sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Oswaldo, o único Lamartine


O dia de hoje assinala o centenário de nascimento de Oswaldo Lamartine de Faria, último rebento do casal Juvenal Lamartine de Faria e Silvina Bezerra de Araújo Galvão, “sobejo da seca de 19” como ele costumava destacar. Estive com Oswaldo Lamartine algumas vezes, na sua residência da Praça Pedro Velho. Tenho-o como uma referência constante. Aprendi a admirar o Sertão, através dos seus livros, cuja coleção me presenteou.

Segundo Pery Lamartine, em seu livro: Assentamentos da família Lamartine, a família Lamartine do Rio Grande do Norte originou-se na pessoa do seridoense Juvenal Lamartine de Faria. (...) Algumas famílias do Espinharas costumavam batizar os filhos com nomes da literatura francesa, herança dos ensinamentos adquiridos no colégio do padre Rolim, localizado no sertão da Paraíba (Cajazeiras), Juvenal Lamartine foi um desses casos: de seu prenome composto se originou um nome de família, Lamartine.

Contudo, a pesquisa genealógica nos apresenta algumas curiosidades. Recentemente, analisando a genealogia da família Lamartine chamou-me a atenção um detalhe: Oswaldo foi o único dos filhos do casal a ser efetivamente registrado com o sobrenome Lamartine.

A princípio, segundo os registros dos filhos, Juvenal Lamartine de Faria não tinha intenção de fundar uma família Lamartine; os dois filhos de nome Clóvis, foram registrados em cartório com os sobrenomes Bezerra de Faria. O primeiro Clóvis nascido em 1900 faleceu com poucos meses de vida, e o segundo Clóvis foi o pai do escritor Pery Lamartine.

Olavo Lamartine, por exemplo, teve o seu registro de nascimento feito duas vezes, sendo que no primeiro o nome da mãe apareceu como solteira, Silvina Bezerra de Araújo Galvão, em razão disso, o registro foi anulado, sendo feito um segundo, desta vez com o nome de Silvina Bezerra de Faria, e ambos os registros de Olavo o nome é Olavo Bezerra Monteiro de Faria.

O filho Silvino, em conformidade com decisão judicial de 27 de fevereiro de 1928, atendendo a justificação de Juvenal Lamartine de Faria, substituiu o sobrenome Bezerra pelo Lamartine, ficando assim Silvino Lamartine de Faria. O filho de nome Otávio, que foi registrado originalmente como Otávio Bezerra de Faria, fez a mesma coisa que o irmão Silvino e substituiu o sobrenome Bezerra pelo Lamartine, passando a assinar Otávio Lamartine de Faria, segundo decisão judicial de 20 de outubro de 1928.

Certo é que nenhum dos filhos do casal Juvenal Lamartine/Silvina Bezerra, teve o sobrenome Lamartine em seu registro original de nascimento. Adotaram depois por via judicial ou acréscimo voluntário. O único filho que teve o sobrenome Lamartine em seu registro de nascimento foi justamente o derradeiro, Oswaldo Lamartine de Faria.

Assim, o nome Lamartine passou a ser o patronímico de uma das famílias tradicionais do estado, cujos membros, em todas as épocas, têm contribuído com o progresso material e intelectual do Rio Grande do Norte.