domingo, 14 de novembro de 2021

As raízes portuguesas de Pedro Américo de Figueiredo e Melo

 

O pintor Pedro Américo de Figueiredo e Melo nasceu aos 29 de abril de 1843, em Areia/PB e faleceu aos 07 de novembro de 1905, aos 62 anos de idade, em Florença, Itália. Foi batizado na igreja de Nossa Senhora da Conceição em Brejo de Areia/PB pelo Pe. Francisco de Holanda Chacon, sendo padrinhos os tios paternos Zeferino Aureliano Grangeiro de Melo e Canuta Grangeiro de Melo.

 

Pedro Américo foi um dos mais importantes pintores da nossa história. É o autor da tela "O Grito do Ipiranga", uma encomenda da família imperial, e que hoje integra o acervo do Museu do Ipiranga. É de sua autoria também as telas "Batalha do Avaí", "Paz e Concórdia", "Batalha do Campo Grande", entre outras. É Patrono da cadeira nº 24 da Academia Paraibana de Letras. Em 1852, foi convidado, como desenhista auxiliar, para acompanhar o naturalista francês Jean Brunet em uma expedição científica pelo Nordeste do Brasil. Em 1854, Pedro Américo foi para o Rio de Janeiro, estudar no Colégio Pedro II. Em 1856 ingressou na Academia Imperial de Belas Artes.

 

Pedro Américo recebeu do Imperador D. Pedro II, uma bolsa para estudar na Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris, para onde foi em 1859. Foi aluno de Jean-Auguste-Dominique Ingres, um dos maiores pintores do Neoclassicismo francês. Ainda em Paris, estudou no Instituto de Física de Adolphe Ganot, no curso de Arqueologia de Charles Ernest Beulé e bacharelou-se em Ciências Sociais na Sorbonne, com a tese “Considerações Filosóficas Sobre as Belas Artes Entre os Antigos”. Pedro Américo retornou ao Brasil em 1864 e passou a lecionar na Escola de Belas Artes, mas logo voltou para a Europa, onde na Universidade de Bruxelas recebeu o título de Doutor em Ciências Físicas e Naturas. Além de produzir várias telas, dedicou-se à poesia, ao romance e à filosofia.

 

Pedro Américo casou no ano de 1869, em Lisboa, Portugal, com Carlota Palmira de Araújo, filha do diplomata Manoel de Araújo Porto Alegre, posteriormente Barão de Santo Ângelo, escritor e poeta, e de Ana Paulina Delamare, pianista e cantora. O casamento foi realizado em Lisboa quando o pai da noiva na ocasião era Cônsul do Brasil. Do casamento de Pedro Américo com Carlota Palmira nasceram os filhos:

 

A- Carlota Palmira de Figueiredo, que por sua vez casou aos 27 de maio de 1891, no Rio de Janeiro/RJ com o diplomata José Manoel Cardoso de Oliveira, que foi cônsul do Brasil em Nova Orleans/EUA, era natural de Salvador/BA, filho de Rodolfo Cardoso de Oliveira e de Maria Virgínia de Matos, e depois exerceu o cargo de ministro do Brasil em Berlim, Londres, Berna, México, Chile e Portugal, encerrando a sua carreira na condição de Embaixador do Brasil em Lisboa, de 1922 até 1931, e do casamento houve descendência.

 

B- Pedro Américo de Figueiredo e Melo Filho, nascido por volta de 1872 no Rio de Janeiro/RJ e falecido na mesma cidade aos 20 de maio de 1876, aos 04 anos de idade.

 

C- Eduardo de Figueiredo e Melo, nascido por volta de 1874 e falecido em 1953, em Firenza, Florença, Itália, foi pintor e músico, casou na Itália com Maria Benedetti, onde deixou descendência.

 

Pais de Pedro Américo de Figueiredo e Melo:

 

Daniel Eduardo de Figueiredo e Melo, nascido aos 13 de outubro de 1811 em Limoeiro/PE e falecido às 17 horas do dia 25 de abril de 1891, com 79 anos de idade na Rua Dr. Pedro Américo em João Pessoa/PB, e Feliciana Maria Cirne, nascida em João Pessoa/PB, casamento ocorrido por volta de 1836 em João Pessoa/PB.

 

Nota: Daniel Eduardo de Figueiredo e Melo foi comerciante em Areia/PB, e depois foi tabelião público em João Pessoa/PB até o seu falecimento, e Feliciana Maria Cirne era irmã de João Antônio Cirne, natural de João Pessoa/PB, que foi para o Estado do Rio Grande do Sul, onde fixou residência em Bagé/RS, e lá casou com Maria Felisbina dos Santos, e deixou descendência, e João Antônio Cirne é considerado o primeiro historiador de Bagé/RS.

 

Termo de óbito de Daniel Eduardo de Figueiredo Melo:

 

“Aos vinte e seis dias do mez de Abril do anno de mil oito centos e noventa e um neste único Districto de Paz de Parochia de Nossa Senhora das Neves, Municipio de Capital do Estado da Parahyba do Norte, compareceu em meu cartório Ceciliano da Silva Coelho, e declarou: Que hontem pelas cinco horas da tarde, á rua Doutor Pedro Américo, falleceu o cidadão Daniel Eduardo de Figueirêdo, branco, de setenta e nove annos de idade, casado que foi com Dona Feliciana Maria de Figueirêdo, filho legitimo de Manoel de Christo Grangeiro e de Anna Francisca Xavier de Figueirêdo, natural do Estado de Pernambuco. Sua morte foi em consequência de marasmo senil, conforme o attestado medico do Doutor Aguinello Candido Lins Fialho. Vai ser sepultado no cemitério Publico desta Capital, em catacumba de Irmandade de Santa Caza de Misericordia. E para constar lavrei este termo que assigno com o declarante. Eu Jeronymo Pereira d´ Oliveira, Escrivão de Paz, o escrevi. Jeronymo Pereira d´ Oliveira”.

 

Avós paternos de Pedro Américo de Figueiredo e Melo:

 

Manoel de Cristo Grangeiro e Melo, falecido em 1856, e a 1ª esposa Ana Francisca Xavier de Figueiredo, falecida aos 17 de março de 1825.

 

Avós maternos de Pedro Américo de Figueiredo e Melo:

 

Feliciano da Costa Cirne, natural de Portugal, nascido aos 29 de outubro de 1784, batizado aos 13 de novembro de 1784, e Ana Maria da Conceição, natural de João Pessoa/PB.

 

Registro de batismo de Feliciano Cirne:

 

“Em os treze dias do mes de Novembro de Mil Sete centos oitenta e quatro nesta Parochial Igreja por despacho do Emmº Snr Dºr Cardeal Patriarcha, que fica no Cartorio desta Igreja baptizei, e pus os Santos Oleos à Feliciano, que nasceu em os vinte, e nove dias do mes de Outubro próximo passado, filho de José da Costa Cyrne, baptizado na Freguezia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraiba, Bispado de Pernambuco, e de Margarida Jozefa da Assumção, do Castelo de Almada deste Patriarchado, recebidos nesta cidade, e moradores no lugar do Pragal, Limite da Villa de Almada: foi Padrinho Pedro Antonio da Silva morador na freguesia da Conceição desta cidade, de que fiz e assignei o presente assento. O Cura Antonio da Conceição”.

 

Observação: No site familysearch há um equívoco por parte de quem colocou (a pessoa cadastrada no site com o apelido “alwolmer” foi quem colocou essa informação equivocada sobre Feliciano da Costa Cirne) a informação errada de que Feliciano da Costa Cirne nasceu aos 30 de janeiro de 1768, na Freguesia de São Salvador da Vila de Cinez, batizado aos 09 de fevereiro de 1768, filho de Nicolau da Costa e Maria Angélica, o que está ERRADO, já que a verdadeira data de nascimento de Feliciano da Costa Cirne é 29 de outubro de 1784, e o nome correto dos pais de Feliciano da Costa Cirne é José da Costa Cirne e Margarida Josefa de Assunção.

 

Em 1817, o português Feliciano da Costa Cirne solicita passaporte para ir ao Estado de Pernambuco, informação que consta no projeto Resgate, e o mesmo declara a sua idade de 33 anos, o que faz deduzir que o ano de seu nascimento é 1784, e já que Feliciano da Costa Cirne no termo de batismo (transcrição do termo de batismo neste artigo) nasceu no dia 29 de outubro do mesmo ano de 1784, então é possível chegar a conclusão de que o termo de batismo do ano de 1784 se refere mesmo a pessoa de Feliciano da Costa Cirne, avô materno do pintor Pedro Américo.

 

Bisavós maternos de Pedro Américo de Figueiredo e Melo:

 

José da Costa Cirne, natural de João Pessoa/PB, nascido por volta de 1744 e falecido aos 13 de janeiro de 1810, com 65 anos em Portugal, e Margarida Josefa de Assunção, natural de Almada, Concelho de Setubal, nascida aos 05 de novembro de 1761, batizada aos 24 de novembro de 1761, casados em Portugal (pais de Feliciano da Costa Cirne).

 

Registro de Batismo de Margarida Josefa da Assunção:

 

“Em os vinte e quatro de Novembro de mil setecentos e secenta e hum de licença do Rdº Prior Salvador Perª de Mattos baptizei e pus os Stºs Oleos a Margarida que nasceo a sinco deste mes, filha legitima de Antº Perª natural do Ribeiro fregª de S. Iricio aonde foi baptisado, bispado de Lamego, e de sua molher  Catherina Jozefa natural da Villa de Santarem e baptizada na fregª de S. Nicolao e Recebidos na freguezia de N. Srª dos Olivais termo da Cidade de Lbª e moradores em Malqueforte foi Padrinho Caetano Perª mºr em Val de Mourellos; de q fiz este termo que assignei. O Pe. Miguel Soares da Nativid.e.”.

 

Registro de Casamento de José da Costa Cirne e Margarida Josefa da Assunção:

 

“Em os Sette dias do mez de Abril do anno de Mil Settecentos e Settenta e Sette nesta Parochial Igreja de manhan, na minha presença e das testemunhas abaxo nomeadas, e assignadas, observada a forma do Sagrado Concilio Tridentino, e Constituiçoens deste Patriarchado, por palavras de prezente se Receberao por marido e mulher, José da Costa Cirne, solteiro, filho de Pedro da Costa Cirne, e de Joana Paula do Nascimento, natural e baptizado na Freguezia de Nossa Senhora das Neves da Cidade da Paraiba, Bispado de Pernambuco, onde seus Pais forao Recebidos, e presentemente morador na Freguezia do Castelo da Vila de Almada deste Patriarchado; com Margarida Jozefa da Assunção, solteira, filha de Antonio Pereira, e de Catherina Jozefa Pereira de Andrade, natural e baptizada na sobreditta Freguezia do Castello da Vila de Almada, onde he moradora; e seus Pais forao Recebidos na freguezia de Santa Maria dos Olivaes, extras muros desta Cidade: e como os contrahentes não eram os meus freguezes, e por esta razão os não podia receber, me apresentarão huma Provisão de Licença do Eminentissimo Senhor Patriarcha Elleito, pela qual me deu a faculdade de os receber, e esta fica no Cartório desta Igreja; e de como assim se receberão forao Testemunhas presentes o Reverendo Antonio Joze da Roza, Secretario do Eminentissimo Senhor Patriarcha, e Antonio Bernardo da Silva Piloto, morador na freguezia de Sam Paulo da cidade, e outras mais que tambem prezentes estavao, e para constar fiz este Termo, que com as dittas testemunhas assinei. O Parº Joze Coelho Borges . O Pe. Antonio Joze da Roza. Antonio Berndº da Sª Ptº”.

 

Trisavós maternos de Pedro Américo de Figueiredo e Melo:

 

Pedro da Costa Cirne, natural de Portugal, falecido aos 24 de março de 1776, e Joana Paula do Nascimento, natural de João Pessoa/PB, casados no ano de 1743 na Freguesia de Nossa Senhora das Neves de João Pessoa/PB (pais de José da Costa Cirne).

 

Antônio Pereira, natural do Bispado de Lamego, Portugal, e Catarina Josefa Pereira de Andrade, natural de Santarém, Portugal, batizada aos 17 de dezembro de 1732 na Igreja de São Nicolau, casados aos 06 de outubro de 1761 em Portugal (pais de Margarida Josefa de Assunção).

 

Registro de Batismo de Catarina Josefa Pereira de Andrade:

 

“Aos dezasete dias do Mes de Novembro de mil e Sette centos e trinta e dous anos nesta parochial Igrª de S. Nicolau baptizei e pus os Santos Oleos a Catharina, filha de Nicolau Pereyra natural do lugar Almoster fregª de Stª Maria onde foi baptizado, e filho de Nicolau Freire e de sua mulher Maria da Sylva: e de sua mulher Jozepha Thereza, natural desta Villa e baptizada na Igrª de S. Tiago e filha de Joseph Baptista e de Thereza de Jesus: forao P.P Manoel da Costa, e Catharina Josepha e tocou por ella com procuração Antonio Soares; de q fiz este asento que asigney: era ut supra. O Pe. Cura Jozeph da Sª Pinhrº”.

 

Registro de casamento de Antônio Pereira e Catarina Josefa Pereira de Andrade:

 

“Em Seis de Outubro de mil, e Sete Centos, e Secenta e hum se Receberao in facie ecclettd, e em minha prezença e na forma do Sagrado Concilio Tridintino e de manham Antônio Perª solteiro filho legitimo de Domingos Rodrigues já defunto, e de sua m.er Domingas Pereira natural do lugar de Ribeiro Fregª de São Iricio de Nespereyra Bisppado de Lamego, e A Catharina Jozefa solteira Baptizada na Freguezia de São Nicolau da Villa de Santarem e filha de Nicolau Pereyra de Andrade, e de Jozefa Thereza do Nascimtº e ambos os contrahentes meus Freguezes, e actualmente m.res nesta freguesia donde se tem desobrigado as quaresmas próxima passadas e em tudo mais se guarda a forma da Constituição do Patriarchado sendo testemunhas prezentes estavão, e comigo asignarao Francisco da Costa Antonio Jose Sancristao desta Igreja e Sebastiao Alvres m.es nesta Fregª. De q fiz este assento. O Vigrº Encomdº Miguel da Silva. Francisco da Costa. Sebastião Alves. Antº Joze”.

 

Nota: Um mês depois do matrimônio de Antônio Pereira e Catarina Josefa Pereira de Andrade (casados aos 06 de outubro de 1761) nasceu aos 05 de novembro de 1761 a filha de nome Margarida Josefa de Assunção, que por sua vez foi a mãe do português Feliciano da Costa Cirne (avô materno do pintor Pedro Américo).

 

Tetravós maternos de Pedro Américo de Figueiredo e Melo:

 

José da Costa Cirne, natural de Portugal (pai de Pedro da Costa Cirne).

 

Domingos Rodrigues e Domingas Pereira, naturais de Portugal (pais de Antônio Pereira).

 

Nicolau Pereira de Andrade, natural da Freguesia de Santa Maria de Almoster, Conselho e Distrito de Santarém, Portugal, e Josefa Tereza do Nascimento, natural da Freguesia de São Tiago, Conselho e Distrito de Santarém, Portugal (pais de Catarina Josefa Pereira de Assunção).

 

Pentavós maternos de Pedro Américo de Figueiredo e Melo:

 

Diogo Cirne (pai de José da Costa Cirne).

Nicolau Freire e Maria da Silva, naturais de Portugal (pais de Nicolau Pereira de Andrade).

José Batista e Tereza de Jesus, naturais de Portugal (pais de Josefa Tereza do Nascimento).


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