terça-feira, 25 de abril de 2017

André de Albuquerque Maranhão: herói e mártir da liberdade no RN

André de Albuquerque Maranhão, desenho e pintura.

O Rio Grande do Norte possui seus heróis e mártires, que pagaram com suas vidas o sonho da liberdade, personificados em Padre Miguelinho e André de Albuquerque Maranhão, imolados na revolução de 1817. Alberto Maranhão em importante trabalho histórico sobre a Revolução de 1817, assim se expressa acerca da figura de André de Albuquerque: “(...) homem simples e bom, abandonado e traído, destaca-se, aureolado pelo martírio e engrandecida pela covardia dos seus cúmplices (...)”.  E sobre Padre Miguelinho: “A ação do Miguelinho foi principalmente no Recife e o seu nome está intimamente ligado a revolução ali”.

O poeta e escritor Sanderson Negreiros disse sobre André de Albuquerque que “é citado hoje apenas porque é nome de uma das praças mais conhecidas do Natal. Contudo, permanece desconhecido inteiramente pelo que realmente representou na história potiguar”. É esse desconhecimento que pretendemos suprir com o presente artigo.

Nascido no tradicional Engenho Cunhaú, então freguesia de Goianinha, atualmente Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Canguaretama, na região Agreste do Rio Grande do Norte, no ano de 1773, não sendo possível a localização do seu batistério, nos baseamos em seu depoimento datado de 27 de maio de 1801, no Recife, onde declarou ter 28 anos. Foram seus pais André de Albuquerque Maranhão e D. Antônia Josefa do Espírito Santo Ribeiro.

Era neto paterno de Gaspar de Albuquerque Maranhão e Luzia Vieira de Sá; e maternos João Ribeiro Leitão e Francisca da Nóbrega. Teve os seguintes irmãos: Luzia Antônia de A. Maranhão, casada com o primo José Ignácio de Albuquerque Maranhão, (José Inácio de Belém, seu engenho); Antônia Josefa de A. Maranhão casada com o primo André de Albuquerque Maranhão (André de Estivas, seu engenho); Josefa Antônia de A. Maranhão casada com o primo João de Albuquerque Maranhão (João de Miriri, seu engenho, na Paraíba).


Antiga imagem da Casa Grande e ruínas da Capela de Nossa Senhora das Candeias de Cunhaú, lugar do nascimento de André.


Estudou humanidades em Natal com o professor Antônio Carneiro de Albuquerque Gondim e realizou viagens a Portugal e ao Rio de Janeiro, segundo apurou Augusto Tavares de Lyra. Passava temporadas no Recife, tratando de seus negócios, lá foi iniciado na Loja Maçônica Paraíso e participou ativamente da conspiração dos irmãos Suassunas. Mantinha correspondência com os homens mais proeminentes de sua época, tendo em vista ser ele próprio o de maior representatividade no Rio Grande do Norte, herdeiro do morgado de Cunhaú, propriedade de mil tradições históricas.

Voltou ao Rio Grande do Norte com o falecimento de seu pai, ocorrido em 1806, e assumiu a direção da Casa de Cunhaú, conglomerado de engenhos e fazendas espalhados pelo Rio Grande do Norte, Pernambuco e Paraíba. Fazendeiro e criador nas ribeiras do Seridó Potiguar, senhor de engenho na região agreste e no litoral, residia na imensa casa-grande de Cunhaú, onde vivia fidalgamente. A mais antiga e nítida notícia que temos sobre André é o depoimento de Henry Koster, que viajava por terra de Recife ao Ceará. É o documento único que nos resta da fisionomia do senhor de Cunhaú:

O Coronel é homem de cerca de trinta anos de idade, bem feito e de altura um pouco acima da mediana. Suas maneiras são corteses como as de todos os brasileiros bem educados. Mora em suas propriedades e possui numerosos servidores. Comanda um regimento de Milícias no Rio Grande e o mantém em boa ordem: teve atenção ao estado do país. Veio ao meu encontro quando apeei, e apresentando-lhe as minhas cartas, ele as pôs de parte para ler noutra ocasião. Convidou-me a sentar e endereçou-me várias perguntas sobre o fim de minhas viagens. Conduziu-me depois aos aposentos destinados aos hóspedes, perto do seu próprio quarto, onde achei boa cama. Deram-me bacia com água morna e tudo que me era preciso me foi servido num relancear de olhos. Tinha tudo ares de magnificência e até as toalhas de mão eram guarnecidas de franjas.

Acabada a minha toilette, esperei que logo seria chamado para a ceia, mas com grande espanto meu só à uma hora da madrugada veio um criado convidar-me. Achei, numa vasta sala de jantar, uma grande mesa servida e coberta de muitas iguarias, em quantidade suficiente para fartar vinte pessoas. Tomaram parte neste banquete o Coronel, o Capelão, um outro sujeito e eu. Quando já satisfizera plenamente o apetite, fiquei bastante surpreendido por ver chegar outro abundante serviço e ainda depois deste um terceiro, composto de doces de dez qualidades, pelo menos. A ceia não podia ser melhor nem mais opulenta e asseada do que se fosse preparada no Recife.

Ainda em outro autor, o padre Joaquim Dias Martins, retrata André de Albuquerque através da seguinte nota, classificando-o, já em 1853 como herói:

Varão perfeito na sua moral, ainda reunindo as vantagens do celibato com o favor da economia doméstica, e obediência a sua velha e venerável mãe, cheio de vigor e aparências juvenis na idade de 40 anos, realçava tantas e tão belas qualidades com popularidade imensa, não só na província e em todas as convizinhas, mas em toda a parte onde era conhecido. (...) O nome do nosso herói, realçado pelo gênio da Liberdade, obrava tão magicamente, que a revolução da capital foi reconhecida, e obedecida geralmente sem encontrar resistência.

Em 1817, a então capitania do Rio Grande do Norte era governada por José Ignácio Borges, pernambucano, coronel de milícias, que segundo Alberto Maranhão:

(...) era medianamente instruído e faltava-lhe as vantagens de qualquer educação cientifica; possuía, porém, grande tino e não era estranho ao movimento libertador (...) a sua ambição, no entanto, levou-o a desmentir as esperanças que os patriotas tinham na sua adesão ao movimento de Pernambuco. Sem fortuna e sem nobreza de nome (...) sempre ambicionou a sua elevação pessoal, e o posto de tenente coronel, cavalheiro da Ordem de Cristo, e governador de uma província já lhe era satisfação (...) as vantagens que lhe poderiam advir da sua adesão ao novo governo democrático eram problemáticas e requeriam sacrifícios imediatos, que o seu egoísmo repelia.

Contudo, a amizade pessoal entre José Ignácio Borges e o padre João Ribeiro Pessoa, um dos líderes do movimento em Recife, alimentaram a esperança dos revolucionários pernambucanos em ver um dos seus liderar a revolução no Rio Grande do Norte e imediatamente enviaram-lhe correspondência pondo-o a par dos novos acontecimentos e concitando-o a aderir. José Ignácio Borges dirige-se, secretamente, ao engenho Cunhaú acompanhado por Antônio Ferreira Cavalcante, capitão-mor da Vila do Martins e outros, na tentativa de obstar a propagação do movimento emancipador.

Procurou entender-se com o coronel André de Albuquerque Maranhão, comandante do Regimento da Legião Sul, “(...) que gozava de muito prestigio e vasto influência na província (...) poderoso e respeitado pela sua grande riqueza e querido do povo pelo seu generoso coração”, buscando aliciá-lo e obter o seu apoio na apostasia ou sendo isso impossível “persegui-lo e aniquilá-lo”.

José Ignácio Borges não encontrou o coronel André em Cunhaú, que simultaneamente ao governador, também recebera comunicação do Recife, através de seu primo e cunhado João de Miriri, capitão-mor da Paraíba, participando-o da eclosão da revolução. O governador foi informado que o senhor de Cunhaú havia seguido para sua casa em Goianinha, onde morava a maioria dos oficiais e soldados do seu regimento objetivando instruir a milícia predispondo-a para a luta. Os dois se encontraram, jantaram e conversaram demoradamente. Depois o governador se retirou para Natal, pernoitando no engenho Belém, propriedade de Luís de Albuquerque Maranhão.


Antigo prédio da Casa de Câmara e Cadeia do Natal, onde André de Albuquerque foi preso, ferido e jogado de uma das janelas.


O padre Antônio de Albuquerque Montenegro, amigo e confessor de Andrezinho, foi visitá-lo para se inteirar da conversa entre seu amigo e o governador e ficou sabendo da tentativa de aliciamento e revoltou-se, repreendendo André por não ter prendido o aliciador, quando, segundo Muniz Tavares, exclamou:
Já que não aproveitas-te a ocasião favorável, não vos resta outra alternativa senão segui-lo no momento com escolta fiel e prendê-lo onde o encontrardes, ou sujeitar-vos a fazer com o vosso cadáver a escada da sua fortuna; e vos direi, que se este último caso sucedesse, a Pátria vilipendiada teria em externa execração a vossa memória.

Em seguida o capitão-mor José Inácio de Albuquerque Maranhão recebeu as instruções do cunhado Andrezinho, para que remetesse suas tropas de Cunhaú para Belém a fim de auxiliar na prisão do governador. Na noite do dia 24 de março, José Inácio recebeu o seu irmão João Miriri em casa, onde organizaram víveres e munições para a tropa.

Convocando aos seus oficiais e soldados de maior confiança, o senhor de Cunhaú segue para Baldum, onde a ele se juntou cerca de 150 índios, mais os milicianos do seu primo André das Estivas e marcharam para o engenho Belém alcançando-o ainda pela madrugada e cercando-o com as tropas. Pela manhã, ao lado de dois oficiais e sob as vistas do proprietário, André deu voz de prisão ao governador, que segundo o depoimento de André das Estivas, teria afirmado: “continue com a sua movimentação, senhor coronel”, fato que deixou o depoente surpreso. João de Miriri foi quem conduziu o governador do Rio Grande do Norte ao Recife, tendo José Ignácio solicitado entrar no Recife pela madrugada, sem despertar a atenção dos conterrâneos, certamente decepcionados com a sua atuação. O capitão-mor atendeu ao pedido do preso e o levou pela madrugada para a prisão na Fortaleza das Cinco Pontas.

Seguiram para a vila de São José de Mipibú os primos Albuquerque Maranhão e na frente da matriz fizeram pronunciamento pela liberdade, jogando ao chão as insígnias reais da Ordem de Cristo e rasgando as patentes militares e títulos de fidalguia, fatos mais tarde lembrados no depoimento de André de Estivas.

Marcharam em seguida para Natal, parando no lugar Parnamirim, próximo de uma lagoa onde André de Albuquerque mais uma vez discursou para animar a tropa e falou de liberdade. Marcharam para Natal onde entraram às oito e meia da manhã, sendo recebidos pelo capitão Antônio Germano Cavalcante, comandante da Tropa de Linha, responsável pela guarda da cidade. Todos caminharam pela cidade dando vivas a Liberdade, a Religião e a Pátria! Na praça da matriz, André de Albuquerque hasteou a bandeira branca, símbolo da liberdade e que ficou sendo a nossa bandeira.

Além da tropa de 100 homens de André de Cunhaú, seguia com eles uma “grande guarda de índios, levantando voz à liberdade”. Dos parentes presentes estavam Luís de Belém, André das Estivas, Manoel Luís, João Miriri Júnior, cada qual com um regimento miliciano de sua responsabilidade.

À noite, segundo relatos do depoimento de André de Estivas, renderam graças a Deus através do Te Deum Laudemos, na matriz de Nossa Senhora da Apresentação e houve banquete comemorativo na Casa da Câmara, durante o qual Andrezinho se referiu aos “10 anos de segredo da revolução”.

Na manhã do dia 29 de março de 1817, André de Albuquerque convocou a todos para diante do Real Erário instituir oficialmente o novo governo e designou as seguintes personagens para compô-lo: capitão Antônio Germano Cavalcanti de Albuquerque, Pe. Feliciano José Dornelas, Antônio da Rocha Bezerra, Cel. Joaquim José do Rego Barros e Pe. Manoel Pinto de Castro, que secretariou. Apontado os nomes, André perguntou ao povo reunido se concordava com os mesmos ou se tinham algo contra que apresentassem ao que todos concordaram.

Estabelecido o Governo Provisório, André de Albuquerque passa a tomar as iniciativas para o estabelecimento da nova ordem. Ordena que a tropa abandone as suas insígnias e solicita a Antônio Germano o orçamento para uma nova farda. Envia emissários aos estados vizinhos relatando a adesão de sua terra à revolução. Aboliu todas as insígnias reais existentes em prédios públicos e manda que se recolhessem todos os hábitos das Ordens portuguesas. Por fim, André de Albuquerque, segundo o depoimento do governador do Ceará, estava disposto e mesmo animado a invadir o Ceará, pela cidade do Aracati, o governador então destacou uma tropa para a fronteira com o Rio Grande, André, vendo-se sem número suficiente de soldados, adia a empreitada e pede reforços a Pernambuco. Os outros integrantes do Governo Provisório observaram o recuo do chefe e logo começaram a espalhar a notícia de que uma tropa realista do Ceará avançava sobre o Rio Grande e confiados no Ceará iniciaram, ocultamente, a contra-revolução.

André havia enviado seu primo Manuel Januário Bezerra Cavalcanti, apelidado o “cadete”, ao Ceará fazer a propaganda da revolução, tendo Manuel Januário conseguido atravessar tranquilamente o Ceará e alcançado o Piauí, “espalhando princípios e papéis revoltosos”. Avisado que o governador do Ceará ia prendê-lo, Manuel Januário voltou ao Rio Grande refugiando-se no Martins, tendo sido presos dois dos seus guias em terras cearenses, cansados da fuga.

No dia 30 de março chega a Natal a tropa paraibana de 60 homens comandada pelo jovem José Peregrino Xavier de Carvalho, enviado pelo Governo Provisório Pernambucano, a pedido do capitão-mor da Paraíba João de A. Maranhão, para ajudar na tomada do Rio Grande do Norte. É o próprio José Peregrino quem escreve ao governo relatando sua participação nos eventos:

Patriotas do Governo Provisório

Em consequência do ofício de que vos envio cópia fui encarregado de marchar para esta província a fim daqui, unido ao Patriota André de Albuquerque levantar estandarte da liberdade. Chegando em Belém encontro o ex-Governador José Inácio Borges, prisioneiro, e notícias de estar já consumada uma grande parte da minha comissão.

Continuando a minha marcha até a Capital desta província tive o regozijo de ver já instalado o novo Governo Provisório, extinto o despotismo, e tremular no meio desta praça a bandeira da liberdade. Parece pois estar acabada a minha comissão, todavia se exigências do serviço da Pátria pedem aqui a minha demora, eu sou muito contente de a ter e de cooperar com as minhas forças para o bom êxito da obra que começastes, porém bem sabeis que sou responsável do governo da minha província, por todo e qualquer procedimento militar. Portanto peco-vos que me determineis se devo demorar-me ou não e no primeiro caso não só exige que me expendais as razões, que urgem a minha demora como que oficieis ao governo da minha província, participando-lhe todas elas, sendo isto com a maior possível brevidade. Os céus vos guardem por muitos anos.

Quartel da cidade do Rio Grande do Norte, 31 de março de 1817. O primeiro da independência. (a.) José Peregrino Xavier de Carvalho Tenente Coronel da Legião Patriota da Província da Paraíba.

Mal José Peregrino e sua tropa de 50 homens passavam a fronteira com a Paraíba, o povo, animado pelo vigário Feliciano José Dornelas, “até em confessionário” e o capitão Antônio Germano que insuflava a tropa à resistência, invadiram as ruas e se dirigiram a praça onde desfraldaram a bandeira real portuguesa, queimando a bandeira branca da liberdade, era o dia 25 de abril de 1817. Segundo uma testemunha ocular dos fatos, d. Joana Alexandrina de Souza, que os relatou a Alberto Maranhão, um grupo subiu as escadas do palácio e surpreende André e o Pe. João Xavier Damasceno trabalhando. O capitão Antônio Germano intima-lhe prisão e ordena que dê vivas ao rei, perguntando-lhe na velha praxe habitual: “Quem vive?”, ao que André responde: “Viva a Pátria!”, “Viva a Liberdade!”.  Cheio de raiva, Antônio Germano, segundo Martins, “atraiçoa e mata covardemente o herói da liberdade”.

O fato defendido pelo padre Dias Martins de ter sido Antônio Germano o assassino de Andrezinho de Cunhaú, encontra guarida na própria defesa de Germano, apresentada pelo seu advogado que declarou na contra-revolução não se perdeu uma vida, “a exceção do detestável chefe da rebelião, preso pelo réu Antônio Germano, executor, agente e cabeça daquela gloriosa ação”.

Ainda segundo o testemunho do Pe. Joaquim Dias Martins:

Moribundo e palpitante foi arrojado pela janela, e recebido na rua pela multidão amotinada, já sedenta de beber-lhe o sangue e de despedaçar-lhe o cadáver. Os gritos - morra o tirano, morra a liberdade, seja despedaçado o monstro, viva o Senhor D. João VI, foram por ele ainda ouvidos, e tudo seria executado no mesmo instante, se não obstasse a interseção do seu venerável colega, o vigário da cidade Dornelas (...) correu ao lugar do martírio, clamando a multidão: 'filhos, em nome de Jesus Cristo, deixai-me ministrar os últimos sacramentos a um filho da igreja Romana'. Com dificuldade lh’o concederão, e somente, depois de lhe haverem lançado às mãos e pés algemas e grilhões!! Tal era o terror que, ainda moribundo, incutia o pai da liberdade.

Alberto Maranhão fixou uma nota sobre a cela onde morreria André, destruída anos depois, durante uma reforma na fortaleza:


É assim que se diz-se ter sido conduzido aquele mártir rio-grandense, ainda semi-vivo, para a fortaleza dos Reis Magos, onde morreu (...) numa masmorra infecta que existiu até 1894, quando foi mandada obstruir pelo capitão Dr. Autuliano Lins, que dirigiu, naquele ano, as obras de reconstrução do forte dos Reis Magos.

O termo de óbito do coronel André de Albuquerque Maranhão encontrava-se em um livro de assentamentos de óbitos coloniais, arquivado desde 1912, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, através doação feita por Dom Joaquim de Almeida, primeiro Bispo de Natal, de todos os livros de assentamentos paroquiais coloniais. Entretanto, todos os livros foram levados do IHGRN para a Cúria Metropolitana em Natal. Tive a sorte de manusear os livros em 2005, juntamente com Olavo de Medeiros Filho, que me autorizou fotografar a página cuja imagem e transcrição seguem:


Aos vinte e seis de Abril de mil oitocentos e dezasete faleceo da vida prezente nesta freguesia tendo recebido os Sacramentos de Penitencia e Unção o Coronel André de Albuquerque Maranhão branco solteiro com a idade de quarenta annos, pouco mais ou menos. Foi sepultado nesta Matriz envolto em huma esteira depois de ser encomendado pelo Reverendo Coadjutor Simão Judas Thadeo de minha licença. E para constar fiz este termo que asignei. Feliciano José Dornelles, vigário Collado. (Livro de Assentamentos de óbitos da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Rio Grande, 1760-1850, p. 187v).

André de Albuquerque Maranhão, mesmo tendo sido morto, foi formalmente acusado do crime de Lesa-Majestade (Ordenações Filipinas, título VI, § 5 e §8, e penas §9) ou traição cometida contra a pessoa do Rei ou seu Real Estatuto, tão grave e abominável que os sabedores não só a estranhavam como a comparavam a lepra, segundo as seguintes acusações constantes na folha 504 da devassa principal:
1. Membro do governo provisório;
2. Prendeu o governador da capitania do Rio Grande do Norte;
3. Instalou o governo provisório em Natal, sendo um dos membros;
4. Estava “conluiado” com os parentes para fazer a revolução;
5. Passou ordens e falou a favor da liberdade;
6. Distribuiu lenços brancos, obrigando a pô-los;
7. Subjugou a cidade;
8. Fez falas sediciosas à tropa e ao povo da cidade;
9. Tomou conta do Erário;
10. Obrigou com ameaças a aceitar os nomeados por ele o governo provisório;
11. Entrou com o exercito na cidade com vivas à liberdade;
12. Fez uma fala ao vigário Feliciano José Dornelas para persuadir-se aos fregueses a causa da rebelião.

Já o seu companheiro de prisão padre João Damasceno Xavier de Carvalho, dentre outras acusações que lhe recaíram, destaca-se a de que ele aclamou André de Albuquerque como o “Libertador da Pátria”.

Um outro episódio foi resgatado da tradição tanto por Alberto Maranhão, quanto por Isabel Gondim, que dizem o seguinte, chegado o corpo de Andrezinho na Matriz, João Álvares de Quental subiu em cima do mesmo, esporeando-lhe, enquanto, segundo narra Alberto Maranhão, num movimento de sórdida rapinagem, abaixou-se e despregou da farda de coronel que o corpo de Albuquerque vestia os ricos botões de prata, guardando-os na algibeira do surrado casacão.

Interessante observar uma curiosidade abordada por Alberto Maranhão em seu artigo e que diz respeito aos grilhões que prendiam o morto:


Ao chegar a matriz o corpo de Albuquerque, foram-lhe quebradas a machado as pernas e os braços para que com ele não se enterrassem os grilhões, que eram propriedades do erário real.




O martírio de André em tela de Madé Wainer, 1991.

A Revolução de 1817 depôs o regime absolutista; organizou o primeiro governo autônomo e livre do Brasil; exerceu sua autoridade durante 28 dias e com sentimento de responsabilidade revelou ideais, confessou-se republicana, agiu com bravura, honestidade e energia e pôs em prática, pela primeira vez na América portuguesa, os princípios das Revoluções Americana e Francesa que estavam servindo de roteiro ao esforço libertador desenvolvido pela América espanhola. Nada existe sem que um sonho se transforme numa ideia, e quando sonho e ideia tem compatibilidade a realidade se constrói.

A liberdade, nascida das profundezas do nosso ser, ela tem vindo através das idades, renascendo cada vez mais perfeita e mais bela da luta travada contra os preconceitos de todas as tiranias, dominadora e vitoriosa, sob a forma de liberdade civil, liberdade de pensamento, liberdade de trabalho, liberdade de consciência.

Simples semente ainda ontem mal germinada, cresceu, robusteceu-se, fez-se árvore, flor e fruto, árvore que braceja para o céu, flor que se abre rubra para o sol, fruto sazonado que não tem para nós, os que hoje o saboreamos, o gosto amargo do sangue que o nutriu. Assim, rendo a André de Albuquerque Maranhão, um dos mais puros mártires da liberdade, o culto da nossa saudade e da nossa gratidão.


Na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, em Natal, Paulo Fernando de Albuquerque Maranhão e Anderson Tavares de Lyra, depositam flores no túmulo de André.



quinta-feira, 13 de abril de 2017

Ascendentes de André de Albuquerque Maranhão.

O escritor e genealogista Olavo de Medeiros Filho escreveu em 1991 o livro: Cunhaú à luz de um inventário, onde, entre outros assuntos, abordou a genealogia de costado de André de Albuquerque Maranhão, senhor hereditário da Casa de Cunhaú, focalizando predominantemente sua ascendência paterna. Aqui oferecemos ao nosso leitor a genealogia da forma mais completa que nos foi possível coligir e que retrata tanto o ramo paterno quanto o materno do nosso herói, martirizado há duzentos anos em nome da liberdade.

Como genealogista, tive muita sorte de que meus ramos familiares maternos tenham sido pesquisados ao longo dos anos desde a Nobiliarquia Pernambucana, de Borges da Fonseca até Olavo de Medeiros Filho. Assim, somente pesquisei o que não foi possível a esses autores encontrar, cabendo a eles a nota maior pela pesquisa anteriormente publicizada. Sou descendente de uma irmã de Andrezinho de Cunhaú, de nome Luzia Antônia de Albuquerque Maranhão, sendo, portanto, esta minha ancestralidade também. 

     1- André de Albuquerque Maranhão nascido por volta de 1773 e falecido no dia 26 de abril de 1817, na Fortaleza dos Santos Reis Magos, foi o Chefe da Revolução de 1817 no Estado do Rio Grande do Norte.

       2- Pais de André de Albuquerque Maranhão:

Coronel André de Albuquerque Maranhão, do Engenho Cunhaú, nascido em 1742 e falecido aos 26 de setembro de 1806 com 64 anos de idade, e Antônia Josefa do Espírito Santo Ribeiro, falecida aos 26 de abril de 1817.

      3- Avós paternos de André de Albuquerque Maranhão:

Gaspar de Albuquerque Maranhão e Luíza Vieira de Sá, casados aos 04 de julho de 1719 na Capela de São Miguel em Santo Amaro de Jaboatão – PE.

      4- Avós maternos de André de Albuquerque Maranhão

        João Ribeiro Leitão e Francisca da Nóbrega.

      5- Bisavós paternos de André de Albuquerque Maranhão:

      5.1- Afonso de Albuquerque Maranhão, o 1º do nome, e Isabel de Barros Pacheco, casados em 27 de novembro de 1682, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Olinda, Estado de Pernambuco, pais de Gaspar de Albuquerque Maranhão.

      5.2- João Alves Vieira, natural da Freguesia de Santa Maria de Rebordões do Conselho de Souto de Rebordões, Distrito de Viana do Castelo, Portugal, e Margarida de Sá, natural do Estado de Pernambuco, pais de Luzia Vieira de Sá.

        6- Bisavós maternos de André de Albuquerque Maranhão:

        6.1- Inácio Ribeiro Leitão e Josefa Tereza da Costa, pais de João Ribeiro Leitão.

      6.2- Patrício da Nóbrega de Vasconcelos, natural de Portugal, falecido aos 01 de dezembro de 1762, e Tereza Gomes Correia, pais de Francisca da Nóbrega.

       7- Trisavós paternos de André de Albuquerque Maranhão:

      7.1- Matias de Albuquerque Maranhão, natural do Estado da Paraíba, e Isabel da Câmara, natural do Rio de Janeiro – RJ, pais de Afonso de Albuquerque Maranhão, o 1º do nome.

      7.2- Gaspar da Costa Casado e Brites Gomes Pacheco, casados aos 05 de julho de 1658, pais de Isabel de Barros Pacheco.

    7.3- João Vicente da Nogueira e Catarina Pires, a 2ª do Nome, naturais de Viana do Castelo, Portugal, pais de João Alves Vieira.

      7.4- Capitão Julião de Oliveira, natural da Freguesia de São Tiago de Lanhoso, Conselho de Povoa de Lanhoso, Distrito de Braga, Portugal, batizado aos 15 de fevereiro de 1590, e Maria de Abreu, natural de Lisboa, Portugal, pais de Margarida de Sá.

       8- Trisavós maternos de André de Albuquerque Maranhão:

      8.1- Inácio Ribeiro da Rocha e Maria Leitão, pais de Inácio Ribeiro Leitão.

    8.2- João da Costa Monteiro, natural da Freguesia do Espírito Santo de Vaqueiros, Conselho de Santarém, Distrito de Santarém, Portugal, batizado aos 15 de março de 1683, e Paula Monteiro de Lima, natural da Freguesia de São Pedro Gonçalves, em Recife – PE, batizada aos 30 de outubro de 1690, pais de Josefa Tereza da Costa.

     8.3- Miguel Correia Gomes, natural da Freguesia de São Nicolau, Conselho do Porto, Distrito do Porto, Portugal, e de Catarina Gomes de Figueiredo, natural da Freguesia do Corpo Santo de Recife – PE, casados aos 21 de outubro de 1686 pais de Tereza Gomes Correia.

       9- Tetravós paternos de André de Albuquerque Maranhão:

       9.1- Capitão Jerônimo de Albuquerque Maranhão, Fundador da Casa de Cunhaú e também foi o FUNDADOR DA FAMÍLIA ALBUQUERQUE MARANHÃO, natural do Estado de Pernambuco, nascido em 1548, e falecido em 18 de fevereiro de 1618, e Catarina Pinheiro Feio, pais de Matias de Albuquerque Maranhão.

     9.2- Pedro Gago da Câmara, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Estrela, Conselho da Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, Região dos Açores, Portugal, nascido possivelmente por volta de 1562, batizado aos 16 de dezembro de 1562, e Isabel de Oliveira, natural do Espírito Santo, indo depois para o Rio de Janeiro – RJ, pais de Isabel da Câmara.

     9.3- Martim da Costa Casado e Isabel de Barros Pinheiro, naturais de Foz do Lima, Viana do Castelo, Portugal, pais de Gaspar da Costa Casado.

      9.4- Braz Coelho Pacheco e Grácia Gomes, pais de Brites Gomes Pacheco.

     9.5- Francisco Vicente e Maria Alves, naturais de Viana do Castelo, Portugal, pais de João Vicente da Nogueira.

      9.6- Antônio Afonso e Catarina Pires, a 1ª do nome, pais de Catarina Pires, a 2ª do nome.

      9.7- Mateus Francisco, natural da Freguesia de Lanhoso, Conselho de Póvoa de Lanhoso, Distrito de Braga, Portugal, pai do Capitão Julião de Oliveira.

      9.8- Francisco Camelo de Andrada e Maria Ventura Botelho, naturais de Portugal, pais de Maria de Abreu.

       10- Tetravós maternos de André de Albuquerque Maranhão:

       10.1- Domingos Alves da Guerra e Andreza Leitão, pais de Maria Leitão.

      10.2- Luiz Mendes, natural da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Louriceira, Conselho de Alcanede, Distrito de Santarém, Portugal, batizado aos 12 de março de 1658, e Vitória da Conceição, batizada aos 26 de dezembro de 1664 na Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Louriceira, casados aos 01 de novembro de 1677 na Freguesia do Espírito Santo dos Vaqueiros, Distrito de Santarém, Portugal, pais de João da Costa Monteiro.

    10.3- Antônio Alves de Lima, natural da Freguesia de São Mamede do Arcozelo, Conselho de Barcelos, Distrito de Braga, Portugal, batizado aos 18 de dezembro de 1649, e Mariana Monteiro, natural de Recife – PE, pais de Paula Monteiro de Lima.

    10.4- Miguel Correia, natural da Freguesia de Santa Maria de Sardoura, Conselho de Castelo de Paiva, Distrito de Aveiro, Portugal, e Ana Gomes, natural da Freguesia de Santa Maria da Oliveira, Conselho de Vila Nova de Famalicão, Distrito de Braga, Portugal, pais de Miguel Correia Gomes.

     10.5- Pantaleão Fernandes de Figueiredo, natural da Freguesia da Sé, Conselho do Porto, Distrito do Porto, Portugal, e Maria Gomes, natural do Rio Formoso da Pedra de Santa Inês, Freguesia de Serinhaém, Estado de Pernambuco, pais de Catarina Gomes de Figueiredo.

      11- Pentavós paternos de André de Albuquerque Maranhão:

      11.1- Jerônimo de Albuquerque, natural de Portugal, nascido provavelmente por volta de 1510 e falecido aos 25 de dezembro de 1584 com 74 anos de idade em Olinda – PE, e a índia Maria do Espírito Santo Arcoverde, pais de Jerônimo de Albuquerque Maranhão.

    11.2- Antônio Pinheiro Feio, natural de Portugal, e Leonor Guardez, pais de Catarina Pinheiro Feio.

     11.3- Gaspar Martins e Senhoresa da Costa, falecida aos 27 de agosto de 1589 na Freguesia de São Pedro da Ribeira Seca, Conselho da Ribeira Grande, Ilha de São Miguel, naturais de Portugal, pais de Pedro Gago da Câmara.

      11.4- Lopo Fernandes Carneiro, português, chegou ao Brasil fugindo da Inquisição em Portugal por ser Judeu, fixando-se inicialmente no Espírito Santo, onde teve um relacionamento com uma indígena, indo posteriormente para o Rio de Janeiro,  pai de Isabel de Oliveira.

     11.5- Bartolomeu Gonçalves Santiago e Isabel da Costa Casada, naturais de Viana do Castelo, Portugal, pais de Martim da Costa Casado.

     11.6- Francisco de Barros e Brites Alves Pinheiro, naturais da Vila de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, Portugal, pais de Isabel de Barros Pinheiro.

     11.7- Simão Alves Pacheco e Maria Lopes Pereira, naturais do lugar de Vila Verde, Freguesia de Unhão, Conselho de Felgueiras, Distrito do Porto, Portugal, pais de Braz Coelho Pacheco.

     11.8- Pedro Álvares, natural da Freguesia do Castelo, Conselho de Barcelos, Distrito de Braga, Portugal, e Luzia Gomes, natural de Foz do Lima, Viana do Castelo, Portugal, pais de Grácia Gomes.

      11.9- Diogo Vaz e de Isabel Ventura, naturais de Figueiró dos Vinhos, Distrito de Leiria, Portugal, pais de Maria Ventura Botelho.

      12- Pentavós maternos de André de Albuquerque Maranhão:

      12.1- Francisco da Guerra e Maria Alves, pais de Domingos Alves da Guerra.

      12.2- Antônio Leitão Arnoso e Úrsula Lopes, pais de Andressa Leitão.

      12.3- João Mendes Branco, batizado aos 05 de dezembro de 1621 na Freguesia de Nossa Senhora das Graças do lugar de Bugalhos de Torres Novas, Alcacena, Distrito de Santarém, Portugal, e de Joana da Costa, natural da Louriceira, Conselho de Alcacena, Distrito de Santarém, Portugal, casados aos 13 de julho de 1649 na Freguesia da Louriceira, pais de Luiz Mendes.

     12.4- Manoel Rodrigues, batizado aos 06 de janero de 1625 na Freguesia de Vaqueiros, e Maria Francisca, batizada aos 26 de março de 1630, naturais de Portugal, pais de Vitória da Conceição.

     12.5- Baltazar Gonçalves de Lima, natural da Freguesia de Calheiros, Conselho de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, e Maria Mendes Pereira, batizada aos 08 de setembro de 1620, casados aos 30 de setembro de 1645 na Freguesia de São Mamede de Arcozelo, Conselho de Barcelos, Distrito de Braga, pais de Antônio Alves de Lima.

       12.6- Domingos Monteiro de Oliveira e Maria Dias Vieira, pais de Mariana Monteiro.

      12.7- Belchior Fernandes e Cecília Gomes, naturais de Portugal, pais de Pantaleão Fernandes de Figueiredo.

      13- Hexavós paternos de André de Albuquerque Maranhão:

      13.1- Lopo de Albuquerque e Joana de Bulhão, naturais de Portugal, pais de Jerônimo de Albuquerque.

      13.2- Cacique Arcoverde, pai de Maria do Espírito Santo.

      13.3- Francisco Carvalho de Andrade e Maria Tavares Guardez, pais de Leonor Guardez.

      13.4- Estevão Gago da Costa, natural de Portugal, pai de Senhoresa da Costa.

      14- Hexavós maternos de André de Albuquerque Maranhão:

      14.1- Francisco Pereira e Maria de Lima, pais de Francisco da Guerra.

      14.2- Gaspar Gonçalves e Catarina Rodrigues, pais de Maria Alves.

      14.3- Gaspar Antônio Leitão Arnoso e Sabina Leitão, naturais de Portugal, pais de Antônio Leitão Arnoso.

      14.4- Pedro Lopes e Maria Mateus, naturais do Porto, Portugal, pais de Úrsula Lopes.

      14.5- Domingos Fernandes e Domingas Gonçalves, naturais da Freguesia de Calheiros, Conselho de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, Portugal, pais de Baltazar Gonçalves de Lima.

     14.6- Domingos Gonçalves e Maria Gonçalves, casados aos 20 de dezembro de 1617 na Freguesia de Arcozelo, Braga, Portugal, pais de Maria Mendes.

      14.7- Agostinho de Oliveira e Maria Monteiro, pais de Domingos Monteiro de Oliveira.

      15- Heptavós paternos de André de Albuquerque Maranhão:

   15.1- João de Albuquerque e Leonor Lopes de Leão, naturais de Portugal, pais de Lopo de Albuquerque.

      15.2- Afonso Lopes de Bulhão e Isabel Gramacho, naturais de Portugal, pais de Joana de Bulhão.

      15.3- Luiz Gago e Branca Afonso da Costa, naturais de Portugal, pais de Estevão Gago da Costa.

       16- Heptavós maternos de André de Albuquerque Maranhão:

      16.1- Francisco Gonçalves e Maria Gonçalves, solteiros, naturais de Portugal, pais de Domingos Gonçalves.


       16.2- Silvestre Borges e Maria Garcia Gonçalves, solteiros, pais de Maria Gonçalves.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Antônio José Leite do Pinho: ascendentes e descendência parcial.

Casarão onde existiu a residência do coronel Leite do Pinho, depois foi residência do Dr. Nestor dos Santos Lima.

A Revolução de 1817 no Rio Grande do Norte revelou a figura do capitão Antônio José Leite do Pinho integrante do grupo de contra revolucionários que planejou e executou a queda do coronel André de Albuquerque Maranhão.

Antônio José Leite do Pinho era português e foi capitão de milícias e comerciante na Natal do século XIX. No dia 04 de maio de 1827, Antônio José Leite do Pinho, como vereador, oficiou, junto com outros, ao Visconde de São Leopoldo, ministro dos Negócios do império, a defesa do ex-presidente da província do RN, Manoel do Nascimento de Castro e Silva, caluniado perante as autoridades imperiais, segundo o documento.

Quando da invasão do palácio do governo, o então Alferes Leite do Pinho ia a frente do movimento e durante a prisão de Andrezinho de Cunhaú, o cadete Francisco Felipe Pinto cravou-lhe a espada, por baixo da mesa, ante a recusa do senhor de Cunhaú a vivar El Rei, ferimento que acabou por levar a morte ao chefe do governo provisório.

Antônio José Leite do Pinho apareceu na rua mostrando a espada, banhada em sangue, mostrando vangloriado “até onde a espada entrou”. Assumiu o ferimento que matou André de Albuquerque. Não somente isto. Insatisfeito com as outras versões sobre a autoria do atentado foi até o cartório e lavrou um termo de autoria. Foi recompensado com a Ordem de Cristo e a patente de Tenente Coronel de Milícias.

Aos 18 de agosto de 1829, Leite do Pinho e outros comerciantes subscreveram oficio dirigido a Câmara dos Deputados no qual solicitavam a isenção de um imposto incidente sobre a cachaça devido a Câmara de vereadores de Natal.

Segundo Lourival Soares Raposo da Câmara, citado por Luís da Câmara Cascudo, Leite do Pinho era “um homem honrado e amigo da pobreza a quem nunca faltou o conforto sempre que lhe estendia as mãos”.

André de Albuquerque Maranhão Arcoverde – Brigadeiro Dendé Arcoverde, então estudante entre Portugal e a Alemanha, ao retornar ao Rio Grande do Norte buscou vingança pela morte do tio cunhauzeiro. Ouviu todas as versões de autores da estocada mortal. Decidiu-se por Leite do Pinho devido a patente e a comenda que granjeou por assumir a morte de Andrezinho de Cunhaú.

Luís da Câmara Cascudo recuperou a narrativa da morte de Leite do Pinho, escrevendo nos seguintes termos:
(...) procissão dos martírios, Leite do Pinho acompanhou fardado, condecorado, imponente. (...) Terminada a procissão Leite do Pinho deitou-se numa esteira à porta de casa, brincando com o neto Vicente, filho de sua filha. (...) os assassinos espreitavam (de uma mata próxima). Era mais de sete horas da noite. Vicente foi levado para dentro. Leite do Pinho ficou só. Os dois escravos precipitaram-se de facas na mão. Facas de prata, ofertas de Dendé. A luta foi breve e violenta. Leite do Pinho mesmo deitado e sem armas, fazendo do braço escudo, defendeu-se valentemente. Cravando-lhe as lâminas os dois matadores fugiram, sem levar as solicitadas orelhas. Leite do Pinho agonizou a noite toda. O tenente coronel faleceu ao alvorecer.

Eis o termo de óbito do tenente coronel Antônio José Leite do Pinho:

Aos quinze de março de mil oitocentos e trinta e quatro faleceu de facadas, com os sacramentos da penitência e extrema unção, Antônio José Leite de Pinho, branco, de idade de quarenta anos, morador nesta cidade, casado com dona Bernarda Joaquina; foi encomendado por mim, sepultado nesta Matriz, com o uniforme militar, do que fiz este assento que assinei. Antônio Xavier Garcia de Almeida, vigário interino.

O português Antônio José Leite de Pinho casou aos 14 de julho de 1807 em Natal – RN com Bernarda Antônia, pai de quatro filhos, sua descendência é vastíssima, proveniente do casamento de duas filhas e do filho padre. São seus trinetos o interventor Mário Câmara, o escritor Nilo Pereira, a poetisa Palmira Wanderley. Filhos do casal:

F1. Ana, nascida em 1810, batizada aos 12 de maio de 1810. Foi padrinho o alferes Francisco Felipe da Fonseca Pinto, filho de Antônio Teixeira da Costa;

F.2 Antônia Maria de Jesus, nascida em 1811, batizada aos 02 de março de 1811 e falecida em 15 de novembro de 1882, com 71 anos de idade, foi padrinho Manoel Gomes Branco. Antônia Maria de Jesus casou aos 30 de julho de 1826, na Matriz de Natal com o português Joaquim Inácio Pereira, nascido em 11 de julho de 1790, batizado aos 25 de julho de 1790, na Igreja de São Miguel de Torres Vedras, Portugal, e falecido em 16 de fevereiro de 1868 com 77 anos de idade no Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, filho de Vicente Pereira, nascido aos 22 de janeiro de 1748, e de Tereza Joaquina Rosa, batizada aos 14 de outubro de 1749, casados aos 14 de junho de 1783 na Igreja de São Pedro de Torres Vedras, Distrito de Lisboa, Portugal.

N.1 Joaquina Pereira *09/07/1827 casada no dia 28-03-1842 Domingos Henrique de Oliveira, filho do casal João Henrique de Oliveira e Isabel de Morais Melo;

N.2 Comendador Joaquim Inácio Pereira *20/01/1831 +20/11/1911, casado a 1ª vez com d. Capitulina Avelina de Oliveira Mendes +29/09/1853, sem filhos. E a 2ª vez com Maria Benevides Seabra de Melo +23/12/1906, 10 filhos;

            Bn. Maria Pia Pereira c.c. Augusto Leopoldo Raposo da Câmara

                        Tn. Mário Leopoldo Raposo da Câmara

N.3 Ana Joaquina Pereira, nascida aos 08 de fevereiro de 1832, casada com Francisco Xavier de Souza Sobral;

N.4 Dr. Vicente Inácio Pereira *03/05/1833 +22/11/1888, casado aos 14/11/1863 com Isabel Duarte Varela *Ceará-Mirim-RN 07-07-1849 +05/06/1931, filha dos Barões de Ceará-Mirim;

            Bn. Vicente Riquete Pereira casado aos 03-08-1918 com Augusta Vaz;

            Bn. Fausto Varela Pereira c.c. Beatriz Barroca;

                        Tn. Dalila Amélia de Oliveira Pereira;
                        
                        Tn. Romeu Varela Pereira;

                         Tn. Maria da Conceição de Oliveira Pereira;

                         Tn. Carmen de Oliveira Pereira;

                          Tn. Nilo de Oliveira Pereira.

            Bn. Olímpio Varela Pereira c.c. Maria Madalena Antunes;

                        Tn. Ruy Antunes Pereira;

                        Tn. Abel Antunes Pereira;

                        Tn. Maria Antonieta Pereira Varela;

                        Tn. Vicente Inácio Pereira;

                        Tn. Joana D’Arc Pereira do Couto.

            Bn. Isabel Pereira c.c. Antônio G. A. Cunha.

N.5 Antônio José Leite Pereira *13/08/1838 +1857, c.c Maria Cota Varela em 1856;

N.6 Josefa Carolina Pereira c.c José Carrilho. Faleceu aos 20 anos em Macaíba;

N.7 Umbelina Augusta Cândida Pereira, falecida aos 30 de março de 1905, casada aos 14 de janeiro de 1865, em oratório privado de Vicente Inácio Pereira com José Paulino de Castro Medeiros, nascido aos 06 de junho de 1840, batizado aos 29 de junho de 1840 na Capela do Nosso Senhor Bom Jesus das Dores no Bairro da Ribeira em Natal – RN, filho de Joaquim José e de Genoveva de Castro Barroca.

N.8 Manoel Inácio Leite Pereira +Ceará-Mirim 08/12/1874, assassinado;

N.9- Francisca Carolina Leite Pereira, nascida aos 05 de agosto de 1840, batizada aos 25 de novembro de 1840, na Matriz de Natal – RN, e falecida aos 19 de junho de 1907, com 66 anos de idade em Ceará – Mirim – RN, contraiu 1º matrimônio aos 14 de abril de 1860 no Engenho da Torre em Ceará – Mirim com José Muniz Pacheco, nascido por volta de 1832 e falecido em 13 de maio de 1869 com 37 anos de idade.

Francisca Carolina Leite Pereira contraiu 2º matrimônio aos 06 de setembro de 1872 em Oratório Particular da nubente no Engenho do Meio em Ceará – Mirim com Manoel Modesto Pereira do Lago, nascido por volta de 1841 e falecido em 1873, filho de Manoel Modesto Pereira do Lago e de Francisca das Chagas de Miranda, casados em julho de 1832, neto paterno de José Inácio Pereira e de Ana Pereira do Lago, e neto materno de Inácio Zacarias de Miranda e de Donatila Floriana de Jesus.


Francisca Carolina Leite Pereira contraiu 3º matrimônio aos 23 de maio de 1875 em casa de sua residência com Antônio Leônidas do Rego Dantas, natural da Freguesia de São Miguel de Taipu – PB, falecido aos 26 de janeiro de 1926, filho de Antônio Dantas do Rego Noronha, natural do Recife – PE, nascido em 08 de agosto de 1807 e falecido em 10 de março de 1901 com 93 anos de idade, e de Ana Senhorinha da Silva Dantas, natural do Acari – RN, falecida em 22 de maio de 1906 em Ceará – Mirim – RN, neto paterno de João Elias do Rego Dantas, nascido em 07 de agosto de 1778, batizado aos 30 de agosto de 1778 na Freguesia de São Pedro Gonçalves de Recife – PE, e de Maria Francisca da Soledade, casados às 10 horas do dia 11 de julho de 1798 na Capela do Hospício de Jerusalém da Freguesia da Sé do Santíssimo Sacramento de Recife – PE, e neto materno de Manoel Gomes da Silva, falecido aos 10 de fevereiro de 1855, e de Joaquina Senhorinha da Conceição, falecida aos 10 de março de 1850, estes casados em 26 de agosto de 1818 na Fazenda das Flores, região do Seridó.

N.10 Claudina Hermina Pereira, que casou aos 12 de junho de 1864 com Jerônimo Cabral Pereira do Amaral, filho de Lourenço Antônio do Amaral e Joana Batista;

N.11 Maria Hernestina Pereira c.c Julião Carlos Wanderlei, filho do casal Gonçalo Lins Wanderley e Francisca Xavier de Macedo;

N.12 Emília Amélia Pereira +02/06/1871 c.c o sobrinho Domingos Henrique de Oliveira Filho;

N.13 Josina Francelina Pereira +08/12/1869, solteira;

N.14 Isabel Cândida Pereira c.c Vitor José de Medeiros;

N.15 Antônia Pereira c.c Antônio Marques da Silva;

N.16 João Pereira +infante.

F.3 João Leite de Pinho, sacerdote, batizado aos 23 de junho de 1813 e falecido aos 17 de abril de 1873, com 60 anos de idade, sendo padrinhos de batismo o tio paterno o português Caetano José Leite, e a esposa Francisca Joaquina. O Pe. João Leite de Pinho foi o pai de João Leite de Pinho Júnior, que por sua vez casou com Inácia Maria Soares, e deixou descendência em Ceará – Mirim;


F.4 Antônio, batizado aos 07 de janeiro de 1815, foram padrinhos de batismo Francisco Felipe da Fonseca Pinto e a esposa Maria Inácia;

F.5 Claudina Leite de Pinho, batizada aos 21 de dezembro de 1821, casou aos 12 de junho de 1837 com João Carlos Wanderley, natural do Açú-RN, nascido aos 25 de julho de 1811 e falecido aos 02 de março de 1899 com 87 anos de idade em Natal - RN, filho de Gonçalo Lins Wanderley e Francisca Xavier Macedo. Filhos:

N.17 João Carlos Wanderley Filho *Açú-RN 27-03-1838 +24-09-1899, casado em 1873 com Maria Amélia Chaves;

N.18 Claudina Augusta Wanderley *Açú-RN 14-09-1839 +Açú-RN 28-04-1901;

N.19 Francisca Carolina Lins *Açú-RN 03-11-1840 +06-04-1877, casada a 27-07-1858 com Luís Carlos Lins Wanderley;

N.20 Delfina Cândida Wanderley *24-01-1842 +07-06-1882, casada aos 22-02-1862 com João Antônio de Farias;

            Bn. Manoel Segundo Wanderley

            Bn. Celestino Carlos Wanderley c.c. Ana de Freiras Guimarães:

                        Tn. Palmira Wanderley

            Bn. Ezequiel Lins Wanderley *1872 +1933

N.21 Augusto Carlos Wanderley *12-04-1843 +03-02-1854, solteiro;

N.22 Adolfo Carlos Wanderley *Açú-RN 15-08-1844 +31-09-1916, casado aos 23-01-18666 com Ana Augusta Lins Wanderley *08-01-1841;

N.23 Umbelina Augusta Wanderley *30-09-1845 +05-02-1930, casada no dia 02-02-1866 com Francisco Lins Caldas;

N.24 Alcebíades Carlos Wanderley *08-03-1847 +02-06-1847;

N.25 Cândida Augusta Wanderley *23-05-1849 +13-05-1865, religiosa;

N.26 Manoel Carlos Wanderley (1º) *10-02-1851 +19-09-1851;

N.27 Manoel Carlos Wanderley (2º) *06-10-1852 +28-10-1852;

N.28 Manoel Carlos Wanderley (3º) *25-05-1848 +02-06-1848;

N.29 Maria Augusta Wanderley *03-10-1853 +11-02-1854;

N.30 Augusto Carlos Wanderley *13-11-1854 +16-01-1905;

N.31 Manoel Carlos Wanderley (4º) *10-10-1856 +28-05-1884, solteiro;

N.32 Maria Carolina Lins Wanderley *25-04-1859 +10-02-1850, casada aos 25-07-1877 com o primo e cunhado Luís Carlos Lins Wanderley, viúvo de sua irmã Francisca Carolina;

N.33 Olímpia Augusta Wanderley, *17-05-1861 +Macau-RN 20-09-1917, solteira.

Ascendentes do coronel Antônio José Leite do Pinho

Foi uma descoberta importante encontrar esse registro de casamento completo dos pais do Coronel Antônio José Leite do Pinho, contendo informações dos nomes dos pais e até dos avós paternos e avós maternos do noivo e da noiva (pais do Coronel Antônio José Leite de Pinho), bem assim até a filiação de quem tinha ficado viúvo, já que em situação normal não iria constar o nome dos pais dos noivos, já que ambos eram viúvos.

No registro de batismo de Antônio José Leite de Pinho os padrinhos de batismo foi João, um irmão por parte de pai, e Maria, uma irmã por parte de mãe, além do registro ser bem detalhado as informações a respeito do nome dos avós paternos e dos avós maternos.

Coronel Antônio Leite de Pinho:

Nascido aos 18 de outubro de 1786 e batizado aos 25 de outubro de 1786, tendo falecido em 15 de março de 1834, com 47 anos de idade, assassinado, segundo a tradição oral, a pedido do Brigadeiro André de Albuquerque Maranhão Arcoverde (Dendé Arcoverde) para vingar a morte de seu tio materno o coronel André de Albuquerque Maranhão senhor do Engenho Cunhaú, herói e mártir da Revolução de 1817 no Rio Grande do Norte.

Página contendo o termo de batismo de Antônio José.


Antônio, filho legitimo de Antonio Leite de Pinho, e de sua segunda mulher Luisa Maria de Jesus moradores no lugar das Vendas desta freguesia de Sam João da Madeira da qual ele é natural, e ela é natural da freguesia do Pinheiro da Bemposta do Bispado de Aveiro, Neto paterno de Paulo Leite, e de sua mulher Maria de Pinho, ambos desta dita freguesia de Sam João, e Materno de Manoel Marques, e de Mariana Ferreira, solteira, ambos da dita Freguesia da Bemposta. Nasceu aos dezoito dias do mês de outubro de mil sete centos, e oitenta, e seis anos, e foi batizado solenemente na pia baptismal da Igreja desta mesma freguesia aos vinte e cinco dias do mesmo mês e ano pelo Reverendo Manoel Ignácio Correia Coadjutor dela: foi Padrinho João solteiro filho do primeiro matrimonio do dito Antonio Leite de Pinho, e Madrinha Maria solteira filha da dita Luiza Maria do seu primeiro Matrimonio, sendo testemunhas Antonio Gomes Leite e Manoel Leite de Pinho ambos do lugar de Fundo de Vila desta freguesia de Sam João. De que fiz este termo que assino. O Abade Manoel Martinho de Souza. M.el Leite de Pº. Antº Gomes Leite. O Coadjutor Manoel Ignácio Correia. (Livro de Batizados (1777-1787) da Freguesia de São João da Madeira, Distrito de Aveiro, Portugal, p. 287).

Os pais do coronel Antônio Leite de Pinho:

 Antônio Leite de Pinho, nascido em 08 de julho de 1740, batizado aos 17 de julho de 1740, e a 2ª esposa Luíza Maria de Jesus, nascida em 20 de agosto de 1743, batizada aos 27 de agosto de 1743, casados em 07 de fevereiro de 1785, ambos viúvos na ocasião do casamento, ele com 44 anos de idade, e ela com 41 anos de idade.

Antônio, filho de Paulo Leite e de sua mulher Maria de Pinho, do lugar de Fondo de Villa desta freguesia de Sam João da Madeira nasceu aos outo dias do mês de julho de mil e setecentos e quarenta: foi Batizado nesta Igreja Parochial de seus paes aos dezasete do dito mez e anno por mim o Padre Domingos Pinheiro da Silva Coadjutor desta freguezia. Forao padrinhos Antonio Gomes Leite, cazado do lugar da Volta desta freguezia, e Maria solteira filha de Francisco Pinto da Freguezia de Milheiros de Poarez; Testemunhas Manoel da Costa Lima do lugar da Igreja, e Manoel Gomes do lugar do cazal todos desta freguezia; de que tudo fiz este assento que assigno. Domingos Pinhrº da Sylva. Manoel Gomes. Manoel da Costa Lima. (Livro de Batizados 1726-1742) da Freguesia de São João da Madeira, Distrito de Aveiro, Portugal, p. 204 v).

Luiza, fª de Marianna, soltrª, e de M.el Marques o novo do Pinhrº, e a dita Marianna do lugar de Figdº de baixo, Netta plª pte paterna de M.el Marques e Luiza Paes do lugar de Pinhrº, e plª pte Materna de M.el da Rocha, e de sua prª m.er Sabina Ferrª nªl de Stª Mª da Vl do Bispº do Porto, e nasceo em os vinte de Agosto de mil Sete ctºs, e quarenta e tres aanos. Foi baptizada plº Pe. Luis Tavares Cura desta Igrª em os vinte e sete dias do dº mes. Forao padrºs Bernardo da Silva da Mangela, e Maria Frs, Vª de Dºs Lopes do lugar de Figdº de baixo, e por v.de fis este tº q assigno. O Prior Domingos Leyte de Adº. (Livro de Batizados (1712-1750) da Freguesia de Pinheiro da Bemposta, Distrito de Aveiro, Portugal, p. 145 v).

Antônio Leite do Pinho do lugar da Egreja desta freguezia de Sam João da Madeira, filho legitimo de Paulo Leite, e de sua mulher Maria de Pinho, Neto Paterno de Manoel Fernandes e de sua mulher Maria Leite da freguezia de Milheiros de Poares, e Materno de Manoel Alves, e de sua mulher Maria de Pinho desta dita freguezia de São João da Madeira, e ele contraente viúvo que ficou de Maria Jozefa filha legitima de José Gomes e de sua mulher Joana Leite ambos desta freguezia depois de precederem todos os requesitos, que manda o Concilio Tridentino e Constituiçõens deste Bispado, e por vista de de uma ordem de recebimento assignada pelo Juiz dos Cazamentos deste Bispado André Xavier da Rocha, e Sobredita pelo Escrivão Antonio Joze da Cunha aos cinco de Fevereiro de mil sete centos, e oitenta e cinco anos, Recebeo – se solemnemente em face da igreja aos Sete dias deste mesmo dito mez e ano com Luiza Maria de Jesus viúva que ficou de Manoel Gomes da Silva moradores do lugar das Vendas desta mesma freguezia de Sam João da Madeira e este filho legitimo de Manoel Gomes e de sua mulher Maria da Silva ambos da freguezia de Bemposta, e ela contraente é filha natural de Manoel Marques e Mariana Ferreira solteira da dita freguezia de Bemposta Neta Paterna de Manoel Marques e de Luíza Paes, e Materna de Manoel da Rocha, e de sua mulher Mariana Ferreira, todos da dita freguezia de Bemposta do Bispado de Aveiro, sendo – lhe prezente o Reverendo Manoel Ignácio Correia Coadjutor desta freguezia, e as testemunhas Manoel Gomes de Pinho do lugar das Jorgas, e Manoel, solteiro filho de Manoel Leite do Furido de Vila todos desta freguezia de que fiz este termo que assino. Manoel Gomes de Pinho. M.el Leite. O Coadjutor Manoel Ignácio Correia. Manoel Martinho de Souza.( Livro de Matrimônios (1777-1787), da Freguesia de São João da Madeira, Distrito de Aveiro, Portugal, p. 219 e 219 v).

3- Avós paternos de Antônio José Leite do Pinho:

Paulo Leite, nascido aos 30 de março de 1693, batizado aos 05 de abril de 1693 na Freguesia de São Miguel de Milheiros de Poiares, Conselho de Santa Maria da Feira, Distrito de Aveiro, Portugal, e Maria de Pinho, a 3ª do nome, naturais de Aveiro, Portugal.

Termo de Batismo de Paulo Leite, Avô Paterno de Antônio José Leite do Pinho:


Paulo, filho de Manoel Fernandes e de Maria Leite do lugar do Seixal desta freguezia, naceo aos trinta dias do mes de Março de mil e seis centos e noventa e tres annos foi baptizado nesta Igreja Parochial de seus Pais aos Sinco dias do mes de Abril por mim o Padre Balthazar Alvres Cura desta Igreja, forao Padrinhos Paulo Dias do lugar das Fontainhas da Freguezia de S. João da Madeira, e Domingas Fernandes, do lugar de Gayatedos desta Freguezia, e Eu o Pe. Balthazar Alvres q este fis e asinei no mesmo dia da Era de mil seis centos e noventa e tres estando presentes Manoel da Silva e Antonio de Britto do lugar do Seixal desta fregª q aqui se asinarão. Pe. Balthazar Alvres. Antº de Btº. Manoel da Silva. (Livro de Batizados (1683-1702) da Freguesia de Milheirós de Poiares, Distrito de Aveiro, Portugal, p. 21 v).

4- Avós maternos de Antônio José Leite do Pinho:

Manoel Marques, nascido em 03 de junho de 1721, batizado aos 08 de junho de 1721, e Mariana Ferreira.

Termo de Batismo de Manoel Marques, Avô Materno de Antônio José Leite do Pinho:


Manoel, filho de Manoel Marques e de Luisa Pais, naturais e moradores no lugar do Pinheiro, nasceo a tres do mês de junho de sete centos e vinte e hum, e foi baptisado sob conditione por ser Baptizado em casa por Maria da Mata Vª, e depois foi baptizado por mim o Pe. Diogo Vaz Cura desta Igrª aos oito dias do mes de Junho era asima; forao P.P Thomé de Almdª da Bemposta e a dita Maria da Mata. De q fiz este termo q asinei dia mes era ut supra. O Pe. Diogo Vaz. (Livro de Batizados (1712-1750) da Freguesia de Pinheiro da Bemposta, P. 65 v).

 5- Bisavós paternos de Antônio José Leite do Pinho:

A- Manoel Fernandes e Maria Leite, casados em 06 de outubro de 1680, na Freguesia de São Miguel de Milheiros de Poiares, Conselho de Santa Maria da Feira, Distrito de Aveiro, Portugal, pais de Paulo Leite.

Termo de casamento de Manoel Fernandes e Maria Leite:

Em os 6 de outubro de 1680 se Receberao em minha prezença com palavras de prezente Manoel Frs fº legitimo de Antº Frs, e MªAntª do lugar do Feyxal, com Mª Leite, fª L. de Frcº Leyte, e Anna Frs do lugar de gayate todos desta frgª de que forao tªs M.el Frcº, e João Leyte, e Antº Pedro, e M.el da Sylva do Feyxal, todos desta frgª, e por ser verdade fis este termo que asinei, dia, mes, e era ut supra. O Pe. Cura. Manoel de Pinho de Rezende.

B- Manoel Alves, natural da Freguesia de São João da Madeira, Aveiro, Portugal e Maria de Pinho, a 2ª do nome, natural da Freguesia de São Miguel de Milheiros de Poiares, Conselho de Santa Maria da Feira, Distrito de Aveiro, Portugal, casados em 06 de julho de 1702 na Freguesia de São Miguel de Milheiros de Poiares, Conselho de Santa Maria da Feira, Distrito de Aveiro, Portugal, pais de Maria de Pinho, a 3ª do nome.

Termo de casamento de Manoel Alves e Maria de Pinho:


Aos seis dias do mez de julho de mil sette centos e dous, feitas as denunciaçoens na forma do Sagrado Consilio Tridentino e Constituisões do Bispado se receberam em minha prezença o Pe. Antonio Coelho Furtado Cura desta Igrª e das testemunhas abaixo declaradas Maria de Pinho, filha de Dºs André já defunto e de sua molher Maria de Pinho moradores no lugar da corugueira desta frgª de S. Miguel de Milherós com Manoel Alves, filho legitimo de Antonio Manoel e de sua molher Maria Alves moradores no lugar de fundo de Villa da frgª de São João da Madeira aos quais se receberao de manhã e lhes dei as bençoes. E por verdade fis este assento que asinei có as testemunhas Bartholomeu Alves e Domingos soltrº fº de Dºs André ambos do lugar da Corugueira e desta frgª e Dºs soltrº Criado do Pe. Cura. Pe. Antº Coelho Furtado Bªr. Alves. Dºs Solteiro Dºs Soltrº Criado do Pe. Cura.

 6- Bisavós maternos de Antônio José Leite do Pinho:

A- Manoel Marques e Luíza Paes, casados em 22 de outubro de 1720, pais do avô materno.

Aos vinte e dois dias do mez de 8bro de mil e Sete ctºs e vinte annos em minha prezª e das testªs abaixo asignadas contrahirão o Sacrmtº do Matrimonio por palavras de prezente conforme o Concº Trid. e Const. do Bispº M.EL MARQUES fº Legitº de Paschoal Lopes, e de Cnª Marques do Lugar de Pinhrº com LUIZA PAES, fª Legitª de André da Silva, e de Andreza Paes, do mesmo lugar. Forao testªs os Rdºs Pes M.el Tavares e João Affonço desta fregª e outras pessoas q prez.tes estavao de q fis este tº q asignei dia mes e anno ut spª. O Pe. M.el Tavares. V. Prior  Domºs Leite de Azº. O Pe. João Affonço de Figrdº.

B- Manoel da Rocha, natural da Freguesia de São Estevão de Moldez, Bispado do Porto, e Sebastiana Ferreira, casados em 21 de agosto de 1727, pais da avó materna.

7- Trisavós maternos de Antônio José Leite do Pinho:

A- Pascoal Lopes e Catarina Marques, casados em 26 de janeiro de 1688, pais de Manoel Marques.

Em os vinte e seis dias do mes de janeiro de mil e seis centos e oitenta e oito annos, em minha prezença e das testemunhas abaixo nomeadas, se receberao Pascoal Lopes fº de Antonio Lopes de Quintam e de sua m.er Maria Fernandes moradores no lugar de Quintam fregª de Travanca de junto de Grijo com Catarina Marques fª de Dºs Marques e de sua m.er Dªs Fernandes moradores no lugar do Pinheiro desta fregrª de S. Payo da Vª da Bemposta testªs Francisco Pereira de Mello e João Manoel ambos do dº lugar de Pinhrº e outras mais. O Prior Garcia de Souza Nunes.

 B- André da Silva e Andreza Paes, casados em 14 de novembro de 1683, pais de Luíza Paes.

Em os quartoze dias do mes de Novembro de mil e seis sentos e outenta e três annos se receberão em minha prezença e das testemunhas abaixo nomeadas André da Silva fº de Pedro Antº e Mª Frs do lugar de Gimieiro co Andreza Paes fª de Dºs Frcº e sua m.er Mª Paes do lugar de Pinhrº. Testemunhas Manoel Ribrº, e M.el Lopes, e Dºs João e outras mtªs. Pedro Ferª.

C- Domingos da Rocha e Maria Barbosa, pais de Manoel da Rocha.


7- Trisavós paternos de Antônio José Leite do Pinho:

A- Antônio Fernandes e Maria Antônia, naturais de Portugal, pais de Manoel Fernandes.

B- Francisco Leite e Ana Fernandes, naturais de Portugal, pais de Maria Leite.

C- Antônio Manoel e Maria Alves, naturais da Freguesia de São João da Madeira, Aveiro, Portugal, casados em 29 de maio de 1677, pais de Manoel Alves.

D- Domingos André, natural da Freguesia de São João da Madeira, Distrito de Aveiro, batizado aos 02 de março de 1642, e Maria de Pinho, a 1ª do Nome, natural da Freguesia de São Miguel de Milheiros de Poiares, Distrito de Aveiro, casados aos 16 de abril de 1663 na Freguesia de São Miguel de Milheiros de Poiares, Conselho de Santa Maria da Feira, Aveiro, Portugal, pais de Maria de Pinho, a 2ª do nome.

Termo de Batismo de Domingos André:

Domingos, filho de Manoel André e de sua molher Izabel Frs m.es nos movelos foi bautizado por mim aos 2 dias do mez de março do ano de 1642 forao padrinhos Manoel filho de Matheus Antonio do fundo de villa e Mª filha de Domingos Andre tudo desta freguezia e por ser na verdade me asinei em o memso dia, mês e anno ut supra.  Xtovao Allao de Moraes.

Termo de casamento de Domingos André e Maria de Pinho:


Em os 16 dias do mez de Abril de 1663 Annos Eu o Pe. M.el Pessoa Cura nesta Igrª Recebi a Dºs André da Fregª de S. João da Mdrª Có Mª de Pinho mºres no lugar da Corujeira desta fregª. E, o Pe. M.el Pessoa Cura na dita Igrª. o fis e asinei. O Pe. M.el Pessoa.

8- Tetravós maternos do coronel Antônio José Leite do Pinho

A- Antônio Lopes e Maria Fernandes, pais de Pascoal Lopes.

B- Domingos Marques e Domingas Fernandes, pais de Catarina Marques.

C- Pedro Antônio e Maria Fernandes, pais de André da Silva.

D- Domingos Francisco e Maria Paes, pais de Andreza Paes.


9- Tetravós Paternos de Antônio José Leite do Pinho: 

A- Manoel André e Isabel Fernandes, casados aos 31 de janeiro de 1641 na Freguesia de São João da Madeira, Aveiro, Portugal,pais de Domingos André.

Termo de casamento de Manoel André e Isabel Fernandes:

Aos trinta e hu dias do mes de janeiro de 1641 anos se receberao nesta igrª em minha prezença por palavras de prezente conforme o sagrado C. Td. M.el André com Isabel Frs moradora em fundois ambos desta fregª. Forao testªs Matheus Antº do fundo de Villa e Domingos Antº do Espadanal e Andre Antº e Gº Antº todos desta frgª de San Joao e por verdade fiste asento dia e mes era asima ut supra. Eu, o Pe. Francisco Frª Coadgictor desta igrª. Pe. Francisco Frª.


Antônio Leite de Pinho (pai do Cel. Antônio José Leite de Pinho) foi casado em 1º matrimônio aos 11 de janeiro de 1762 com Maria Josefa Leite, filha de José Gomes da Silva e de Joana Leite, neta paterna de José Gomes e de Leonor Francisca, e neta materna de Antônio Fernandes e de Joana Lopes, e o casamento foi celebrado pelo Padre Domingos de Pinho Brandão, perante as testemunhas Manoel Leite e Bernardo, solteiro, filho de Manoel da Costa.

Manoel Marques (avô materno do Cel. Antônio José Leite de Pinho) nunca casou com Mariana Ferreira avó materna do Cel. Antônio José Leite de Pinho, mas contraiu 1º matrimônio em 1743, com Isabel de Almeida, filha de Tomé de Almeida e de Isabel Tavares, casados em 23 de setembro de 1714, neta materna de Domingos de Figueiredo e de Maria Tavares, e contraiu 2º matrimônio aos 14 de junho de 1755, com Francisca Pereira de Jesus, filha de Matias Pereira e de Leonor Pereira.


Do 1º casamento de Antônio Leite de Pinho com Maria Josefa Leite nasceu Caetano José Leite irmão do Cel. Antônio José Leite de Pinho por parte de pai, que veio para o Brasil, onde casou às 20 horas do dia 02 de novembro de 1806, na Matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Natal – RN com Francisca de Paula, filha do Capitão Francisco de Paula Moreira e de Rita Maria da Trindade.