rio Grande do Norte, em 1904-1906.

Em 2013, quando lancei o meu livro biográfico Augusto Tavares de Lyra em vários tons, decidi que a capa fosse exatamente a imagem do casarão, pois pretendia chamar a atenção para o abandono que se encontrava o solar de Tavares de Lyra.

O casarão integrava o complexo de prédios pertencentes a Fábrica de Fiação e Tecidos Natal e foi cedido por sua proprietária, Inês Augusta Paes Barreto, ao casal de sobrinhos: Augusto e Sofia Eugênia Tavares de Lyra, que residiam no Rio de Janeiro onde Tavares de Lyra era Deputado Federal. Quando o Deputado retornava ao Estado, hospedava-se na casa da família em Macaíba, mas quando eleito governador estabeleceu residência na capital.

Os herdeiros de Juvino e Inês Paes Barreto venderam a fábrica em 1925 a Francisco Solon. O imenso terreno foi repartido em lotes, pelo que a casa foi apartada e vendida ao médico José Calixtrato Carrilho de Vasconelos. Sua viúva Idalina Pereira Carrilho faleceu no casarão no dia 13 de janeiro de 1950. O imóvel foi herdado pela filha única do casal Alice Carrilho de Góis que juntamente com o marido professor Ulisses Celestino de Góis, em 1979, repassaram a casa para a Arquidiocese de Natal que utilizou parte do terreno para construir a Escola Técnica de Comércio, hoje Faculdade Dom Heitor Sales.

Foi naquele casarão que o jovem governador Augusto Tavares de Lyra, aos 32, assistiu a chegada de centenas de sertanejos fugidos da grande seca que assolou o Rio Grande do Norte entre 1904-05, fato registrado em antológica fotografia do alemão Bruno Bourgard e guardada no acervo documental do governador. Também foi naquele casarão que o governador Tavares de Lyra, pesquisou e escreveu suas notas e apontamentos acerca da chamada “Questão de Grossos”, uma disputa territorial entre o Ceará e o Rio Grande do Norte.

O governador assumiu pessoalmente a pesquisa historiográfica que possibilitou ao advogado Ruy Barbosa escrever as suas Razões Finais, que legitimou os direitos do RN sobre o território de Grossos.

O depoimento da escritora Sophia Augusta Tavares de Lyra, filha primogênita do governador, que, em 1984, visitou o Rio Grande do Norte, e fez fotos em frente ao casarão, indicando aos seus familiares potiguares e a pessoas da família Cascudo como sendo a antiga residência de seus pais em Natal, inclusive afirmando que a “casa sempre foi térrea”, fato que agradou a sua mãe que devido a problemas de saúde não podia subir escadas.


A aquisição do imóvel pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte para a instalação do Memorial do Legislativo Potiguar, significa a restituição material de um patrimônio arquitetônico e histórico ao corredor cultural da Avenida Câmara Cascudo em toda sua dignidade e nos toca pela sensibilidade do ato, que vem a dignificar aquela casa legislativa que teve em Augusto Tavares de Lyra o construtor da primeira sede exclusiva para o poder legislativo estadual. 

Detalhe de cartão postal que mostra o solar de Tavares de Lyra em sua fábrica original.

Nos anos 1950 o casarão já possui as características atuais.

A escritora Sophia Augusta Tavares de Lyra, primogênita do governador, visitou o antigo Solar em 1984.


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